Pia como vai ser o 6º Pajeú em Poesia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

PROGRAMAÇÃO
 
1. Show de Canções com Adelmo Aguiar e Denilson Nunes (o melhor do repertório deles e d'Os Nonatos)
2. Roda de Glosas com 14 poetas de todas as idades, homens e mulheres

3. Show de Canções com Zé Viola, um dos maiores cancioneiros do Brasil

4. Rosário de Versos com declamadores do Pajeú e do Moxotó

5. Cantoria de repente com participações de Zecarlos do Pajeú e João Paraibano

6. Tudo em homenagem a Zé Adalberto, o gênio vivo de Itapetim


Justiça Federal condena INSS a indenizar cordelista em R$ 10 mil

Do Blog do Magno













A Justiça Federal em Pernambuco (JFPE) condenou, na última quarta-feira (18), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a indenizar em R$ 10 mil o cordelista Davi Teixeira da Silva, de 54 anos, por danos morais. Em setembro deste ano, o juiz federal titular da 3ª Vara Federal, Frederico Azevedo, já havia liberado o cordel “A lei da previdência para a aposentadoria", censurado pelo INSS.

Na decisão de quarta-feira, o magistrado constatou a presença de dano moral quando o artista foi constrangido a modificar o teor do cordel, em reunião realizada em abril, na Procuradoria Regional Especializada do INSS (PRE/INSS). “Do modo como ocorreu a reunião, com três procuradoras federais e uma servidora de um lado, e do outro, um humilde cordelista, depreende-se que o convite foi, sim, para constrangê-lo a modificar o teor de sua obra, sob ameaça de ser instaurada ação contra ele”, fundamentou.

O magistrado complementa que caso o encontro fosse amistoso, o artista não teria recorrido ao Poder Judiciário. “Causa estranheza o fato de uma reunião meramente informativa ter confecção de ata, sem assinatura do cordelista e assinada apenas por duas procuradoras federais, na qual Davi Teixeira da Silva assumiu o compromisso de mudar, justamente, os pontos do cordel depreciativos à imagem do INSS, e isso em um prazo de 90 dias. Se o INSS jamais teve intenção de coagir o cordelista a mudar o texto do cordel, qual a razão de estabelecimento de prazo para a retificação da obra, justo nos pontos desinteressantes à autarquia?”, enfatizou.

Caso – Natural de Bezerros, no Agreste de Pernambuco, o cordelista Davi Teixeira da Silva vende seus cordéis desde 2005, em bancas de revistas, feiras e lugares públicos do estado. O Grupo de Proteção do Nome e Imagem das Autarquias e Fundações Públicas Federais adquiriu um exemplar do cordel citado acima e viu na obra “conteúdo depreciativo à imagem do INSS”. A partir disso, a PRE/INSS realizou audiência com o artesão, com o intuito de fazer o artista modificar sua obra.
Davi alterou a obra, mas apesar disso, entrou com ação na Justiça Federal por estar insatisfeito em ver seu cordel modificado e proibido de circular. Em setembro, o magistrado federal Frederico Azevedo liberou a circulação da obra, enfatizando que não se deve “vedar a livre circulação do folheto levando em consideração a livre manifestação de pensamento existente em um Estado Democrático de Direito como é o Brasil”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


Clã Brasil & Sivuca - Feira de Mangaio

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013



     Em 2004, quando voltei para Afogados da Ingazeira, apresentei um programa na Rádio Pajeú, nos sábados à tarde. Pela diversidade do programa, o nome era Feira de Mangaio. A música tema, claro, tambem era Feira de Mangaio, este destaque entre as maravilhas musicais brasileiras. Encontrei agora este vídeo e relembrei de tudo.

