Nem burro, nem idiota

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cada um na sua e respeito pra todo nós. Mas me identifiquei tanto com o comentário do Luiz Berto, autoentitulado e respeitado como Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, que resolvi transcrevê-lo. Leia aí:

"É por isso que eu não me meto a escrever poesia. Sobretudo a chamada 'poesia moderna'. Sou perfeccionista, gosto de fazer tudo bem feito. E eu jamais conseguiria compor uma obra-prima perfeita como esta, de um poeta carioca, que li hoje pela manhã na internet. Vejam só:

O texto, escura escama, pesadelo de eternidade,
máscara densa do universo vomitando.
O texto, mas não a energia que o pensou,
interrogando a simultaneidade absoluta.

Num vou passar atestado público de burrice dizendo que não entendi. Nem tampouco atestado de idiota dizendo que entendi. Só quero dizer que eu jamais conseguiria escrever algo assim. Sou muito limitado."
E tu! O que dizes?

Eu gosto é de Filó

Por entender o que foi dito é que eu gosto de Manoel Filó, esse daí de cima que disse isso aí de baixo:

Por muito prazer que a gente
Na vida já tenha tido
Só presta o que está na frente
O que passou, tá perdido

domingo, 30 de agosto de 2009

SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 26 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha

Não esquecem o Senado

Continuo achando que tão sacaneando o Senado Federal, mas vou postar mais uma. Garantem que este foi o último concurso interno (porque só podiam participar parentes de senadores) para Aspone (o pretendidíssimo cargo de Assessor de Porra Nenhuma). Não tá valendo vaga, mas podem tentar responder. Quem sabe um dia não vais namorar um(a) filho(a) do Sarney!

01) Um grande presidente brasileiro foi Castelo _________
( ) Roxo ( ) Preto ( ) Branco ( ) Rosa choque ( ) Amarelo
02) Um líder chinês muito conhecido chamava-se Mao-Tsé______
( ) Tang ( ) Teng ( ) Ting ( ) Tong ( ) Tung
03) A principal avenida de Belo Horizonte chama-se Afonso_______
( ) Pelo ( ) Pentelho ( ) Penugem ( ) Pena ( ) Cabelo
04) O maior rio do Brasil chama-se Ama_________
( ) boates ( ) zonas ( ) cabarés ( ) relinho ( ) ciante
05) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi __________
( ) Volta Redonda ( ) Fluminense ( ) Flamengo ( ) Botafogo ( ) Vasco da Gama
06) A América foi descoberta por Cristóvão Co_______
( ) maminha ( ) picanha ( ) alcatra ( ) lombo ( ) carne do sol
07) Grande Bandeirante foi Borba _______
( ) Lebre ( ) Zebra ( ) Gato ( ) Veado ( ) Vaca
08) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de ______
( ) Anda ( ) Para ( ) Corre ( ) Dispara ( ) Caminha
09) Um famoso ministro de Portugal foi o Marquês de _________
( ) Galinheiro ( ) Puteiro ( ) Curral ( ) Pombal ( ) Chiqueiro
10) D. Pedro popularizou-se quando __________
( ) eliminou a concorrência ( ) decretou sua falência ( ) saturou a paciência ( ) proclamou a independência ( ) liberou a flatulência
11) Pedro Alvares Cabral _____________
( ) inventou o fuzil ( ) engoliu o cantil ( ) descobriu o Brasil ( ) foi pra puta que pariu ( ) tropeçou mas não caiu
12) Foi no dia 13 de maio que a Princesa Isabel____________
( ) aumentou a tanajura ( ) botou água na fervura ( ) engoliu a dentadura ( ) segurou a coisa dura ( ) aboliu a escravatura
13) Um grande ator brasileiro é Francisco Cu______
( ) sujo ( ) de ferro ( ) oco ( ) largo ( ) apertado
14) O autor de Menino do Engenho foi José Lins do ______
( ) Fiofó ( ) Cu ( ) Rego ( ) Furico ( ) Forevis
15) O mártir da independência foi Tira___________
( ) gosto ( ) cabaço ( ) que está doendo ( ) dentes ( ) e põe de novo
16) D. Pedro I. às margens do Rio Ipiranga, gritou____________
( ) Hortência vorte! ( ) Eu dou por esporte! ( ) Como dói, prefiro a morte! ( ) Independência ou morte! ( ) Maria, endureceu! Que sorte!

