segunda-feira, 21 de junho de 2010


sábado, 19 de junho de 2010

Hoje tive com o professor e poeta Genildo Santana, em seu programa Cidade Cultural, na Rádio Cidade, em Tabira - PE. Devolvendo a visita, trago ele aqui pro blog transcrevendo uma de suas genialidades:

Poeta
Desde quando nasci fui maltratado
Eis porque os meus lábios são tristonhos
Meu presente é cruel e meu passado
Foi passado em momentos tão medonhos
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Por amores que eu tive fui pisado
Sem direito a usufruir dos sonhos
É destino? Eu fui predestinado
A não ter nem mostrar lábios risonhos?
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Minha vida é de tal desaventura
Que se me aproxima uma criatura
Logo foge... e a solidão completa
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Vem dizer que sofri, que sofrerei
Mas, um dia, distante, alguém amei
Eis a causa porque me fiz poeta

Furiba, o sorridente aí da foto (copiada do blog de Simorion Matos), tá chegando aos 85 de idade. Genildo tá confirmando que dia 04 de julho Sumé promoverá um festival de cantadores em homenagem ao poeta. Como diria aquele personagem de Graciliano Ramos: é justo, é muito justo, é justíssimo.



"O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio."
José Saramago, escritor português, Nobel de Literatura em 1998, falecido ontem na Espanha.

Forró com cantoria

Campina Grande (PB) e Arcoverde (PE) provam que forró e cantoria é pra o ano todo. Em meio a programações juninas gigantes e cheias de atrações nacionais, a poesia não abre mão de seu pé de parede nas duas cidades. Em Campina é na Vila da Imprensa, no Parque do Povo, e em Arcoverde no Polo Bodega da Poesia, um dos dez polos da cidade. Que notícia boa de se lê, né, não!? Tiramos o chapéu para os promoventes e para os baluartes do verso que estão por trás dessas iniciativas.
Ah, a tela aí de cima, entitulada Cantoria, é da artista San Bertini,paulista radicada em Salvador.

sexta-feira, 18 de junho de 2010


Um versinho pra Diniz...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O poeta Diniz Vitorino estava voltando de um costumeiro passeio pela cidade. Ia no rumo do almoço. A dor no peito o levou ao chão de imediato. O poeta não se levantou mais. Em cima do fato e do mote de de Diomedes Mariano eu fiz:
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Tava o sol meando sua missão

De provar os poderes divinais

Quando o facho dos versos colossais

Bruscamente sofreu um apagão

Dom Diniz, o poeta da razão

Que não deu um só passo em terra escura

Foi ao chão, ao caixão e à sepultura

Pra deixar toda arte enlutada

A viola no torno, a voz calada

E uma mancha de luto na cultura

...e outros versões pra Diniz também

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Naturais, Eruditos ou Barrocos


Todo estilo acentava pra Diniz



Outros astros pra terem seus perfís



Se acaso existir, existem poucos



Como todos os gênios que são loucos



Ele tinha uns sintomas de loucura



Pra poder ter direito à sepultura



Pelas mãos de terceiros foi comprada



A viola no torno, a voz calada



E uma mancha de luto na cultura



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(Diomedes Mariano)



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* Sem sepultura em Caruaru, onde morreu, um pedaço de chão de cemitério foi doado de última hora pela Prefeitura para o sepultamento do poeta.



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De repente, uma nota triste diz



“O agreste ficou sem seu Diniz



Lourinaldo ficou sem seu irmão



O repente ficou na contramão



E o Nordeste ficou na amargura”



Dos seus versos repletos de doçura



Resta, agora, depois do tudo, o nada



A viola no torno, a voz calada



E uma mancha de luto na cultura



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(Dedé Monteiro)



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* Lourinaldo Vitorino, irmão de Diniz, também é poeta repentista.



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Que o Poeta Diniz foi genial



Não precisa que’u diga, nem que’u mande



Eu só sei que o seu verso era tão grande



Que cabia apertado no plural



Seu pensar lapidado e natural



Fez de cada poema uma moldura



Pra deixar a imagem da ternura



Como a sua viola pendurada



A viola no torno, a voz calada



E uma mancha de luto na cultura



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(Zé Adalberto)



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*"...verso tão grande que cabia apertado no plural." Que era assim, muitos sabem, mas pra dizer assim, só Zé mesmo.



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Quantos versos de amor deixou escritos






Quantas vezes a mãe já exaltou



Muitas vezes sofrendo por amor



Escreveu uns sonetos tão bonitos



Tantos versos pensados e não ditos



Representam, talvez, a alma pura



Do poeta tão cheio de ternura



Mas que hoje já não escreve nada



A viola no torno, a voz calada



E uma mancha de luto na cultura



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(Veronica Sobral)



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*Valeu, poetisa, sem dúvidas Diniz partiu sem ter tempo de dizer uns milhões de novos versos bonitos.


