quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Jobim

agosto 16, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
   Para Tom, aquela era uma noite como outra qualquer. Depois de mais uma apresentação no Vilarino, reduto da boemia carioca, tomava uma cerveja e torcia para que alguém lhe oferecesse uma carona para casa. Foi quando viu o jornalista Lúcio Rangel e Vinicius de Moraes se aproximarem. “Vinicius, este é o pianista de quem lhe falei.”
   O poeta e diplomata procurava alguém para musicar sua peça Orfeu da Conceição. Achava que Tom era a pessoa ideal. Jovem, talentoso, disposto. Explicou os planos e, objetivo, perguntou: “Você aceita?” E Tom, mais preocupado em pagar as contas no final do mês: “Mas tem algum dinheirinho nisso aí?”
   Tinha. Dias depois, ficaria pronta a primeira música: nada menos do que o clássico Se Todos Fossem Iguais a Você. Era 1956, início da mais importante parceria de nossa música. Juntos, na voz e violão de João Gilberto, Tom e Vinicius revolucionaram de maneira definitiva a canção brasileira. E mundial. Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Eu Sei que Vou te Amar, Canção do Amor Demais. Tantas outras.
   ARQUITETO DOS SONS
  Antonio Carlos Brasileiro Jobim nasceu no Rio, em 25 de janeiro de 1927. Começou a estudar piano na adolescência. Passava horas debruçado sobre as teclas de marfim. Logo começaria a tocar nas boates, a compor. Chegou a estudar Arquitetura. Menos de um ano depois, abandonou o curso, convencido que seu caminho era outro.

  Com a mesma exatidão com que pretendia construir prédios e casas, o quase arquiteto foi construindo sua obra. Precisão que faria Edu Lobo declarar, anos mais tarde: “De todos os arquitetos de música que conheço, Tom Jobim é, sem dúvida, o de traço mais amplo e perfeito. Dele surgem projetos sólidos, feitos para abrigar o coração do mundo.”

   Em 1958, Canção do Amor Demais vira música-título do LP de Elizeth Cardoso. Arranjos de Tom, músicas de Tom e Vinicius. No violão, João Gilberto dava forma pela primeira vez ao que seria a Bossa Nova. Meses depois, João lança compacto com seu primeiro sucesso: Chega de Saudade. A Bossa Nova torna-se êxito nacional, ultrapassa fronteiras com o espetáculo de 1962 no Carnegie Hall, em Nova York. A música brasileira ganha uma projeção nunca antes vista.
Texto copiado de www.almanaquebrasil.com.br
Foto copiada de www.obviousmag.org

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Literatura às margens do Velho Chico

agosto 15, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
    A bela pernambucana Petrolina sedia entre os dias 29 de agosto e 02 de setembro o FliSertão - Festival de Literatura do Sertão do São Francisco. Feiras, palestras e shows compõem a programação, com destaque para os artistas Jessier Quirino, Maciel Melo, Santanna, Chico Perosa e sexóloga Laura Muller.
  O evento presta homenagem ao escritor petrolinense Antonio Padilha, que romanceou a origem da cidade na obra Pedro e Lina. Todas as atividades são gratuitas.
Mais detalhes em https://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2018/08/15/1o-festival-de-literatura-do-sertao-do-sao-francisco-vai-homenagear-escritor-de-petrolina-pe-veja-a-programacao.ghtml

agosto 15, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

agosto 15, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Uma cruz, uma história e uma estrada

agosto 15, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

   O município de Tabira (PE) sedia neste dia 16/08 mais uma sessão do CineClube do Verso. Será exibido o documentário Uma cruz, uma história e uma estrada, direção do pernambucano de Wilson Freire.
   Esta a sétima sessão do ano na cidade. O CineClube funciona há 4 anos, percorrendo vários municípios do Sertão do Pajeú e de outras regiões. O projeto conta com incentivo do Funcultura.

agosto 15, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

agosto 13, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem: Divulgação

Olhos nos Olhos

agosto 13, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação


   É uma composição de Chico Buarque(1944) do ano de 1976. A música é mais uma das músicas sentimentais de Chico, que trata da separação de casais, novos amores e a presença constante do ciúme.
   Mais uma vez Chico faz uma canção em que trabalha a alma feminina. Esta começa com a separação, passa pelo sofrimento da perda porém termina com a superação total.
Infelizmente, alguns cantores não compreendem a importância de uma música ser cantada conforme o seu original. Esse é o caso da gravação de Agnaldo Timóteo. O cantor inverte a idéia do compositor, já que canta como se quem estivesse “falando” fosse um homem e não uma mulher, conforme foi escrito por Chico.
  “Olhos nos Olhos” aparece no álbum “Meus Caros Amigos”, de 1976.A canção esteve nas trilhas das novelas “Vidas Opostas” ( 2006/2007 - Miucha e Tom Jobim), “Duas Vidas” (1976 – Agnaldo Timóteo),