Colaboração de Lucílio Valério.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Memórias do cangaço

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O site lampiaoaceso.blogspot.com é uma das melhores fontes "internéticas" que encontrei sobre o cangaço. É moderado por um jovem de nome Kiko Monteiro, de Lagarto, estado de Sergipe. No texto abaixo deste, uma de suas mais recentes atualizações. É uma publicação não muito fácil da revista Realidade, de 1973. São trechos de uma entrevista concedida por Guilherme Alves, o cangaceiro Balão, tido como sobrevivente do bando de Lampião. Na foto acima, balão em família (atente-se para a legenda), abaixo com uma cabeleira 'herança do cangaço'. Crédito das fotos: Chico Aragão.

"Vivi de fogo em fogo durante 09 anos. A gente aprende a brigar: Soldado morria porque vinha de peito aberto. Cangaceiro não dá o peito nem as costas, briga de quina. Um homem de quina é uma faca. Também não brigávamos sem preparo. Só atraíamos a volante depois de construir a trincheira. E lá ficávamos, ajoelhados ou em pé, escorando firme o coice da espingarda."

"MARIA BONITA usava uma pistola Mauser, de 11 tiros, mas também não atirava nada. Não era bonita: baixinha, grossinha, pernas meio tortas, cintura fina, quadris bem largos, atrás era batidinha como uma tábua. Tinha o rosto cheio, redondo, andava com botas de couro de bode, bem coladas nas pernas. Usava saia de couro abaixo dos joelhos e uma blusa de couro."

"LAMPIÃO andava todo furado de balas. Eu pensava: é oração, ele não morre mais. LAMPIÃO era alto, magro, as pernas secas. Lia e rezava muito. Só ele e CORISCO sabiam ler."

Eu vou! Tu vai?


Me enganei com minha noiva

Estes versos são bem conhecidos pelos que gostam da poesia engraçada, mas por vezes são ditos como sendo de autoria do forrozeiro Amazan, em função deste ter os gravado em um de seus discos. O autor, no entanto, é Luiz Campos, poeta de Mossoroense (RN). Este aí da da foto.

Quando sortêro eu vivia
Era o maior aperrêi
Devido eu ser muito fêi
As moça num me quiria
Quando prum forró eu ia
Cum quarqué colega meu
Eles confiava neu
Ia bebê e dançá
No fim da festa arengá
E quem ia preso era eu

Prumode arranjar namoro
Eu toda vida fui mole
Cantei samba, puxei fole
Usei um cabelo loro
A boca cheia de oro
Chega briava de dia
Quando prum forró eu ia
Cherava feito uma rosa
Mas quando eu caçava prosa
As moça num me quiria

Eu dizia – É catimbó
Que arguém butô e num sai
Mamãe casou com papai
Vovô casou com vovó
Inté meu mano Chicó
Munto mais fêi do que eu
Namorou, casou, viveu
Cum duas muié, inté
Só eu num acho muié
Que quêra se esfregar neu?

Um dia Deus descuidou-se
E o satanás se esqueceu
Que Vicença oiou pra eu
Cum zoião de bico doce
O nosso amô misturô-se
Cuma feijão cum arroz
Se abufelemo nós dois
Num amô tão violento
Que maiquemo o casamento
Pra quatro dia dispois

No dia de se amarrá
Se arrumou eu e ela
Dei de garra na mão dela
Fui pra igreja casá
Cheguei nos pés do artá
Recebi a santa bença
Jurei num tê desavença
Entre eu e minha esposa
O padre dixe umas cousa
Eu eu fui vivê mais Vicença

Cheguei im casa mais ela
Fui logo mi agazaiando
Que mermo eu ia pensando
De drumi com a costela
Vicença fez uma novela
Pru dentro da camarinha
Quebrou uns troço que tinha
Me ameaçou na bala
Findou drumindo na sala
E eu me lasquei na cunzinha

Da vida eu perdi o gosto
Pruquê Vicença fez isso
De manhã fui pro sirviço
Mas pra morrê de disgosto
Cheguei im casa o sol posto
Vicença me arrecebeu
Inté um café freveu
Botou pra nós dois ceá
Mas quando foi se deitá
Nem sequer oiou pra eu

De Deus eu perdi a crença
De nome chamei uns trinta
Botei a faca na cinta
Fui cunversá com Vicença
Vicença deu a doença
Quando eu falei im amô
E preguntô – O sinhô
Pensa qui eu sou o quê
Só me casei cum você
Pra lhe fazê um favor

