terça-feira, 12 de novembro de 2019

novembro 12, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários

domingo, 10 de novembro de 2019

Mancha negra

novembro 10, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários

Por Maciel Melo
 

    Eu preciso dizer algo sobre tudo que mata, sobre tudo que maltrata a vida e alimenta a morte.
    Eu preciso dizer qualquer coisa que desengasgue o meu repúdio e tire de mim a repugnância do vil-metal.
    Mas quando abri os olhos, hoje, um poeta, parceiro, e amigo já havia dito; e preferi fazer minhas a suas palavras.
    Então leiam o que o poeta Virgílio Siqueira disse:
 

NÓDOAS AO MAR

Manchas que se esgueiram pelo mar
Sem se anunciarem de onde vêm
De quem são; pra onde iriam
Regurgitadas; se alastram e vêm pelas águas
Em compostos de estranha matéria
De pervertidas entranhas
Falso canto de sereia
Envasados em tonéis de engodo
Que, em contato com a vida, mata ou definha
Essa nódoa é do que vem do âmago da Terra
O que seria pra mover os sonhos
Vira mancha e os ferra
Com fórmulas químicas letais
Espalham nódulos na fímbria da praia
Depois do sufocamento das algas e dos corais
As manchas são o que vem do âmago da Terra
É o que abjeta os desejos dos homens
(É o combustível das guerras)
Cerne dos martírios do mundo
O que enriquece uns tais e mata vários
Bendito e maldito magma; morte dos aquários
Desde o fundo mar, puindo a malha das ondas
Até aqui, onde o quebra-mar estronda
Contra a ignomínia dos boçais
Quem chorará sobre o óleo derramado
A matéria-prima do que move o mundo
E gira a infâmia desse vil mercado?
De onde vem o óleo
Que alimenta o ódio
Substrato insidioso e desejado?

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Lançado edital para autores do Pajeú

outubro 17, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários



            Foi lançado hoje (16) o 1º Edital de Publicação do Conselho Editorial do Pajeú. Em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, o objetivo é a publicação de dois livros e dez cordéis. O prazo, no entanto, é curto. As inscrições devem ser feitas até o dia 24 de outubro próximo, presencialmente na Secretaria de Cultura de São José do Egito ou através do email conselhoeditorialdopajeu@gmail.com.
               "Estamos contatando as secretarias e órgãos de cultura dos municípios do Pajeú para que possam auxiliar na divulgação e inscrição das obras. A previsão é lançar os livros e cordéis em janeiro", diz Isabelly Moreira (foto), presidente do Conselho.
            A Cepe assegurou a doação de 500 exemplares das obras selecionadas aos autores e a distribuição em toda rede de bibliotecas públicas estaduais de Pernambuco. Podem concorrer escritores naturais do Sertão do Pajeú ou que residam na região há pelo menos cinco anos. Mais detalhes no próprio edital ou no fone/whatsapp 87 9 9955 3445.

Agreste respira arte contemporânea na 2ª Bienal do Barro

outubro 17, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários





   De 17 outubro a 15 de novembro, Caruaru receberá a 2ª Bienal do Barro. A mostra, idealizada pelo artista Carlos Mélo, com o tema “Nem tudo o que se molda é barro” acontecerá no Galpão da Fábrica Caroá e no Sesc Caruaru. Evento reunirá 16 artistas de todo Brasil, convidados pela curadoria de Márcio Harum. A realização e produção é da Jaraguá Produções fomentado pelo Funcultura, Sesc e Prefeitura de Caruaru. A bienal que teve sua primeira edição em 2014, gera um potente campo de condições para o resgate do barro, como símbolo cultural da região, e através desse AGRESTE/RESGATE a retomada da força telúrica, de um território considerado celeiro de produção artística.
    Carlos Mélo explica que a Bienal do Barro se consolida como um projeto inédito no país e de flexão entre a arte popular e a arte contemporânea, através de ações educativas. “O intuito é gerar novas plataformas de produção artística, em uma região como o Agreste pernambucano, até então, fora do circuito da arte, cuja tradição e a produção de sentido se constituem através do barro e que vem sofrendo com a falta de políticas culturais, incentivo e fomento de outras linhas de ação para a preservação do patrimônio cultural”, reitera o idealizador.
    O curador da bienal Márcio Harum destaca que a intenção é perpetuar o evento pelos próximos anos para que a discussão sobre a produção artística do Agreste não se acabe. Ele, que é coordenador do programa educativo no Centro Cultural Banco do Brasil (São Paulo), selecionou 16 artistas que utilizaram o barro como suporte artístico para ecoar a arte contemporânea em várias plataformas (performances, intervenções artísticas e espaciais, esculturas, objetos, vídeos e arte sonora). “O visitante fará um mergulho em espaços históricos como o pavilhão da Fábrica Caroá, um galpão da década de 1930, que já foi uma grande potência econômica para a cidade”, observa. A abertura será nesta quinta-feira as 18h, com performance inédita de Flávia Pinheiro.