OLHOS NOS OLHOS
(Chico Buarque)

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz


Fonte: http://museudacancao.blogspot.com

O Desgosto De Um Pedaço De Pão Que Foi Esquecido Numa Mesa.

agosto 13, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação

   "Todo pedaço de pão carrega em seu miolo a triste história de um trigo que poderia ter sido uma cerveja". Foi assim que eu vi aquele farelo dormido posto à mesa, esperando o retorno deste viajante que vos fala. Viajar é preciso, às vezes enfada, mas o que me seduz em viver sobre quatro rodas, são os adágios das lameiras dos caminhões. Me divirto, rio à beça, gargalho, fico zoró, assobio, canto, converso só, e tome estrada, e tome terra, e tome pó, poeira e cansaço. Viajo porque deliro, volto porque te amo. Quem não viaja fica, disse-me uma vez um filósofo de porta de banheiro de botequim, e pra não ficar eu vou. Comigo é assim: só gosto de coisa boa, porque tudo que é bom presta, vi isto em alguma coisa relacionada aos filhos de Zé de Cazuza, um apologista famoso lá pras bandas da Prata, na Paraíba. 
  Só enxergo o que vejo e assim vou vivendo, vendo e revivendo a vida, rompendo as rampas que Deus me deu para escalar. Desde menino sempre tive uma atração pelo que é longe, hoje cheguei a conclusão que quem inventou a distância nunca sentiu saudades de nada, nunca amou na vida. O amor não se conjuga no passado, tem que ser no agora, o presente indicativo é o termômetro, saio do gerúndio e deixo o verbo me conjugar. Sempre fui sonhador, "não sou de desistir de meus sonhos, quando não encontro numa padaria, vou procurar em outra". Falo muito, mas às vezes é melhor ficar calado e deixar que pensem que sou idiota, do que abrir a boca e não deixar dúvidas. Não, não desisto dos meus sonhos. "Água mole em pedra dura tanto bate até que molha tudo". Às vezes acelero o mundo, às vezes estaciono, às vezes fico mais perdido que minhoca em galinheiro, mas depois me acho. 
 O mundo está medonho, me deixa cabreiro, arisco, acabrunhado. Às vezes sou palhaço, às vezes malabarista, às vezes dono do circo, às vezes "acanhado que só galinha que caiu numa lata de lavagem", como bem descreveu o poeta Manoel Filó. Não tenho porteiras, meu coração é uma janela aberta, "não é a cerca que segura o boi no pasto, mas sim o capim que ele come", já dizia meu avô. Eu adoro esses ditos populares. Já deu pra perceber, né? Tá bom, por hoje chega, vou dar uma paradinha, aproveitar pra arriar o óleo que eu também sou fii de Deus.
(Maciel Melo)



sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Assum Preto

agosto 10, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem: Divulgação


  A toada “Assum Preto” é mais uma das composições de sucesso da dupla Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979).
  A obra foi composta pela dupla em 1950 e tornou-se mais um clássico nordestino, não somente pela bela melodia bem como pela letra forte e extremamente poética. Além de denunciar a violência contra o animal (“Tarvez por ignorança / Ou mardade das pió / Furaro os óio do Assum Preto /Pra ele assim, ai, cantá mió”), a letra ainda compara o canto triste do animal com o canto triste do poeta que lamenta a perda de seu grande amor (“Assum Preto, o meu cantar / É tão triste como o teu / Também roubaro o meu amor / Que era a luz, ai, dos óios meus”).
  Há também a questão da inocência do sertanejo, carente de informações, justificando o ato de cegar os olhos do Assum Preto (“Tarvez por ignorança...”).
  A toada foi gravada por grandes nomes da MPB além de Luiz Gonzaga. Poemos destacar as gravações de Gonzaguinha (em dueto com o pai Gonzagão), Elba Ramalho, Gilberto Gil, Gal Costa, dentre outros.
  “Assum Preto” aparece na trilha do filme “Eu, Tu, Eles” (2000 – Gilberto Gil)


ASSUM PRETO
(Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió (bis)
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus.


