quarta-feira, 20 de junho de 2018

20º Mostra SESC Cariri de Culturas

junho 20, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem/Divulgação


     Desde o dia 1º de junho, o Sesc Ceará lançou edital de seleção para artistas e grupos de todo o Brasil que desejam integrar a programação da 20ª Mostra Sesc Cariri de Culturas. Considerado como um dos maiores projetos de difusão da cultura no País, neste ano o encontro acontece de 16 a 20 de novembro, em diversas cidades da região Sul do Ceará. A inscrição é gratuita e somente pela internet no endereço eletrônico www.mostracariri.com.br
Grupos e artistas nas áreas das artes cênicas (teatro, circo, dança), audiovisual, artes visuais, literatura e música interessados em participar podem se inscrever até o dia 30 de junho.
     É necessário atenção a todos os requisitos do edital para efetivar a inscrição. Os trabalhos inscritos serão selecionados por uma equipe de curadoria composta por técnicos de cultura da instituição, artistas e profissionais convidados.
     A Mostra não tem caráter competitivo e se apresenta como espaço de estímulo à produção nas diversas áreas artísticas, com proposta de apresentações, vivências, ações formativas e intercâmbios para desenvolvimento de projetos colaborativos nas mais variadas categorias. Nesse esforço, grupos de tradição popular são convidados pelo Sesc.
Sobre a Mostra
     Idealizada pelo Departamento Regional do Sesc Ceará, a Mostra Sesc Cariri de Culturas chega à 20ª edição como palco de difusão das mais diversificadas manifestações artísticas e culturais. A mostra cultural acontece na região do Cariri, que se transforma em cenário para apresentações de espetáculos de teatro, dança, exposições, shows, rodas literárias, performances poéticas, mostras de cinema e vídeo além de ações formativas e seminário.

Saiba mais

Inscrições para 20ª Mostra Sesc Cariri de Culturas
Período: 1º a 30 de junho
Ficha on-line e edital em www.mostracariri.com.br
Informações: inscricao@mostracariri.com.br
Gratuito

Fonte: http://mostracariri.sesc-ce.com.br

10º Festival do Carro de Boi

junho 20, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Imagem/Divulgação
     As inscrições estão acontecendo na Secretaria de Cultura e Eventos da Cidade até o dia 21/06 e os carreiros interessados em participar, deverão comparecer a secretaria no prédio da Prefeitura, localizado à Rua Dr. Santana Filho, 40 no centro da Cidade.  



     

terça-feira, 19 de junho de 2018

Retalhos de Cetim

junho 19, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação



  Esfarrapados os sentidos, feito retalhos de cetim dourados soltos ao vento, pendurados nos garranchos que margeiam essa estrada, nebulosa e fria, me levam além do longe por um atalho, onde o amor trafega entre os labirintos, querendo achar uma porta de saída. Insisto, porém, na elegância do querer bem e na sutileza de que o amor ainda há de vir brotar nesse imenso carrocel que gira ao redor da vida. As curvas aprumam minhas retas, depois que atingem os 90°. Eu sigo em frente, agora mais forte e decidido, cobrando "o velho, o novo, e até o esquecido" jeito de se fazer amor.         Amar é chorar com as lágrimas daqueles que vivem à margem de uma sociedade hipócrita, capitalista e ditatorial, que molda modelos de educação e joga em nossos lares, sem pedir licença, e entra em nossas casas através da crença, de uma ilusão televisiva, que nos diz o que temos que dizer, sem nunca saber o que já temos dito. A era cibernética chegou. 
 O apocalipse está saindo do futuro e se instalando no presente, nos mostrando que está chegando o fim da era. Por isso cada minuto, cada segundo, cada miligundo de hora, vale milhões de abraços, que precisam ser abraçados. Gente carente, penitente, gente que ama, que esmola, que grita, se esfola, implorando mais valia. Gente que não nega a cor e que não vende sua alma apenas para reinar na ilusão do vil-metal.
  Ainda acredito na paixão que cega, no doar as flores, no espinho dos amores, numa canção bem brega. Ainda acredito em Odair, Peninha, Rossi, Betânia, Ângela Maria, Waldick Soriano, em Perfume de gardênia e em Ana Carolina. Ainda vislumbro uma bela noite de luar. Ainda acredito, num mundo distante, onde a fantasia possa ser vivida em tempo real. Ainda acredito na união do coletivo, na amplidão do ser, no poema que sonha, que ri e que chora, no tesão do agora, no amargo-doce de se amar a dor. Não acredito em nada que se deixe pra depois. 
 Não acredito em palavra que não possa ser conjugada. Não acredito em retórica, porque é no silêncio do pulsar pensante que se ouvem os berros do verdadeiro amor.