Arraes e os artistas

domingo, 15 de dezembro de 2013

Copiado do Blog do Magno

* Ítalo Rocha Leitão

O baixinho Antônio Gonçalves da Silva estava recolhido à solidão da sua modesta casa, na Serra de Santana, no pobre município de Assaré, no Sertão cearense, quando o carteiro bateu à porta com uma correspondência que mudaria a sua vida.
          Aquele pequeno homem, de apenas um metro e meio, viria a ser conhecido depois em todo o  País como “Patativa do Assaré”. O remetente daquela correspondência era um jovem de 32 anos de idade chamado Miguel Arraes de Alencar , então secretário da Fazenda do Governo de Pernambuco, na gestão de Barbosa Lima Sobrinho – seu primeiro cargo público.
       Na correspondência, Arraes, sabedor do talento e das dificuldades financeiras do artista, destinava ao conterrâneo uma viola. E foi com esse instrumento que Patativa do Assaré tirou o sustento da família e criou seus onze filhos. Esta viola está exposta até hoje no memorial do artista, construído pelo Governo do Ceará. 
    Essa ligação remota de Arraes com os artistas o acompanhou durante toda a sua trajetória política. Eleito prefeito do Recife, em 1959, criou o MCP, o Movimento de Cultura Popular  que educou jovens e adultos pobres e ajudou a revelar talentos artísticos, como José Wilker, nas artes cênicas, Carlos Fernando, na música, e Wellington Virgolino, na pintura. 
        Ainda como prefeito, Arraes baixou um decreto que abriu o mercado para as artes plásticas até hoje: desde àquela época, todo edifício é obrigado a instalar na sua parte frontal uma obra de arte.
      Em alguns dos seus discursos de posse em cargos públicos,  Arraes sempre fez questão de encerrá-los com citações poéticas.  Na primeira vez em que assumiu o Governo do Estado,  em 31 de janeiro de 1963, concluiu seu pronunciamento  citando o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade: "Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo".
       Cassado pela Ditadura Militar logo após o Golpe de 1964, Miguel Arraes e a família amargaram um longo exílio de 15 anos na Argélia, no continente africano.
        Pouco tempo depois do retorno, foi eleito mais uma vez para ficar à frente dos destinos de Pernambuco e encerrou seu discurso de posse, no dia 15 março de 1987, recorrendo aos versos do poeta pernambucano Joaquim Cardozo: "Sou um homem marcado, mas essas marcas temerárias, entre as cinzas das estrelas, hão de um dia se apagar".
       As músicas das campanhas de Arraes ficaram para sempre na memória da população pernambucana. Em 1986, “Ele está voltando”, música de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, teve uma versão eleitoral feita pelo jornalista Aluízio Falcão.
          E o frevo “Fogão”, composto em 1953 por Sérgio Lisboa, foi exaustivamente tocado nos comícios de Arraes; “Arraes, Arraes, Arraes...em 86 só vai dar Arraes”. Sem falar no jingle criado por Zé da Flauta “Arraes taí” – incorporado por tudo quanto é orquestra de bairro dos municípios da Região Metropolitana do Recife e do Interior.
      Não podemos esquecer também de Alceu Valença, “O velho é novo e o novo é velho”, numa alusão à disputa de Arraes com Zé Múcio. E ainda do poeta Zeto do Pajeú, que emprestou sua voz aos versos que ecoaram para todo Pernambuco demarcando a volta de Arraes do exílio: “Volta Arraes ao Palácio das Princesas, vai entrar pela porta que saiu”.  

*Jornalista

Olha que lapa de encontro: Maciel Melo, Bia e Zeto

sábado, 14 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013


Não se brinca com matuto

      Essa, dizem, que aconteceu no gabinete de um prefeito de uma cidade do interior de Pernambuco. O ano não se sabe. Mas não foi em tempo de gente viva, não. Bora ver como foi:

        O caboco entrou no gabinete do prefeito a passos lentos, amassando um bonezim surrado pelo tempo. Senta de frente pro prefeito e diz com a voz baixa de matuto pedindo as coisas:
      - É que eu tô construindo uma casinha e vim aqui pra mode o senhor arrumar uns três saco de cimento pra eu.
      O prefeito com a mão no queixo e já prevendo o que ia escutar, respondeu em cima do bucha:
       - Olhe, moço! Eu tenho 12 casas nessa cidade e nunca pedi um saco de cimento a ninguem!
      O matuto, simples e natural como ele só, tambem foi em cima da bucha e referindo-se à prefeitura disse:
     - Ah, doutor, eu com uma bichinha dessa na mão, eu tambem num pedia, não.

      Dali em diante se ouviu um tapa na mesa, o prefeito gritar "O quê, seu cabra!" e passarem os dois correndo pelo corredor em direção à porta de saída.
     Como o matuto era corredor, deixou o prefeito pra trás e essa história pra gente rir.