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sexta-feira, 11 de junho de 2010


Diniz Vitorino saiu de nossas vistas

domingo, 6 de junho de 2010

Fátima Marcolino veio me dizer que o poeta de voz e versos fortes, de vocabulário arrojado, de extrema sensibilidade poética e social, sonetista gigante, Diniz Vitorino, mudou-se para o oriente eterno ontem pela manhã. Nascido em Monteiro (PB) viveu por muitos anos em Caruaru, onde tive o prazer de conhecê-lo. Foi, mas fica em obras como esta:
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A próxima viagem
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Aonde irei? Qual será o novo porto
Que terei para minhas aventuras?
Os abismos profundos do mar morto
Ou as rubras galáxias das alturas?
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O meu destino eu não sei, sei que, absorto
Rogo a Deus que perdoe minhas loucuras
E, com os dedos em riste, indique o horto
Para minhas passadas inseguras
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Seja ele como for subi-lo-ei
Se garranchos houver, os pisarei
Mesmo abrindo nos pés profundas chagas
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Vendo o sangue cair das faces lívidas
Me proponho a quitar todas as dívidas
Que na terra por mim não foram pagas

VOTE MAVI

Acesse o site http://maviael-melo.conexaovivo.com.br e vote em Maviael Melo. É que o cara tá participando de uma seletiva para se apresentar no Teatro Castro Alves, em Salvador. Ele merece.

TABIRA TERÁ ESCOLA DE POESIA ORGANIZADA PELA APPTA

A FUNDARPE ( Fundação do Patrimônio Histórico de Pernambuco) divulgou nesta última sexta (04) o resultado da seleção para implementação de Pontos de Cultura no Estado de Pernambuco.


Com o projeto " ESCOLA DE POESIA", a APPTA (Associação de Poetas e Prosadores de Tabira) foi contemplada e se tornou Ponto de Cultura. A Associação, que há anos, luta por um recurso para manter viva as raízes da poesia popular, está iniciando uma fase significativa, já que durante 3 anos, será financiado um Projeto de Oficinas de poesia na cidade, garantindo a continuidade do trabalho que poetas já faziam de forma voluntária.


O projeto Escola de Poesia, que promoverá o curso de formação poética, é um instrumento pedagógico educacional montado na intenção de promover e preservar a principal cultura popular do pajeú: a poesia. Também dando ênfase as suas vertentes.


Anualmente, a Escola de Poesia vai atender 120 alunos de todas as faixas etárias (sendo 4 turmas de trinta alunos).Serão 4 (quatro) oficinas com 24 (vinte e quatro) horas/aula de duração cada, com capacidade para 30 (trinta) alunos por oficina. Cada uma distribuída em 4 (quatro) semanas, sendo 2 (dois) dias de aula semanais de 3 (três) horas.


Assim, em três anos, haverá a formação de 360 pessoas (poetas e entusiastas da poesia popular) no município de Tabira, tendo em vista a produção de forma correta de todas as vertentes da poesia.


A primeira turma formada integrará a oficina 1 (um): Um passeio pela poesia pajeuzeira.
Na conclusão da oficina 1 (um) a turma passará à oficina 2 (dois): Declamação: a voz que dá vida à poesia. A oficina 3 (três): Contar histórias: o corpo e a voz se encontram com o texto.
A última oficina, conclui a formação da turma, é a de número 4 (quatro): Teatro em Verso & Prosa.


Os membros da APPTA, ao serem indagados, demonstram a satisfação pela aprovação e ressaltam o apoio decisivo do apologista, poeta e incentivador da cultura Vicente Neto na elaboração técnica do Projeto.



Ótima notícia trazida do site www.poetisaveronicasobral.blogspot.com

ATRAÇÕES DO SÃO JOÃO DO GONZAGÃO DEFINIDAS

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Secretaria de Cultura e Turismo de Iguaracy definiu a programação do São João do Gonzagão deste ano. Como já havia sido anunciado , a festa vai primar por atrações que valorizem o forró autêntico. Segundo informações obtidas por nosso blog, ainda há possibilidade de mudanças que atendam as comunidades de Jabitacá e Irajaí. Confira a programação oficialmente anunciada:



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Dia 23 : Nico Batista


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Dia 24 : Delmiro Barros, Nando e Os Manos

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Dia 25 : Maciel Melo, Nando e os Manos

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Dia 26 : Vozes do Campo

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Dia 27 : Nádia Maya e Lindomar Souza com Quarteto Forrozado

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Do Site e Nill Júnior



Minha coluna do mês no jornal O Movimento

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um soneto de Diomedes Mariano

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Eu Quisera



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Eu quisera um país sem escopeta



Sem revólver, sem bala, sem canhão



Sem gatilho quebrando a espoleta



Sem acúmulo de gente na prisão

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Sem molambos rasgados na maleta



Dos famintos da triste emigração



Onde os pobres e pretos do planeta



Fossem vistos sem discriminação

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Ao invés do fuzil que mata e pesa



O rosário, o altar, o templo, a reza



Com um não para a guerra e um sim para a paz

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Com espaços para grandes e pequenos



Todo mundo feliz, sofrendo menos



E a palavra de Deus valendo mais.