Fonte: http://museudacancao.blogspot.com

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

agosto 06, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem: Divulgação

Codinome Beija-Flor

agosto 06, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem: Divulgação


É uma composição do trio Cazuza (1958/1990) , Reinaldo Árias (1951) e Ezequiel Neves (1935) .

  Em 1985 Cazuza gravou “Exagerado”, seu primeiro álbum solo após a saída do grupo “Barão Vermelho”. Além da faixa-título, o grande destaque do disco foi a música “Codinome Beija-flor”. Essa belíssima canção, além de surpreender os roqueiros da época com seu arranjo à la bossa nova, chamou a atenção por alguns versos que até hoje intrigam os ouvintes: “Que só eu que podia / Dentro da tua orelha fria / Dizer segredos de liquidificador”. O que cargas d’água Cazuza queria dizer com a expressão “segredos de liquidificador”?
 Teses e teses a respeito do seu significado pululuam pela Internet. Segundo Valdir Mengardo, é uma metáfora que pretende mostrar a “incompatibilidade entre a sociedade de consumo e a poesia”. Já Fernando Toledo considera que a expressão é o “equivalente urbano/industrializado para “segredo de polichinelo”. E explica a sua viagem: “Simplesmente não existem liquidificadores sutis. Os bichos fazem um barulho dos diabos quando acionados. Logo, seria um segredo que não seria um segredo.”
  Os participantes do Yahoo Respostas dão explicações mais rasteiras. Um deles afirma: “faltou uma boa rima para “beija-flor”. Parece um desses casos em que o poeta não está nem um pouquinho inspirado e doido para acabar a letra. Tal como acontece (com todo respeito a Gilberto Gil), na letra de rimas ridículas de “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Outro internauta sem muita noção (des)explica: “Acho que Cazuza tava drogado quando disse isso, deve ter enfiado a mão dentro do liquidificador.”
   Depois dessas abobrinhas, não há nada mais esclarecedor do que ouvir a voz do poeta. Pouco antes de cantar “Codinome Beija-flor” em um dueto com Simone, durante um especial exibido pela TV Globo em 1989, o ex-vocalista do Barão diz que a expressão se refere a “uma coisa de língua no ouvido”, exemplificando, com a própria língua, os movimentos circulares que dão sentido à metáfora.
    Mas enfim, como verso bom é aquele que permite as mais diversas leituras, independentemente das eventuais explicações dadas pelo próprio poeta, fico com a explicação cunhada Luccia, em seu blog “Doce Lucidez”: “Segredos contados ao pé do ouvido que causam aquele tremor no corpo, como um liquidificador.” Alguém arrisca tecer uma definição melhor?
 A metáfora de Cazuza é tão expressiva que foi reaproveitada na letra de outra música, “Carnalismo”, faixa 7 do álbum dos “Tribalistas”, dos versos: “Me abraça e me faz calor/ Segredos de liquidificador/ Um ser humano é o meu amor/ De músculos, de carne e osso/ Pele e cor.”
(Extraído do blog “Pensar enlouquece, pense nisso”, de Alexandre Inagaki)

  A canção esteve presente na trilha sonora da novela “O Dono do Mundo” (1991/1992 - Luiz Melodia).

CODINOME BEIJA-FLOR
(Cazuza / Reinaldo Árias / Ezequiel Neves)

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou...

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor .


Fonte: http://museudacancao.blogspot.com

Uma Crônica a Quatro Mãos. Só Querendo o Ser...

agosto 06, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação


Maviael – Pensou em escrever sobre o nada naquela noite fria, o frio era uma constância naquelas bandas. Como era para falar do nada e do nada falar, a tarefa não ficou nada fácil. Primeiro, imaginou-se no meio de um grande deserto onde nada tivesse, a não ser a sua vontade de relatar aquela inquietação sobre o nada. Nesse deserto e em seus quadrantes, pela observação literal, via escorrer por entre seus pensamentos duas diferentes rotas de encaminhar suas palavras. Assim, resolveu por onde ir e como prosseguir naquela noite insone e lenta.