Convocação para o Encontro Nordestino de Xaxado 2014

A Fundação Cultural Cabras de Lampião, informa a todos os grupos de Xaxado do Brasil, que tenham interesse em participar do ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO 2014, já podem enviar seu material:

(01) Breve histórico do Grupo e/ou Cia;
(02) Release do espetáculo;
(03) 05 Fotografias do espetáculo (em alta resolução e formato JPEG) para o endereço: ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO - Museu do Cangaço - Estação ferroviária, s/n – CPE: 56.903-170 - Serra Talhada/PE - Centro. Ou pelo e-mail cabrasdelampiao@gmail.com

Apoio à cultura pelo BNDES

 



Edital para patrocínio a eventos culturais em 2014.
Inscrições vão até o dia 18 de dezembro.
Acesse www.bndes.gov.br

6º Pajeú em Poesia

              Adelmo Aguiar e Denilson Nunes vão fazer um show de canções e receber o poeta Zecarlos do Pajeú para alguns improvisos. Depois, 12 poetas vão compor a Roda de Glosas e o cantador Zé Viola assume o palco para apresentar o melhor de seu repertório. Aí é a vez do cantador João Paraibano levar seu repente ao público do 6º Pajeú em Poesia. Toda a programação será ainda pontuada pela participação de vários declamadores e declamadoras. E viva a Poesia!
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dominguinhos chegando no céu

domingo, 8 de dezembro de 2013

Por Luiz Gustavo Oliveira - Campina Grande - PB
Enviado por João Alderney
 
        -"Manda chamar São Pedro ai menino", avisa um senhor
robusto de passo vagaroso e sorriso tímido ao anjo que o recebe
na portaria do céu. E o anjo, tomado pela surpresa do pedido,
emenda sem muita convicção. -"São Pedro essa hora está
dormindo!"
           E o homem de gestos lentos e voz baixa, com sua sanfona
do lado não perde tempo: -"Eu  sabia. Só pode estar dormindo o
santo, com tanta seca no Sertão!"
         -"Pois me diga uma coisa, meu filho, onde é que fica aqui o
pessoal do forró, do baião, do xote, do xaxado, do pé de serra? 
         E o anjo já irritado já com tanta perguntação, dispara: 
         -"O senhor pegue sua sanfona e entre tocando do mesmo
jeito que fez a vida toda e eles vão reconhecer na hora pois pra
tocar como o senhor, aqui nunca chegou ninguém."
           E assim, querendo agradar, Seu Domingos aprumou sua
velha companheira e emendou sua cantiga mais linda:

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço,
E toda essa minha vontade. 
Que bom, poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim, tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você vez em quando. 
Parece que falta um pedaço de mim.
Me alegro na hora de regressar,
Parece que eu vou mergulhar, 
Na felicidade sem fim... 
         Seus olhos brilhavam, a medida que os amigos de tantos
anos iam aparecendo.
         Veio Jackson com um pandeiro na mão acompanhando a
toada. Deu um abraço e disse: - “Tamo junto. Hoje o côro vai
comer" 
          Veio Patativa do Assaré com um maço de papel rabiscado
e emendou: - "Não vinha simbora não homem? Olha o tanto de
letra pra você botar musica."
          Veio Marinês com uma chinelinha rasteira e não perdeu
tempo: -"Até que enfim, Neném! Pensei que tú não vinha mais.
Termine logo essa ladainha que eu quero matar a saudade de
tocar um xote contigo".
          Addias na sua sanfona de oito baixos rasgava solos de
arrepiar as penas dos anjos que se aproximavam pra ver aquela
"confusão" que se formava na entrada do céu.
          Um sujeito de uma brancura que doía nos zóio puxou
também seu fole que logo Dominguinhos reconheceu. Com uma
deferência sanfonada, abraçou o velho amigo: - "Se achegue,
mestre Sivuca. Eu lhe disse que a gente ainda se encontrava".
         E assim, tantos outros grandes mestres da musica popular
nordestina. Tantos amigos, tantos companheiros desses longos
anos de estrada.
         O forró começou e era uma música atrás da outra. -"Eita
forró bom como o diabo.", gritou Dominguinhos. 
         Pra quê? Os amigos quase que em coro advertiram:
-"Hôme se ajeite no linguajar que você tá no céu. Aqui não se
fala no coisa ruim". 
        Dominguinhos deu aquela sua risada macia que lhe é
característica. -"Oxe, e é mesmo né? Pois tá combinado."
        Com meia hora de forró, Dominguinhos olhava pra um lado
e pro outro como que procurasse alguém que ainda não tinha
dado as caras naquela animação. Todos já sabiam de quem se
tratava mas como já estava tudo combinado, faziam de tudo pra
aumentar  ainda mais o suspense. A esta altura, já faziam parte
da plateia em deleite, um milhão de anjos e querubins, Santa
Luzia, São Pedro (ainda com uma cara de sono bem dormido) e
São João que não podia faltar depois de tantos anos vendo o
velho sanfoneiro tocar em suas festas. Até o Todo Poderoso
mandou seu filho na frente pra avisar que esperassem ele chegar
pra presenciar o grande encontro. Apesar de toda sua
onipresença, esse encontro ele fazia questão de ver com os
próprios olhos.
         Foi então que, chegando de mansinho por trás, o velho
amigo pousa a mão no ombro do sanfoneiro de Garanhuns, que
numa alegria que não se via há anos, puxava os versos animados
de:

Olha! Que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha! Quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai...

     Dominguinhos não precisou nem virar. Reconheceu o amigo
pelo cheiro. Aquele cheiro. Aquele cheiro bom. Aquele cheiro lá
das bandas do Exú.
      E nesse instante, o céu se alumiou ainda mais e se cumpriu a
Prece a Luiz escrita por Dominguinhos anos atrás e cantada
agora entre um longo abraço e lagrimas de saudade e alegria
pelo reencontro. 
Prece a Luiz
Por Dominguinhos

Se Deus me desse outra vida
Além dessa que vivo
Iria viver de novo pertinho de seu Luiz
E aprender outra vez, os segredos da sanfona
O canto de amor a terra e esse apego ao chão
Se Deus me desse outra vida 
Gastava ela na estrada
Varando noites a fio
Fazendo o povo dançar
Só queria teus abraços pra descansar da sanfona
Depois de nela tocar, o mais bonito baião
Pois Asa Branca, na vida triste do povo
Para o nordeste alegrar trazendo amor e paixão
Légua tirana deixa distante do povo
Seca martírio e miséria trás alegria ao sertão
Faço uma prece ao Luiz
Peço pra me iluminar
Que eu não esqueça a raiz do rumo do meu cantar
          E as lágrimas que caiam dos olhos de Dominguinhos, do
Gonzagão e de todos aqueles que ai estavam carregaram as
nuvens do céu e depois de tantos dias, choveu no Sertão do
Brasil.
    
" A imaginação é mais importante que o conhecimento "

Do site do Almanaque Brasil


Origem da expressão "Vá se queixar ao Bispo"


No século 17, ter filhos no Brasil era algo primordial. A Igreja até incentivava que as moças ficassem grávidas antes de subir ao altar, para comprovar que o homem era fértil – desde que depois o casamento se consumasse. O que acontecia, porém, é que muitos homens sumiam após os primeiros namoros. E as mulheres, o que faziam? Iam se queixar ao bispo, que mandava alguém atrás do noivo fujão. Da prática teria nascido a expressão usada até hoje.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


Severino Feitosa e Diomedes Mariano - Poeta é flor sacudida / Nos braços da tempestade

A Natureza pasmou - Bocage

A mãe, que em berço dourado
Pôs teu corpo cristalino,
É superior ao Destino,
Depois de te haver criado.
Quando Amor, o Nume alado,
Tua infância acalentou,
Quando os teus dias fadou,
Minha Lília, minha amada,
A mãe ficou encantada,
A Natureza pasmou.

Deve dar breve cuidado,
Motivar grande atenção,
A um Deus a criação,
Depois de te haver criado.
Deve de ser refinado
O engenho que ele mostrar
Desde o ponto em que criar;
Cuide nisto a onipotência,
Porque, ao ver a sua essência,
A Natureza pasmou.

Ao mesmo Céu não é dado
(Bem que tanto poder goza)
Criar coisa tão formosa
Depois de te haver criado.
Naquele instante dourado,
Em que teus dotes formou,
Apenas os completou,
Arengando-lhe o Destino,
Em um êxtase divino
A Natureza pasmou.