Bati cum ela no chão
Puxei a lapa de faca
Cortei-lhe o cós da casaca
E o elastro do calção
Vicença tinha razão
De num querê bem a eu
Num era cum nojo deu
E nem pruquê fosse séra
Sabe Vicença quem era?
Era macho qui nem eu

Eu munto me arrependi
Pruquê me casei cum ela
Falei logo cum o pai dela
E de manhã devorvi
Grande desgosto senti
Que quage murria, inté
Home em traje de muié
Tem munto de mundo afora
Só caso com ôta agora
Sabendo logo quem é

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tem gente que não ver doce
Nem beleza num capucho
Porém tem quem como eu
Lambe os dedo e mela o bucho
Foto: Cláudio Gomes / Arte: Seriza Janaína

O Valor da Vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere. / Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro:
R$ 23,4 / R$ 2,34.
Pode ser autoritária:
Aceito, obrigado. / Aceito obrigado.
Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve. / Isso só ele resolve.
E vilões:
Esse, juiz, é corrupto. / Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido. / Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber. / Não, queremos saber.

Agora experimente colocar a vírgula nessa frase:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER. Se for homem, certamente colocou a vírgula depois de TEM.

Esta peça compôs a campanha publicitária pelo centenário da Associação Brasileira de Imprensa, a qual teve com lema: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Colaboração: Afonso Cavalcanti Fernandes

Umas coisa dizida por Jessier Quirino

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu nome num tem sustança

Eu quero trocar meu nome
Purum nome mais verdadeiro
Pois, Nuca de Zé Bedêu
Não tem sustança nem cheiro
Quero um nome de Doutor
Graúdo, respeitador:
Astragildo de Medêro.
Astragildo de Medêro
Ô nomezim arretado!
Com ele bem adubado
Eu era um filosofêro
E dizia em toda altura:
-O raso não tem fundura
No planeta brasileiro!
O raso não tem fundura
Ia pro Repórter Esso
Ia ser grande sucesso
A minha filosofura
Os doutor na altura
Espalhava o boatêro
E dizia: - Meu cumpade
O dono dessa verdade
É Astragildo de Medêro.

Já um nome apeiticado
Já um nomezim reimoso
Já não é considerado
Já não pode ser famoso.
O raso não tem fundura!
Com bravura digo eu
Os doutor logo adverte:
- Pelo que se asucedeu
A má palavra se herda
Pois quem falou essa merda
Foi Nuca de Zé Bedêu.

Em tempos de gripe


Charge: Tach0 - Jornal NH - Novo Hamburgo (RS)

A última dessa sessão sobre Pinto

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pinto do Monteiro morreu com quase 100 anos. A citação é incerta porque o próprio Pinto contribuiu para tal. Os registros são de que ora dizia ter nascido em 1895, ora em 1896. Há também que o comparasse na idade com o parceiro Antonio Marinho, este nascido em 1887. O certo é que a Cascavel do Monteiro desencarnou em 1990. No dia 28 de novembro mais precisamente. No túmulo do poeta (foto) não há datas.

Ao fim das forças passou a conduzir um pandeiro. De tanto questionado, respondeu com versos. Um deles:

Ninguém deve ignorar
Porque Pinto do Monteiro
Largou de mão a viola
E passou a usar pandeiro
O volume é mais menor
E o pacote mais maneiro

Sobre outros cantadores, disse:

Com Saturnino Mandu
Eu não pude me sair
O velho meuteu-me a peia
Deu até o nó cair

Sobre Antonio Marinho: bom baião, boa toada, mas comigo ele encontrou tampa pro tabaqueiro.
Sobre Dimas Batista: nesse eu bati como quem bate em massa pra pão de ló.
Rogaciano Leite: um monstro.
Sobre quem foram os maiores cantadores: foi o sogro e foi o genro (AntonioMarinho e Lourival Batista). Mas não deixou de graça:

Já apanhei de Marinho
Porém foi só uma vez
Aqui mesmo em Umburana
No ano de vinte e seis
Mas agora dou no genro
Desconto o que o sogro fez

Sobre Jó Patriota: do meu tamanho mesmo só Marinho e Louro, o resto foi do tamanho desse aí.
Sobre João Furiba: nunca teve medo de apanhar.

E profetizou:

Quando os velhos morrerem
Os que ficam cantam bem
Duda passou de Marinho
Por mim não passa ninguém
Vou ficar para semente
Pra séculos sem fim, amém

Charge: J. Bosco - Jornal O Liberal (PA)

Há 22 anos, morria Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.

domingo, 16 de agosto de 2009

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
( Albert Einstein )

Colaboração: José Amintas Figueiredo Nunes

Quem quer ser um lápis?