(Maciel Melo)




segunda-feira, 18 de junho de 2018

Cineclube do Verso em clima junino

junho 18, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
   O Cineclube do Verso realiza a quinta sessão da temporada 2018 nesta quinta-feira, dia 21/06. Em clima junino será exibido o documentário "Festa de São João", produzido pela TV Câmara, de João Pessoa - PB.
    A sessão tem início às 19h30, na Casa da Cultura, com entrada grátis. Após o filme tem bate papo com o Mestre Mestre Dedé Monteiro.Também participam intérpretes de Libras.

junho 18, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

quinta-feira, 14 de junho de 2018

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Letras

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
Foto copiada de: http://radioglobo.globo.com
 
Onde Deus possa me ouvir
Compositor: Vander Lee
 
Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
 
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém
 
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber
 
Meu amor, deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
 
Minha dor, eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair
 
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber
 
Meu amor, deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
 
Minha dor, eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair
 
Meu amor, deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
 
Minha dor, eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair
Adeus

Santo do pau oco

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
Significado: Pessoa falsa
Origem da expressão: No Brasil dos séculos 18 e 19, para enganar a Coroa Portuguesa, sedenta por impostos, contrabandeavam-se riquezas dentro de imagens sacras de madeira. Para isso, era preciso tirar o material interno das estátuas, que ficavam ocas.
 

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Clássicos relançados pela CEPE

junho 14, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários




























   Existem palavras que entram em desuso tal qual seus significados. Arruar quer dizer passear pela rua. Na contemporaneidade, a maioria das pessoas não utiliza o verbo; o hábito de caminhar devagar, contemplando a própria cidade, também ficou de lado. Em 1948 era publicada pela primeira vez a obra Arruar: história pitoresca do Recife Antigo, do jornalista e escritor recifense Mário Sette (1886-1950). Setenta anos depois, a Cepe Editora reedita a obra esgotada, ao lado de outro clássico de 1976, Bacamarte, Pólvora e Povo, de Olimpio Bonald Neto, também esgotado e, por isso, reeditado. Os títulos integram a Coleção Acervo Pernambuco e serão lançados no dia 18 de junho, a partir das 19h, na Academia Pernambucana de Letras (APL).
   Nas 472 páginas em que Mário Sette se debruçou, um retrato do Recife que se fez cidade desde os tempos maurícios até o século 20. Nessa fotografia em forma de prosa poética, uma oportunidade de conhecer, sentir o cheiro, as cores e os sons, a narrativa da formação da cidade e, dessa maneira, compreendê-la no tempo presente e no futuro. A importância da publicação se faz notar no bilhete do poeta recifense Manuel Bandeira dirigido ao autor, que é reproduzido no livro. “Aprendi muita coisa no seu livro sobre minha querida cidade natal”, diz trecho de Bandeira.
   Arruar… Andar na rua no Recife do século 19 não era um hábito das pessoas ‘de bem’. Mas quem se permitia ao menos olhar para a rua, estava sentado em berço esplêndido no camarim da vida. Pessoas, costumes, vestuários e vocabulários mudam para dar passagem ao crescimento urbanístico, que alarga ruas e destrói sobrados, arcos e até igrejas. Ao mesmo tempo em que o ‘progresso’ traz seguras pontes de ferro em lugar das de madeira para passar sobre os rios. Diante deles nasceram ruas marcantes. “Rua da Aurora, o mais belo balcão da cidade, beirando as águas, com seu cais primitivo de pilastras conjugadas por correntes de ferro, sem dúvida numa evocação popular das naus criadoras do país.”
   Bacamarte – Fruto de uma pesquisa realizada em 1963 para o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, hoje Fundação Joaquim Nabuco, Bacamarte, Pólvora e Povo, do historiador, acadêmico e escritor Olimpio Bonald Neto, ganha nova edição pela Cepe Editora 42 anos depois da primeira impressão comercial (Edições Arquimedes).
   Apesar do hiato temporal é considerado o mais completo estudo na área da antropologia cultural a se debruçar sobre o universo dos bacamarteiros, tendo ainda o mérito de ser importante indutor para a preservação do folguedo, estimulando a criação de diversos grupos de atiradores no Agreste e na Zona da Mata de Pernambuco e da Paraíba. “Esta pesquisa vem influenciando grupos e instituições públicas, dirimindo equívocos de interpretação, como o da apreensão de bacamartes logo após o penúltimo golpe, o de 1964, quando em Caruaru agentes da 'inteligência revolucionária' alegavam se tratar, os bacamarteiros, de milícias dos guerrilheiros camponeses de Miguel Arraes”, destaca em seu prefácio Ivan Marinho, presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, Patrimônio Vivo de Pernambuco, fundada por ex-camponeses egressos do Agreste e do Sertão um ano depois do lançamento do título.
   Em 148 páginas, resgata a matriz histórica dos bacamarteiros - ligada à Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito armado da América Latina no século 19 -, a dinâmica sociocultural que envolveu a manifestação cultural ao longo das décadas, seu simbolismo místico, a história dos muitos batalhões, entre tantos outros aspectos daqueles exércitos de tiros e festejos formados por homens do campo, pequenos comerciantes e operários e que até hoje se configura como uma das expressivas representações do folclore nordestino.