Maciel – Já não havia mais nada a dizer. Dissera tudo e nada. O vazio preenchera-se de silêncio, deixando a palavra entalada na garganta. Mesmo que dissesse, de nada adiantaria. Estava exausto. Depois do cansaço da labuta do dia-a-dia, pendurou tudo que tinha para dizer nos punhos de uma rede. Começou a balançar, se impulsionando com os pés na parede. Renc, renc, renc... era o único ruído que ecoava na varanda. Ogrilo Sivirino se enrabichou por uma grila e há dias não dava o ar de sua graça. A perereca Zefinha e o sapo Ceverol também sumiram, apenas o galo preguiçoso do vizinho, vez em quando gaguejava um cocoricó. Aquele silêncio proposital, o qual se propusera a escutar, era necessário para buscar o que nunca perdeu. Na verdade, tudo estava dentro de sua consciência, e só a solidão iria trazer de volta o tudo ou o nada que cada um tem dentro de si.

Maviael e Maciel – Abriu uma cerveja, mas não bebeu; acendeu um cigarro e não fumou. Doíam-lhe as costas, pesavam em sua mente coisas que não fizera, promessas que não cumprira, saudades raras, sentenças sem vereditos, verdades não muito claras. Ruminava afetos, deletava mágoas, rasgava as anáguas do pensamento. Estava aprendendo a só ser. Estava navegando no nada, estava só querendo o ser.
(Maviael Melo/Maciel Melo)


sábado, 4 de agosto de 2018

agosto 04, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Despamonhalização

agosto 04, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários


   Entrevista do Professor Mário Sérgio Cortella (foto) publicada na página www.almanaquebrasil.com.br.

Foto copiada de:  www.leiturinha.com.br

   Você é autor de um livro chamado Qual É a Tua Obra? Qual é a obra de um filósofo brasileiro do século 21?
   Sempre que se fala em filosofia, imagina-se uma dedicação a coisas que são esotéricas, abstratas. Mas a filosofia nasce, na origem, a partir do autoconhecimento. É preciso lembrar aquele que é o grande pensador da Antiguidade, Sócrates. Uma de suas ideias centrais era a do “conhece-te a ti mesmo”. E, ao mesmo tempo, suspeite daquilo que parece óbvio. E um filósofo brasileiro, no século 21, mas com ideias que têm três mil anos, deve passear pela capacidade de recusar o óbvio. Nosso país tem uma certa predileção pelo óbvio, que nos acalma, mas que ao mesmo tempo nos deixa pouco reflexivos. É preciso uma filosofia que ajude a pensar de maneira mais crítica, com capacidade de afastar o preconceito, e com um olhar mais acurado, menos superficial sobre a realidade.

     A filosofia não envelhece?
   O que não se pode é fazer uma filosofia formol, que congela cadáveres. O pensamento de Platão é vivo, assim como o pensamento de Heráclito, de Parmênides. Quando Heráclito disse, há alguns séculos, que a única coisa permanente é a mudança, isso é uma coisa de agora. Quando disse que nenhum homem toma banho duas vezes no mesmo rio, porque, quando você volta, nem o rio é o mesmo nem você é o mesmo, isso é uma coisa de agora.

    A visão dos jovens sobre a filosofia é preconceituosa, estereotipada?
   Parte dos jovens tem uma dificuldade com a filosofia, que é a pressa. A filosofia não pode ser apressada. Ela é uma meditação um pouco mais adensada, a ser fruída. E, como muita gente hoje confunde pressa com velocidade, é bom que se diga: fazer velozmente não significa fazer apressadamente. A filosofia admite velocidade, mas jamais pressa.

   A pressa é uma questão bastante presente na vida hoje, não?
   Nós vivemos em um mundo, especialmente por causa das plataformas digitais, em que a lógica é a do “tudo já agora ao mesmo tempo junto”. Uma das coisas que levam à perda da noção de tempo e processo é o que chamo de despamonhalização da vida. Nós paramos de fazer pamonha e passamos a comprá-la pronta em nome de algo que é prático. Nem sempre o prático é o certo. É mais prático furtar do que trabalhar , colar do que estudar, copiar do que ter que pesquisar. Em nome do prático, começamos a utilizar como critério tudo aquilo que é imediato. E paramos de fazer pamonha. Os homens saíam de manhã, iam buscar milho na roça, arrancavam a palha. As crianças tiravam o cabelinho que ficava no meio. As mulheres tinham o trabalho mais complicado, que era ralar o milho e costurar um saquinho de palha. A finalidade de fazer pamonha não era comer pamonha, era ficar junto o dia todo. Crianças e jovens aprendiam que para que uma pamonha aparecesse era preciso tempo, trabalho, convivência, divisão de tarefas.