    A mostra contará com instalações e performances de Alan Adi (Aracaju, SE), Amanda Melo da Mota (Recife, PE),, Aline Motta (São Paulo, SP), Flávia Pinheiro (Recife, PE), Isabela Stampanoni (Recife, PE), Jared Domício (Fortaleza, Ceara), Júlio Leite (Campina Grande, PB), Sallisa Rosa (Goiânia, GO), Zé Carlos Garcia (Aracaju, SE), Aline Motta (São Paulo, SP), Conceição Myllena (João Pessoa, PB), Cristiano Lenhardt (Recife, PE), Denilson Baniwa (Rio de Janeiro, RJ), Renata Felinto (São Paulo, SP),Matheus Rocha Pitta (Tiradentes, MG), Paulo Meira (Arcoverde, PE), Claudineide Rodrigues e Virgínia de Medeiros (Feira de Santana, BA).

Programação
2ª Bienal do Barro do Brasil
Terça a domingo
Das 9h às 17h
Acesso: Gratuito

Núcleo Contemporâneo / Programa Educativo
Data: 17 de outubro a 15 de novembro
Horário de visitação: 9h às 17h terça à Domingo.
Local: Fábrica Caroá
Endereço: Praça Coronel José de Vasconcelos, número 100
Programação: Toda quinta-feira as 15h, haverá rodas de conversas com convidados sobre arte e a bienal – sexta-feira curso semente – sábado atividades artísticas de atelier – terça a domingo visitação.