Da Assessoria de Imprensa/CEPE

terça-feira, 12 de junho de 2018

Senhora Dona Liberdade

junho 12, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação


     Maria da Liberdade Amorosa do Livramento. Esse é o seu nome de batismo. Nasceu no berço esplêndido das campinas, e criou-se lá onde retumba o brado das amplidões. Viveu entre as vicissitudes, amou ao relento e saiu dando poupas no vento, se espojando pelos pampas. Soltou a crina, esvoaçante se fez dona do seu universo e assanhou as areias dos desertos corações selvagens. Trota, campeia, tange as mazelas, quebra conceitos, tabus, derruba as cancelas e, galopantemente, passeia pelos prados da minha imaginação. 
 Maria da Liberdade. É assim que lhe chamam nas redondezas. Em seu lombo não sobe cela, não há cabresto que a prenda, não tem mourão que a segure, nem cerca que a enclausure, nem corda que amarre ela. Não há curral que a tranque, não tem tampa que lhe tampe, nem tem tranca nem tramela. 
   O seu pai chama-se Tempo; sua mãe, Felicidade; sua casa é o firmamento, a parede é o horizonte e o telhado o azul do céu. O máximo de sua tolerância é o laço; mesmo assim, se for de fita. Não tem freio que a estanque, nem garanhão que lhe empanque, quanto mais um pangaré. 
  Maria é uma pedra bruta, precisa ser lapidada. Uma pepita, uma esmeralda num trancelim de ouro. Maria é da vida, Maria é dos pastos, Maria é do mundo, Maria não é de ninguém.
(Maciel Melo)


segunda-feira, 11 de junho de 2018

junho 11, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Artistas criam novas formas para atrair público e sobreviver à falta de incentivos no teatro

junho 11, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
   As dificuldades continuam enormes - e isso, ninguém discute. Mas, nos últimos anos, Recife vem recuperando seu posto de destaque na produção cênica brasileira. Isso pode ser percebido pelo grande número de companhias teatrais em funcionamento (Fiandeiros, Poste, Magiluth, Angu, Coletivo Lugar Comum e Cênicas, entre outras) e a crescente quantidade de festivais.
   O mais recente deles, Trema!, conseguiu atrair um público de cerca de quatro mil pessoas durante sua sexta edição anual, esgotando ingressos e lotando salas mesmo tendo acontecido em plena crise de combustíveis, que causou sérias dificuldades de locomoção. "Para nós, é a constatação de que existe uma demanda muito grande e que os gestores públicos precisam estar mais atentos aos apelos da população. Público para o teatro existe, sim, e sedento por espetáculos", afirma Pedro Vilela, curador do festival (que contou com doze apresentações teatrais e três oficinas).
   "A luta pelo público é uma das coisas mais bonitas que o teatro proporciona. Lutamos contra esse estado de coisas que vivemos, o medo, a violência. A gente consegue atrair as pessoas pra rua, para fora de suas casas. É uma luta incansável e é assim que tem que ser", reforça Cláudio Ferrário, que em março alcançou a proeza de, sem patrocínio, encenar dois espetáculos ("Martelada" e "A Invenção da Palavra", em temporada no Teatro Arraial Ariano Suassuna), quitar todos os custos, pagar cachê "e ainda ficar com algum dinheiro". 

Imagem e texto copiados  da Folha de Pernambuco.
Créditos e matéria na íntegra em https://www.folhape.com.br/diversao/diversao/diversao/2018/06/10/NWS,71205,71,552,DIVERSAO,2330-ARTISTAS-CRIAM-NOVAS-FORMAS-PARA-ATRAIR-PUBLICO-SOBREVIVER-FALTA-INCENTIVOS-TEATRO.aspx

quarta-feira, 6 de junho de 2018

"O Homem Que Foi Dormir Contando Estrelas e Acordou Coberto de Nuvens"

junho 06, 2018 Por Alexsandro Acioly Sem comentários
Foto: Divulgação



Estou sentindo um cheiro de carne assada na brasa. Acho que vem da casa ao lado. São sete horas da manhã, Severino está calado, curtindo uma madorna à sombra do abacateiro. Severino é o grilo de estimação que eu crio. 
– Ô de casa! 

