Cinema e poesia no São João de Iguaracy

sexta-feira, 24 de junho de 2016



Além de forró, as festividades juninas em Iguaracy – PE neste sábado (25/06) contarão com sessão de cinema e apresentações poéticas. É o CineClube do Verso que se instala na cidade, na Praça Antonio Rabelo, centro, a partir das 19 horas.
O público poderá escolher os filmes que serão exibidos a partir de uma lista contendo três curtas e três longas metragem (ver arte). A sessão conta ainda com debates sobre cinema e cineclubismo e com apresentações dos repentistas Diomedes Mariano e Adelmo Aguiar mais convidados. Também estão confirmadas as participações dos poetas Wellington Rocha e Alexandre Morais, que também é produtor do Cineclube.

Amélia

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Imagem copiada de: https://dedindeproza.wordpress.com/2012/05/28/as-mulheres-de-30/

            Não sei se Amélia é mulher de verdade. Verdade só se conhece de perto. E Amélia só passa longe. Como ela passa longe, mesmo quando perto. Não olha, não faz que olha e faz que não sabe que tá sendo olhada.
            Mas mulher eu sei que é. Porque é muito mulher. Com ela é mulher! Em passos, em gestos, em corpo, em cabelo, em cheiro (cheiro se sente de longe, né?), em roupas... Ah, em roupas ela é muito mulher. Talvez as roupas são o que a fazem tão mulher. Tenho quase certeza que são as roupas.
            É que são roupas, tipo, segunda pele. Ou tipo, melhor pele. Porque as roupas de Amélia desenham ela melhor que sua própria pele. Desenham, sim. Nunca vi Amélia em pele, mas sei que a roupa lhe faz melhor. Roupa de mulher não é assim?
            E se são aquelas roupas de academia? Aí é que o desenho vai além do real. Pois é assim que Amélia passa sempre. Sempre mesmo. Porque ela passa e fica. Fica em passos, em gestos, em corpo, em cabelo, em cheiro... principalmente em cheiro. Mas principalmente em roupas. Porque as roupas é que despertam todas as outras sensações.
            Amélia é assim. Tem jeito de sempre. Amélia é a representante das moças das academias de toda a cidade. E como tem academia na cidade por esses tempos, já percebeu? E como tem clientes para tantas academias. Fico me perguntando: será que todas vão mesmo às academias? Acho que não.
            Tiro isso por Amélia. Não que ela não vá. Ela vai, eu sei. Mas Amélia faz uma hora de academia e passa o resto do dia desfilando pelas ruas. Amélia não vai à academia mais perto de casa. Nem à mais barata. Nem à mais equipada e acompanhada pelos melhores profissionais. Ela vai à mais distante de casa porque só assim ela pode atravessar toda a cidade, indo e voltando, indo e voltando... assim, sempre indo e voltando. Sempre Amélia.

            A cidade fica cheia de Amélias. De todas as idades. De todos os corpos. De todas as roupas... Mas Amélia não é mulher de verdade. Agora eu sei. Amélia tem muita vaidade.

 
 
 
 
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