Cida Pedrosa lança livro em seu aniversário

outubro 17, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários


   “Você que vem, venha com tempo e ouvido atento, que a viagem é em distância e fundura”, convida o prefácio do livro Solo para vialejo, da poeta Cida Pedrosa, editado pela Cepe. Em 128 páginas, um longo poema épico-lírico se inicia versando sobre um percurso que segue do litoral para o Sertão. Foi lá, mais precisamente em Bodocó, que Cida nasceu. Mas será no Recife, dia 18 de outubro, que ela celebrará seu aniversário com o lançamento da nova obra, na Venda Bom Jesus, às 19h. Durante o lançamento, as cordelistas Susana Moraes e Mariane Bigio farão leitura de trechos do livro. Haverá ainda apresentação do projeto Jazz na Venda, com repertório voltado para o blues.
    “Cida Pedrosa, esta mulher que sabemos multidão, poeta de palavra-labareda, é quem nos leva pela língua à infância da nossa história, Terra Brasilis, sangue e seiva, suas cores, seus ritmos, e, em cores e ritmos, suas extraordinárias mestiçagens”, continua poeticamente o prefácio assinado pela poeta, ensaísta, crítica e cronista paulista Mariana Ianelli.
   A viagem de retorno às memórias da escritora recorda a diáspora do negros e negras, índios e índias, homens e mulheres oprimidos que saíram do litoral para o Sertão após a devastadora chegada dos brancos. “Ao celebrar e refletir esse período, faço um link sobre a música sertaneja e o blues”, revela Cida. Na jornada são descritos o clima, a fauna e a flora, a geografia do caminho, cheiros, sabores e sons que viajam a uma distância tão longa quanto o Sertão do litoral, e também tão profunda quanto a busca pela própria identidade. “É uma narrativa fragmentada, assim como são as nossas memórias. Ninguém se lembra do percurso da vida de forma linear. Tem horas que é pura biografia e tem outras que é pura ficção”, revela Cida.
   Referências estéticas da poesia moderna, da cultura pop - Bob Dylan, Caetano Veloso - se misturam aos campos de algodão, por exemplo, que aparecem exibindo a dureza do trabalho de plantio e colheita e a memória afetiva desse cenário. “Pode-se afirmar que o poema é todo construído a partir de tensionamentos que assumem diversas configurações: entre o individual e o comunitário, entre racional e o afetivo, e, naturalmente, entre o lírico e o épico. A tensão entre as memórias pessoais e as coletivas funciona como um pêndulo entre o “dentro” e o “fora”, entre o que pertence ao domínio da memória afetiva do indivíduo e o que está fincado numa memória cultural compartilhada”, diz o editor da Cepe, Wellington de Melo, em texto presente no livro.
    O vialejo - como é chamada a gaita no interior - foi o instrumento que Cida ganhou do pai na infância mas nunca tocou. A música negra perpassa a poesia juntando o blues aos ritmos sertanejos. “O baião é negro, o xote é negro. Havia bandas de blues nos anos 1940 em Petrolina, São José do Egito, Bodocó...”, garante Cida, que continua tentando tocar a gaita. “Nunca aprendi a tocar. Tento aprender e não consigo”. O poema, no entanto, sugere que ela ainda o pode fazer a qualquer momento, ou que sempre o fez. “A jornada é circular, não há um ponto de chegada, apenas a percepção que a identidade se encontra no próprio ato de resistir/existir”, completa Wellington.


(...) serra talhada talha o verso pajeuzeiro
serra talhada é telha tinhosa que divide sertões
ao nordeste espraia-se são josé do
egito uma trilha para o verso a veia
e a velocidade da métrica para as
rimas rubras vindas de outros mares
mouros murmuradas e lamentadas
em violas serra talhada berço
de virgulino aquele pardo que se
fez povo poder e pária migrou do
campo de algodão para o campo
de batalha se fez punhal e fé escuridão
e facho quimerou ser tapera
para marias e dadás banidos
de todos os gêneros e negros sem


destino se fez corisco e cascavel se
fez imagem e
imaginário
imaginário
imaginário(...)


(...) te encontro me encontro
te encontro me
encontro
te
encontro
no vialejo azul que ganhei do meu pai quando
menina e nunca aprendi a tocar
na canção
azul
na flor
azul
no anjo
azul

na borboleta
azul
na flor árida
e azul
me encontro e te encontro
no ser
ser tão assim
sertão


e só (...)”

domingo, 18 de agosto de 2019

agosto 18, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários
Por André Luis
https://i2.wp.com/nilljunior.com.br/wp-content/uploads/2019/08/museu3.jpeg 
Com a participação das turmas do pré 1 e 2 do CEI Maria Genedi Magalhães, terminou na tarde desta sexta-feira (16), o projeto Nem Meu, Nem Seu: Museu, idealizado pelo poeta e produtor cultural Alexandre Morais e pela Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios, mantenedora do Museu do Rádio, do Cine Teatro São José e da Rádio Pajeú – primeira emissora de rádio do Sertão Pernambucano, inaugurada em 04 de outubro de 1959, com incentivo do Funcultura e apoio da Prefeitura de Afogados da Ingazeira, através da Secretaria Municipal de Educação.
   Turmas do ensino básico ao ensino médio, EJA, ensino técnico e universitários, de 28 instituições, entres escolas públicas e privadas, urbanas e rurais, IFPE, Fasp e centros comunitários, além de sócios contribuintes da Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios puderam conhecer a história do rádio no Brasil, o nascimento da Rádio Pajeú e o acervo de rádios antigos, peças e equipamentos usados pela emissora, como por exemplo os primeiros transmissores, a primeira mesa de som e o histórico microfone usado por autoridades e repórteres durante a inauguração da barragem de Brotas.