    A despamonhalização é uma recusa ao imediatismo da vida?
   Exato. A ideia da pamonha é evitar aquilo que chamo de miojização da vida, a vida miojo. O namoro miojo, o sexo miojo, a pesquisa miojo. Hoje um jovem imagina que para fazer uma pesquisa ele dá uma “googleada” e pronto. Não. A internet é um poderoso meio de começo de pesquisa, não de término. A ideia do “ficar”, comum entre os jovens, representa muitas vezes a miojização das relações. Há também casamentos miojo. Relação de casamento e também de vida. E até relação religiosa miojizada – o sujeito vai apenas à missa das 10 no domingo, porque é mais curtinha. Enfim, essa miojização do mundo corresponde a uma despamonhalização da vida, que é preciso rejeitar.

Cinema pra criançada

agosto 04, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
   O Cineclubinho Pajeú realiza mais uma sessão neste domingo, dia 05 de agosto. Os filmes selecionados foram Os fantásticos livros voadores do S. Morris e Rua das Tulipas. As sessões são sempre seguidas por bate-papo e contação de histórias. E sempre acompanhadas por intérpretes de Libras.
  Por contar com o incentivo do Funcultura, a entrada é grátis. Início às 17 horas, no Cine São José, em Afogados da Ingazeira.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

julho 26, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Cajuína

julho 25, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto Divulgação: Torquato Neto e Caetano Veloso
     Em "Cajuína", o magistral Caetano Veloso (1942), expressa a sua dor e reflexão, diante da morte do amigo e idealizador da Tropicália, o poeta piauiense Torquato Neto. Torquato Neto, nacionalista, revolucionário, visionário que fez a cabeça dessa geração tropicalista, Chico, Caetano, Gil, e tantos outros. Depois, cai em solidão profunda. Aventura-se no cinema novo com Glauber Rocha e, após ver todos os seus amigos exilados, escreve um bilhete após ver a carnavalização em Hollywood com Carmem Miranda,portuguesa, se passando por brasileira(tropicalista) com a cabeça cheia de frutas tropicais. Escreve um bilhete, “morri porque caiu um abacaxi na cabeça do meu pau” e liga as torneiras de gás no Rio e comete suicídio.
  O intelectual e ativista cultural, Torquato Neto, há muito não falava com Caetano. Caetano então vai a Teresina por ocasião do enterro de Torquato e faz a música. Existirmos… uma reflexão ” viver pra quê? a que se destina?…”
   Segundo relato do próprio Caetano (ver vídeo relacionado) o pai do Torquato o recebeu em sua casa em Teresina e lhe ofereceu um copo de cajuína, bebida característica do local. Caetano chorava muito eo pai de Torquato o consolava. Em um determinado momento o pai se ausenta e retorna com um “rosa pequenina”. Caetano então refletindo sobre aquele momento ganha inspiração para compor.
     Agradece a Torquato por ter lhe dado a rosa pequenina, (cultura) ou conhecimento. O poeta magro, como todos os tropicalistas da época” apenas a matéria vida era tão fina”. Lembranças e reminiscências de um passado não muito distante que agora se avoluma com a morte do amigo. Caetano compara seu olhar cristalino e puro com a Cajuína, bebida original do Piauí que caracteriza-se por ser a “essência”, o”supra-sumo” da pureza do caju. Um elemento nordestino, puro, resistente, cristalino que não se turva.


CAJUÍNA
(Caetano Veloso)

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina.

Fonte: http://museudacancao.blogspot.com

Letras

julho 25, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
Foto: Homero Sergio / Folhapress - Copiada de http://www.correiodopovo.com.br


Galos, noites e quintais

< Belchior >



Quando eu não tinha o olhar lacrimoso
Que hoje eu trago e tenho
Quando adoçava o meu pranto e o meu sono
No bagaço de cana de engenho

 

Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus
Fazendo eu mesmo o meu caminho
Por entre as fileiras do milho verde que ondeiam
Com saudades do verde marinho

 
Eu era alegre como um rio
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia
Quando havia galos, noites e quintais

 

Mas veio o tempo negro e a força fez
Comigo o mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo
Hoje eu canto muito mais




 

Apesar dos pesares - 4

julho 25, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários



Apesar dos pesares, minha terra
Tu resistes ao riso dos injustos
Que sorriem enquanto o povo em guerra
Vê a vida vendida a sujos custos
Quem se cansa à espera da justiça
No descanso padece de preguiça
Sem gritar, se contenta com migalhas
Brasil pobre, que prende a própria voz
Mais que vítima és também teu próprio algoz
Dando o pulso à navalha dos canalhas

                          < Alexandre Morais >