O Céu nos tem outorgado
Quanto outorgar-nos podia;
O Céu que mais nos daria
Depois de te haver criado?
Ninfa, das Graças traslado,
Ninfa, de que escravo sou,
Jove em ti se enfeitiçou,
Cheio de espanto e de gosto,
E absorta no teu composto
A Natureza pasmou.

O teu rosto é adornado
Dos prodígios da beleza;
Foi um deus a Natureza
Depois de te haver criado.
Pôs em teu rosto adoçado
O que nunca o Céu formou;
Ela a Jove envergonhou
Nesse deleitoso espanto,
E de ter subido a tanto
A Natureza pasmou.

Todo o concílio sagrado
Do almo Olimpo brilhador,
Subiu a grau superior
Depois de te haver criado.
Da meiga Vénus ao lado
O teu ente a nós baixou,
Ente que Jove apurou,
Ente de todos diverso;
Assombrou-se o Universo,
A Natureza pasmou.

Porque Boldrin faz um bem danando pra nós!


Lá em São Joaquim da Barra (lá venho eu com minha terra de novo), tinha o Abílio Estori. Muitos inventaram causos da miserabilidade dele. Quando a gente fala em miserável, é aquele camarada que não rói a unha porque dói. É aquele que, de graça, não dá nem bom dia...etc. e tal.

Sobre o tal Abílio, chegaram a contar dele uma escabrosa. Imaginem os senhores que contam por lá que, um certo dia, o nosso personagem estava com dor de cabeça. Naquela época, era comum tomar o famoso Melhoral para qualquer dor.

Então, isso posto, conta-se que o Abílio, estando com dor de cabeça, teria amarrado na ponta de uma linha bem fina de costura um comprimido de Melhoral. E tomado o comprimido em seguida com um gole de água. Assim que a dor de cabeça passou, o Abílio teria puxado pra fora o Melhoral, para guardá-lo para outra ocasião. Outra dor. Era muito econômico o nosso querido Abílio.

Outra atribuída a ele era nos tempos da bicicleta motorizada. Aquelas que tinham um motorzinho no cano central. Pois bem. Contam que ele descia a rua principal que era um pouco declinada, com o motorzinho ligado, fazendo aquele barulhinho característico de motor...brrr....brrrrrrr...De vez em quando (dizem), o Abílio desligava o tal motorzinho e substituía o seu barulho característico por um ruído igual, só que feito pelos lábios, pela boca... brrrrr... brrrrr...Era muito econômico o nosso Abílio.

Agora, pra encurtar nossos causos, aqui vai uma do saudoso Pedro Chediac, que dizem era muito miserável também. No bom sentido da nossa lembrança querida desse personagem histórico da minha terra.

Pois bem. Lá vem o sêo Pedro numa caminhonete na estrada. Ao ver um caboclo na bêra do caminho, como quem pede carona, este sêo Pedro toma a iniciativa de parar o veículo e oferecer (vejam só) a tal carona.

PEDRO – Pra onde o senhor está indo, amigo?
CABOCLO – Pra fazenda do Lageado, moço.
PEDRO – Entre aqui, que eu lhe levo até o seu destino.
CABOCLO – Obrigado, cidadão... Muito obrigado pela gentileza.

O caboclo subiu na caminhonete. Prosa vai, prosa vem, que lá na minha terra se gosta muito de prosear, o sêo Pedro de repente diz ao caboclo:

PEDRO – O senhor por acaso já me conhecia?
CABOCLO – Só de vista, moço.
PEDRO – Pois eu me apresento. Sou muito conhecido por essas bandas. Meu nome é Pedro Chediac.

O caboclo faz um ar de quem já ouviu falar do sêo Pedro Chediac.

PEDRO – Pois então. Veja o senhor que, na minha cidade, dizem que sou muito miseráve. Mas é intriga. Pois eu mesmo não lhe ofereci carona, agora mesmo? Intão. Eu não sou miseráve nada. Eu sou muito bom. Veja bem: sou uma pessoa tão dadivosa...portanto, não sou miseráve, que isso fosse verdade.... eu quero que, por um castigo, uma jamanta dessas bem grandes e pesadas passe por cima de nóis dois, agora mesmo. Neste instante.
CABOCLO (no ato) – Ô moço! O sinhô qué fazê o favô de encostá a sua caminhonete... Eu quero apeá... agora mesmo. Bem depressa!!!


Por Rolando Boldrin

 
 
 
 
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