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O Cara



Pra quem conhece de perto, o pedreiro dessa obra aí de cima é Dió. O cara se mistura com a poesia escrevendo, declamando, cantando, improvisando, conversando, contando lorota, falando dos outros e de outros sei lá quantos jeitos mais sem se cansar nem cansar ninguém. Sem contar que é gente tão boa quanto é poeta grande. E a memória, então? Zé de Cazuza tá vivo lá na Prata com o título de “Gravador Humano” e eu não discordo. Agora outra é verdade é que o que Zé tem mais do que Dió é tempo de gravação. Qualquer dia vou desafiar os dois a passarem uns 3 ou 15 dias recitando verso sem repetir o primeiro. Eu sei que eu perco, mas dessas apostas aí eu queria perder o resto da vida.



E o soneto?


Pois é, e o soneto? Obra prima, né não!? Um grito de esperança e fé. Um ato contra as desigualdades, o racismo e os preconceitos; a favor da justiça, da comunhão e da fraternidade. É a voz de uma parte da humanidade bradando aos ouvidos da outra parte. “O cantador é a voz da multidão silenciosa, a história sonora dos que não tem história”, disse um dia Câmara Cascudo. Dió é isso aí.


João Pereira


Outra figura enorme é João Pereira da Luz, o João Paraibano, poeta na mais sublime essência da palavra. Como a alcunha diz, João é paraibano de Princesa Isabel. Adotou Afogados há 4 décadas e digo que é um dos maiores divulgadores desta terra por aí afora. Mas o que eu quero dizer mesmo é que estou escrevendo um livro sobre o poeta. Tá batizado de João Paraibano em vida e verso. O “vida” neste caso tem o sentido de abordar aspectos interessantíssimos da vida de João e de o fazer com o personagem ainda vivo. Tem muita homenagem pra quem já morreu. João precisa ser reverenciado ainda vivo. Eu tô fazendo a minha parte e aceitando ajuda. Pode mandar fotos, versos, causos, convite para cantoria, pitaco, gosto ruim, tira gosto e cachaça que é pra inspirar nós.


E no forró?


Já no forró a novidade é Lindomar que tá lançando um CD. Dizer que tá bom não vai ser surpresa pra quem conhece o rapaz. Repertório bem cuidado, alguns clássicos da boa música e trabalhos inéditos. Eu sempre gostei desse tipo de receita. Vale a pena conferir urgente. Procure por aí que você acha. E tem mais, num é pra ouvir só nesse tempo de São João, não viu!


A quem interessar possa


Aí eu fiz uns versos outro dia meios desaforados. Guardei pra mim. Agora mês passado resolvi botar na minha página na Internet (tu já visitou, num já? www.culturaecoisaetal.blogspot.com) e teve gente que gostou. Uns vieram me perguntar a quem era que eu tava me dirigindo. Ôche, que povo desconfiado! Num tão vendo que é a quem interessar possa?


Cachaçaria Matulão


No tempo que morava no Recife, todo sábado de manhã eu tinha compromisso no Mercado da Boa Vista. Madrugava pra chegar cedo, mas num tinha jeito, Marcos Cocada sempre era quem abria o bar junto com o dono, o Mário, cabra que falava explicado e xiado. O nome do bar? O Escritório. Aloísio Arruda, Paulo Adriano, Júnior Finfa, Welson eram outros que não faziam falta por lá, só pra lembrar de alguns. Pois é, mas novesfora o saudosismo, quem tá dando as cartas por lá agora é Jorge Filó com sua Cachaçaria Matulão. É música, é poesia, prosa e, claro, cachaça. Não fui ainda, mas num passa desse mês eu chego lá. Se puder ir antes de mim, vá. Para conferir antes de ir acesse: http://www.nopedaparede.blogspot.com/.


Êita, Furiba véi!

Essa quem me contou foi Severino Pereira, hospedeiro de João Furiba, dia desses. Depois de arrodear-se de umas jovens numa mesa de bar em Tabira e de vê-las distanciar-se após saciadas, restou a João só a conta por companhia. Vendo o velho cantador de cara feia, um colega perguntou se a brincadeira tinha sido boa. João, que nunca botou uma raiva pra fora, disse sorrindo: - As bicha come mais do que pedra de amolar e bebe que só arco-íris... quase se acaba eu e o bar duma vez só.

E dali João entrou direto num carro de estudantes universitários que se dirigia a Patos. Uma moça sem conhecê-lo, teceu o comentário: - Tanto jovem preguiçoso e um homem dessa idade estudando! Aí perguntou: - O senhor tá fazendo o quê? E João em voz alta: - Economia. A moça: - Termina quando? E João: - Quando chegar em Patos. Chegando lá eu tenho economizado a passagem.


Té logo


E por hoje eu vou ficando por aqui. É que passei umas três edições sem escrever aí me cansei. Até pensei que a turma do jornal não ia querer me ver mais por aqui. Quiserem. Aí eu digo feito os Demônios da Garoa: Deus é bonzinho pra nós, né! Fazer o quê?

 
 
 
 
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