Um menino olhava a mãe escrevendo uma carta com um lápis e, logo, perguntou-lhe:
- O que você está escrevendo, mamãe? É importante?
A mãe parou e comentou:
- É sim, filho! No entanto, mais importante que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis e não viu nada de especial.
- Mas o que tem de diferente neste lápis?
- Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
- Primeira: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe alguém maior que você, uma Mão que guia seus passos. Esta Mão nós chamamos de Deus.
- Segunda: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
- Terceira: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.
- Quarta: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está por dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
- Quinta: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços e procure ser consciente de cada ação.

Um Grande Feito em 6 Atos

sábado, 15 de agosto de 2009

(Arte: óleo sobre tela de Lisy Telles)

Primeiro Ato – O Corpo

Mesmo para quem não atua no campo jurídico, a expressão habeas corpus é bem comum. Do latim, quer dizer “que tenhas o teu corpo” ou, equivalentemente, “que tenhas o corpo livre”. É uma garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção. É mais usual como pedido de liberdade para quem foi preso ‘injustamente’.

Segundo Ato – O Pinho

Pinho é uma árvore muito utilizada para fabricação de instrumentos de corda, especialmente violões e violas. Oferece resistência, durabilidade e, claro, mostra-se propícia às afinações necessárias ao instrumento.

Terceiro Ato – O Fato

Conta-se que um apaixonado resolveu exaltar seus sentimentos em horário e local inapropriados. Valendo-se da voz, de um violão e, naturalmente, dos impulsos amorosos foi denunciado como perturbador da ordem e do sossego. Pelas mãos da polícia foi levado à delegacia, de onde teve que sair sem levar o companheiro violão. O instrumento virou peça de processo.

Quarto Ato – O Autor




Ronaldo da Cunha Lima, advogado, poeta e político paraibano, usou das duas primeiras referências e compôs uma obra prima eternizada nos mundos jurídico e da poesia. A batizou de Habeas Pinho.

Quinto Ato – A Petição

Senhor Juiz, Roberto Pessoa de Sousa

O instrumento do "crime" que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

Sexto Ato – A Sentença

Sobre a resposta do juiz já ouvi várias versões. Numa delas, o juiz teria sentenciado com esta quadra:

Para que eu não guarde
Remorso no coração
Ordeno que devolvam
A seu dono, o violão.

Em outra, a sentença tem forma de soneto:

Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte à rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz.

Morte e Vida Severina

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

(...) E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia (...)


Obra de João Cabral de Melo Neto - 1954
Foto de Marcus Antonius Gouveia de Oliveira - 2008

As Quatro Velas

Quatro velas ardiam sobre a mesa
E falavam da vida e tudo o mais
A primeira, tristonha: “Eu sou a PAZ
Mas o mundo não quer me ver acesa”

A segunda, em soluços desiguais:
“Sou a FÉ! Mas é triste a minha empresa
Nem de Deus se respeita a Realeza
Sou supérflua, meu fogo se desfaz”

A terceira sussurra, já sem cor:
“Estou triste também, eu sou o AMOR
Mas perdi o fulgor como vocês”

Foi a vez da ESPERANÇA, a quarta vela:
“Não desiste ninguém! A Vida é bela!"
E acendeu novamente as outras três!


(Dedé Monteiro)

terça-feira, 11 de agosto de 2009


"Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar."
Chico Science

Caiporas de Pesqueira

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cláudio Gomes, o fotógrafo, está acompanhando, a serviço, o projeto Pernambuco Nação Cultural. Este fim de semana esteve em Pesqueira, onde o projeto une-se à tradicional Festa da Renascença. Acima e abaixo, três momentos da cultura de chão representada por lá.

Encontro de Blocos


Grupo Infantil de Coco de Roda


VAI SER BOM, PRESTANDO!


Soneto ao pai

domingo, 9 de agosto de 2009

Pai, sozinho sei que posso viver
Devo a ti todo meu aprendizado
De que vale tanto ter estudado
Nessas escolas de aulas sem prazer

Pra mim o que vale é o saber
Que o destino mata ser julgado
Sem álibi ainda assim não há jurado
Com forças para não lhe absolver

Ciente que todas as minhas glórias
Serão frutos únicos das tuas vitórias
Serei para sempre teu seguidor

E sendo fiel ao teu ensinamento
Basta que usufrua de dez por cento
Pra ser nessa vida um vencedor

(Alexandre Morais)

Diga se João Paraibano num parece um dia de sábado?

sábado, 8 de agosto de 2009

Quando o dia começa a clarear
Um cigano se benze e deixa o rancho
A rolinha se coça num garrancho
Convidando um parceiro pra voar
Um bezerro cansado de mamar
Deita o queixo por cima de uma mão
A toalha do vento enxuga o chão
Vagalume desliga a bateria
Das carícias da noite nasce o dia
Aquecendo os mocambos do sertão

Acho que essa não é por causa do Sarney

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Colaboração de Lída Lira. Que não é terrorista. Garanto.