   Uma verdadeira aula de história, daquelas que não são contadas em livros escolares. Surpreendeu o número de pessoas que não tinham o conhecimento da existência do museu.
   Através do projeto, os visitantes puderam ver como a história da Rádio Pajeú se funde com a história de Afogados da Ingazeira. Ficaram sabendo, por exemplo, que os responsáveis pela criação do hino do município são dois nomes que fizeram parte dos desbravadores do rádio no Sertão: Waldecy Menezes e Dinamérico Lopes, nomes fundamentais na história da Rádio Pajeú.
   Os números do projeto são impressionantes. Foram 52 turmas nos horários da manhã, tarde e noite, do ensino básico ao ensino médio, seguindo pelo EJA, ensino técnico e universitário, de 28 instituições atendidas, entres escolas públicas e privadas, urbanas e rurais, IFPE, Fasp e centros comunitários, além de sócios contribuintes da Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios. Cerca de 2.500 visitantes, 52 palestras e apresentações.
   O projeto se dividia em dois momentos. No primeiro era feita uma visita monitorada, onde era contada a história da Rádio Pajeú e de seus personagens com a apresentação do acervo e explicação de como funcionavam algumas das peças antigas. Nessa parte se dividiram o diretor da Rádio Pajeú, jornalista e radialista, Nill Júnior, o poeta e produtor cultural, Alexandre Morais e o jornalista e radialista André Luis.

   Em outro momento os visitantes se encontravam com personalidades que fazem a história no município nos dias atuais. Pessoas que direta ou indiretamente em algum momento de suas vidas foram influenciadas pela radiodifusão. Psicólogos, poetas, escritores, radialistas, repentistas, ilustradores, artistas plásticos, músicos, poetisas, professores, cantores, recreadores, contadores de histórias, cantores, historiadores e cineastas, contaram um pouco de suas histórias e apresentaram os seus trabalhos.
   Participaram nomes como Alessandro Palmeira (psicólogo, poeta e escritor), Celso Brandão (radialista, poeta e escritor), Diomedes Mariano (poeta repentista), Edgley Brito (ilustrador e artista plástico), Edierck José (músico e artista plástico), Edinho Oliveira (músico), Elenilda Amaral (professora, radialista e poetisa), Gustavo Pinheiro (músico e cantor), João Thiago (pintor), Josimar Alves (músico), Jussara Rodrigues (recreadora infantil), Lindomar Souza (músico e cantor), Luciano Pires (artista plástico), Milsinho (músico), Milton Oliveira (Escritor e historiador), Ney Gomes (músico, cantor e radialista), Nill Júnior (radialista), Renan Gadelha (músico e cantor), Sandra Maria (contadora de histórias), Wellington Rocha (poeta e radialista) e William Tenório (cineasta e historiador).

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Literatura no cinema

agosto 02, 2019 Por Alexandre Morais Sem comentários


O poeta Alexandre Morais lança duas obras, hoje à noite, no Cine São José, em Afogados da Ingazeira. A primeira é uma reedição do cordel Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor, que foi ampliado e ganhou capa colorida em sua terceira edição. A outra é uma produção em conjunto com os poetas Genildo Santana e Zé Adalberto. Também em versos de cordel, o livro traz as biografias de Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga e Catullo da Paixão Cearense. Ambos tem ilustrações de Edgley Brito.
Os lançamentos integram a programação de abertura do projeto de leitura da Escola Municipal Professora Gizelda Simões, que tem como tema Ler bem para escrever melhor: conhecendo nossa história, valorizando nossas raízes. As atividades começam às 18h30 e vão envolver apresentações dos alunos, da Banda Bernardo Delvanir e do Balé Expressart, com participações de Wellington Rocha, Elenilda Amaral, Lindomar Souza, Lucinha Amaral, Gustavo Pinheiro e Leandro do Acordeon.

Serviço:
Projeto Ler bem para escrever melhor: conhecendo nossa história, valorizando nossas raízes
Data: 02/08/19
Início: 18h30
Local: Cine São José, Af. da Ingazeira
Entrada franca