Em Santa Cruz da Baixa Verde

terça-feira, 27 de maio de 2014

    Outro dia foi Santa Cruz da Baixa Verde - PE. Uma turma compunha uma Mesa de Glosas para um grupo de alunos, enquanto eu ministrava uma oficina sobre cordel para dois outros grupos. Ao ficar livre fui assistir à mesa e acabei convidado para uma rodada final, com um mote sugerido pelo público e aperfeiçoado pelo mestre Dedé Monteiro. Eu disse:

Sou poeta e escritor
Declamo, improviso e canto
Só nunca fui, nem sou santo
Porque nasci pecador
Estou sendo professor
Para a arte ir à frente
E quando o tempo consente
Dou amor e sou amado
Sou vaqueiro apaixonado
Correndo atrás do repente

Pássaro Cativo - Olavo Bilac


Em Tabira

     Dia 24/05 participamos de uma Mesa de Glosas, em Tabira. O evento integrou as comemorações pelos 65 anos de emancipação política do município. Bons momentos ao lado Genildo Santana, Dimas Feitoza, Zé Adalberto, Genildo Almeida, Dudu Morais, George Alves e Lima Júnior, tudo intermediado por Welington Rocha.
     Gislândio Araújo, que tava na plateia, disse que gostou quando eu me sai com esta:

Quem vai pro sul maravilha
A trabalho ou a passeio
Se sente vazio e cheio
Da solidão que humilha
Se sente como uma ilha
No meio de um mar de gente
Pra não morrer indigente
Volta pro seu natural
Quem volta ao torrão natal
Mata a saudade que sente

Mas tambem teve essa:

Um mais velho nos ensina
Que ano de 4 é bom
E veio da chuva o som
Que acordou a campina
Hoje água do chão mina
E quem não acreditou
E um São José roubou
Pode botá-lo em seu canto
Roubei tudo que era santo
E o inverno voltou

E essa:

A cana é quem me socorre
Quando a saudade agonia
Disso achei que não morria
Mas hoje sei que se morre
Uma lágrima quando escorre
Outra vem, outra derrama
Peço pra ser minha dama
Ela diz: nem por favor
Eu peço esmolas de amor
Para alguém que não me ama

E outras que o juízo não guardou, certamente pela má qualidade delas.


Recomendável

CAPA_100 DUVIDAS
O título do livro fala por si só. Mas não diz tudo. Na verdade, são mais de 100 dicas da nossa Língua Portuguesa, todas apresentadas em estrofes de sete linhas formadas por versos de sete sílabas. A forma mais tradicional da Literatura de Cordel. Uma parceria entre dois poetas cearenses: Geraldo Amancio, repentista consagrado, comemorando seus cinquenta anos de carreira, e Marcos Mairton, que em 2015 completará dez anos da publicação do seu primeiro cordel. A introdução da obra dá o tom do que vem em toda a sua extensão:

Este cordel mostra um pouco
Das regras gramaticais
Faz correção de verbetes,
Singulares e plurais,
Substitui no geral
O uso coloquial
 

Por situações formais.
Não pretende ser um livro
De cunho extraordinário,
Porque, em sendo cordel,
Tem seu próprio itinerário,
Obra espontânea e poética,
Não segue ordem alfabética
Para não ser dicionário.


Ilustrado por Alexandre Mastrella. Ensinamento Editora, Brasília, 2014. 128 p.; 15 x 22 cm. ISBN 978-85-8190-047-6

VALOR: R$ 30,00 + Frete

Olha aí, que boa parada


Olha o recado poético de Márcio Rocha em tempos de Copa do Mundo no Brasil

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Em meio ao caos do nosso País e a iminência da Copa do Mundo fiz esses versos como maneira de alertá-los sobre o fato de que vencer uma Copa do Mundo não mudará o cenário do nosso País. A minha Copa do Mundo é por um Brasil melhor!!!

Carta à Seleção Brasileira

Mês de junho tem copa no Brasil
Meu País é palco do mundial
Isso até que podia ser legal
Se a pátria ainda fosse mãe gentil
Porém minha alegria desistiu
Depois de ver tamanha roubalheira
Triplicando dinheiro pra empreiteira
Fazer estádios superfaturados
Enquanto brasileiros são chutados
Pra escanteio por toda essa sujeira

Me desculpem, Ronaldo e Parreira
Julio César e o Davi Luiz
É que já não dá mais ver meu país
Ser tratado como uma brincadeira
Todo dia é jogado na lixeira
O futuro de um bebê inocente
Que se fosse escalado como gente
Nos gramados da boa educação
Com certeza seria um campeão
E eu iria torcer bem mais contente

Eu sei que a seleção é inocente
No que diz respeito à corrupção
Mas não dá pra ter comemoração
Num país sem governo transparente
Brasileiro escalado pra indigente
Esquecido em corredor de hospital
Enquanto acontece um carnaval
Com os impostos da massa brasileira
Que trabalha e sequer tem cadeira
Pra sentar na rede educacional

Nessa copa eu vou ser torcedor
De uma melhor imagem nacional
Da saúde e assistência social
Do respeito a qualquer trabalhador
Do salário mais justo ao professor
Ao militar e a qualquer cidadão
Que trabalha pra comprar seu feijão
Na labuta suada o dia inteiro
Vou pra rua com o povo brasileiro
Mas não vou pra o estádio Felipão

Me desculpe caro amigo Neymar
Mas essa é minha humilde opinião
Vou vestir a blusa da seleção
Vou pra rua com o povo protestar
Quero ver o meu Brasil levantar
O troféu da mudança, essa é a vez
Pois já não dá pra viver no talvez
Do pão na mesa do trabalhador
Lute por nos Neymar, mas por favor
Não nos peça pra torcer por vocês...


Autor: Márcio Rocha.

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