Lameira de caminhão

70 me passar, passe 100 atrapalhar
* * *
Não buzine, levante mais cedo
* * *
Cão que ladra também morde. Cachorro não conhece ditado
* * *
Eu sou U 1000 D
* * *
Macho que é macho não chupa mel, masca abelha
* * *
O português inventou o termômetro a cores para ver a febre amarela
* * *
Sou do tempo que fazer sexo era seguro e viajar de avião era perigoso

Outra de Sarney? Vão dizer que é marcação...

Mandaram dizer pra vocês que no Maranhão é assim:

Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney.
Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário;
Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas 'maravilhosas' rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
Não gostou? Quer reclamar? Vá ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney...

Há 176 anos...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Que maldade!

Colaboração de Cláudio Gomes, o fotógrafo que não fez esta foto.

Dedé poeta...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Em 2007 foi ao ar pela TV Cultura um documentário entitulado Uma cruz, uma história e uma estrada, produzido pelo pernambucano Wilson Freire. No roteiro versos, entre os versos este aí do poeta Dedé Monteiro:

Uma cruz faz lembrar o Rei da Glória
Trucidado por nossa incompetência
Uma história relembra uma existência
Com momentos de perda e de vitória
Uma estrada que além da própria história
Conta a vida da gente antepassada
Por quem passa precisa ser lembrada
Pois a estrada é a mãe do movimento
Não merecem ficar no esquecimento
Uma cruz, uma história e uma estrada

...e eu querendo ser

Terminada a exibição, fiz este:

Assisti pela tela da Cultura
Muito mais do que um documentário
Vi a cena, o retrato e o calvário
Reservados à humana criatura
Vi o caminho do berço à sepultura
Dos que já terminaram a jornada
Mas deixaram sua sina encravada
Demarcando o lugar da despedida
E formando uma trinca a ser relida
Uma cruz, uma história e uma estrada

Quem conhece o Aurélio?

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, aquele que dá nome ao dicionário mais requisitado desta pátria é este aí acima. Ele foi crítico, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta, mas quase que só é conhecido em função do próprio livrão de sinônimos. Nasceu em Passo de Camaragibe, Alagoas, em 3 de maio de 1910 e faleceu em 28 de fevereiro de 1989 no Rio de Janeiro. Em junho passado, depois de mais de 40 milhões de unidades vendidas, uma nova edição do dicionário foi lançada. Após a morte de Aurélio, as novas edições são coordenadas por Marina Baird Ferreira, viúva do autor.

Viva Manoel Xudu

Sou igualmente a pião
saindo de uma ponteira
que quando bate no chão
chega levanta a poeira
com tanta velocidade
que muda a cor da madeira

(Foto: Ratão Diniz)

Coronel, coronéis

"Quem não quiser saber das coisas, mate os velhos".
Dito do Coronel Veremundo Soares, transcrito no livro Coronel, coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste, de Marcos Vinicios Vilaça (ele mesmo, o ex-presidente do Tribunal de Contas da União e da Academia Brasileira de Letras) e Roberto Cavalcanti de Albuquerque. O livro aborda o tema à luz dos perfis de 04 coronéis pernambucanos: Chico Romão, de Serrita, Zé Abílio, de Bom Conselho, Chico Heráclio, de Limoeiro, e Veremundo Soares, de Salgueiro. O perfil de Veremundo foge ao tradicional. Para além da figura do dominador econômico, social e político da época, prestava-se como médico popular formado em livros de botânica aplicada à medicina, como músico clarinetista e até como parteiro. Acima, imagem da capa do livro. Pode facilitar a procura para quem por ele se interessar.

Pinto do Monteiro de gota em gota... 03

Como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo produzi um série de 03 programas para rádio com 30 minutos cada. O tema foi a cantoria de repente. Em um deles reproduzi uma das poucas entrevistas gravadas com Pinto do Monteiro. Ali ele diz como começou a cantar e, claro, surpreende:

- Um dia me chamaram pra assistir uma cantoria. Eu fui. Chegando lá faltou um cantador. O que foi, de nome Saturnino Mandu, começou a cantar sozinho. Eu fiquei olhando, aí disse: se cantoria for isso eu sei cantar também. O povo se admirou, mas arranjaram uma viola pra mim. Nós peguemos a cantar e quando foi com mais um pouco o Saturnino disse: se continuar assim, vai cantar de assombrar o mundo.
Eu disse lá o que digo aqui: Sabia das coisa esse Saturnino Mandu!

Pinto realmente assombrou o mundo de cantadores, apologistas, admiradores e de todos que lhe deram atenção. Ainda hoje há quem se assombre quando conhece o patrimônio deixado por ele. Fica aí uma nesga deste patrimônio:

Eu comparo esta vida
à forma da letra S
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

Escritor afogadense Amâncio Siqueira publica livro

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Os deuses, não existindo mais, e o Cristo, não existindo ainda, houve, de Cícero a Marco Aurélio, um momento único em que só existiu o homem." Flaubert. É sobre esta época fabulosa que trata este livro. O Evangelho de São Pecador é a compilação das traduções de diversos manuscritos que datam do século IV de nossa era e narram eventos do século II. Tais manuscritos, que perpassam a vida de Tiago de Ariman, seu amor, suas amizades e suas perdas, em uma viagem de auto-descoberta, traçam um retrato não apenas deste grande homem, mas de sua época, das guerras interiores e exteriores que travou em busca de sua redenção. Uma viagem de auto-descoberta, na qual também nós podemos nos auto-descobrir um pouco a cada página.
Esse é o segundo livro do autor. O primeiro foi escrito em parceria com o escritor Márcio Jardson, intitulado Lixismo - Uma busca pelo esquecido. O Evangelho de São Pecador é um livro de escrita pujante e enredo envolvente. O livro pode ser adquirido pelo site http://www.clubedeautores.com.br/.
Copiado de http://www.revistaexpoenteonline.blogspot.com/ Visita lá.

De retrato para foto
Grande diferença tem
Retratar é registrar
Aquilo que lhe convem
Já foto requer talento
Olhar nobre, sentimento
Como poucos unem bem

Eis aí um olhar diferenciado sobre o Cine Teatro Guarany - Triunfo - PE. Olhos e lentes de Cláudio Gomes (87) 9633.3342 / (81) 9602.3287

20 anos sem Gonzagão

Capa do LP O Homem da Terra - RCA - 1980

Um soneto de Bilac...

Não és bom, nem és mau: és triste e humano
Vives ansiando, em maldições e preces
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano

Pobre, no bem como no mal padeces
E rolando num vórtice insano
Oscilas entre a crença e o desengano
Entre esperanças e desinteresses

Capaz de horrores e de ações sublimes
Não ficas com as virtudes satisfeito
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes

E no perpétuo ideal que te devora
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora

...e um verso de Jó

O meu prazer foi extinto
Hoje no meu pensamento
Passam como passa o vento
As alegrias que eu sinto
Fiz do mundo um labirinto
E saí em busca do amor
Encontrei um dissabor
Me oferecendo agonias
Porque minhas alegrias
São intervalos da dor
(Foto: Assis Lima)


"Mais vale um mudo que leva recados do que um poliglota individualista".

Severino Cordeiro de Souza - Biu de Crisanto, esse aí da foto.

Algo sobre Lampião

Em 22 anos de vida no cangaço, chegando a praticamente dominar o sertão de Pernambuco, através da chefia do mais aguerrido grupo de cangaceiros de que se tem notícia; protegido por fortíssimas alianças celebradas com coiteiros poderosos, fazendeiros, comerciantes e homens públicos, entre os quais se incluia até mesmo um interventor federal, Lampião não conseguiria dar cabo daquele a quem considerava seu inimigo número um. Até 1980, transcorridos portanto muitos anos da morte do bandoleiro na grota do Angico, Sergipe, continuava Saturnino a criar seus curiós no mesmo encosto de serra em que ambos nasceram e foram meninos juntos.
Trecho do livro Guerreiros do Sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. A Girafa Editora, 2004. Leitura obrigatória para quem tem interesse no tema. Na foto, Frederico Pernambucano de Mello, autor da obra e um dos mais reconhecidos pesquisadores do cangaço. Foto de Helder Tavares/D.A. Press, publicada no Diário de Pernambuco, edição de 11 de março passado.

 
 
 
 
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