Alguém me chama no portão. Ainda sonolento, dirijo-me à entrada principal da casa onde moro. É um lugar singelo, com dois quartos, uma varanda, uma cozinha e um jardim imenso, onde Severino, por usucapião, alojou-se e, como eu, tornou-se inquilino nesse “pequeno latifúndio”. 

Por sobre as folhas do abacateiro, alguns teimosos pingos de sereno deslizam, formando gotas de orvalho. As flores se abrindo, o verde tingindo meu quintal e o céu sem nenhuma estrela – eu apanhei todas na madrugada e coloquei debaixo do cobertor. 

Eita! Esqueci que há alguém me chamando no portão. 

– Ô de fora! Quem vem lá?, respondo perguntando, mas já com a mão no trinco, pois na minha casa só vem quem é de paz.

– Bom dia meu camarada, pode entrar! A que devo a honra de tão ilustre visita? 
–Venho lhe comunicar que acabo de receber um bode vindo lá das caatingas do Sertão do São Francisco, e o dia está propício para uma boa prosa regada a cerveja, e um bodim cai bem num dia como esse.
Não me fiz de rogado, aceitei com muito gosto, pois aquele cheiro de carne assada na brasa já havia me atiçado o paladar, logo nos primeiros raios de sol, quando eu preparava o meu rotineiro cuscuz com ovo. Aquele aroma que invadia minha casa seria a mistura que iria dar o sabor diferente no meu café da manhã naquele instante. 
– Será um prazer, amigo. 
Dei de garra da viola, vesti uma beca domingueira, e lá fui eu para uma reunião de amigos. Bom papo, boa música, muita risada, e tome gelada no bucho até o sol sumir no horizonte. Encharcou, deu na laje, hora de voltar para o meu silêncio. Fiz a saideira e, entre abraços e beijos, fui me recolhendo. No ranger do portão, Severino, ao sentir meu cheiro, começou cri-crizoar lá do seu abacateiro. 
Tirei o enfado no chuveiro, o bafo joguei na pia, armei a rede e fui pra varanda olhar pro céu e conversar com as Três Marias. A lua cheia e irradiante acendia aquele pedacinho de céu que era só meu. Comecei contar estrelas, peguei no sono e acordei coberto de nuvens.
(Maciel Melo)


   

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

A consciência coletiva da cultura caipira

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários
 
Capa do LP com a canção Chico Mulato - 1980
   Quando um cozinheiro do trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro se deu conta de que o poeta modernista Guilherme de Almeida estava entre os passageiros, correu para avisar o ajudante de cozinha, um rapaz de 21 anos, sobre o viajante famoso. O jovem resolveu então escrever alguns versos em homenagem à ilustre presença. Admirado, Guilherme pediu que o procurasse na rádio Cruzeiro do Sul, em São Paulo, na qual ocupava o cargo de diretor. Tinha início a carreira de João Pacífico, um dos nossos mais importantes e cultuados compositores de música caipira.
   Nascido na paulista Cordeirópolis, desde cedo João misturava profissões comuns e atividades artísticas, principalmente a de declamador de poemas em rádios do interior. Mas foi na capital, a partir do início dos anos 1930, que a carreira realmente decolaria. Na cidade, ganhou o apelido de Pacífico, devido a seu temperamento calmo e fala mansa. E também um parceiro musical, o cantor e radialista Raul Torres, que, a seu lado, escreveria clássicos da música sertaneja.
   Sem saber tocar instrumentos algum, João compôs cerca de 1400 canções, como Chico Mulato, Perto do Coração, Cabloca Tereza. Só essa última contaria com mais de 40 regravações. Cantores de diferentes estilos levavam suas criações aos discos, com Nelson Gonçalves e Aurora Miranda. Já entre os sertanejos, dá para contar nos dedos quem não gravou ao menos uma música sua.
   A inspiração costumava vir da natureza e da alma do povo. Certa vez, uma seca das bravas atingiu a região de Barretos. Comoveu-se ao ver uma procissão de agricultores clamando por chuva. Compôs então a moda Pingo D’Água: Eu fiz promessa/ Pra que Deus mandasse chuva/ Pra crescer a minha roça/ E vingar a criação. Os versos terminavam com a volta das águas e com o pagamento (em triplo) da promessa: Fui na capela/ e levei três pingos d’água/ Um foi o pingo da chuva/ Dois caiu no meu oiá. João surpreendeu-se ao receber centenas de cartas de gente da roça, agradecendo a volta de verdade das chuvas. Depois disso, até bois passaram a ser batizados como Pingo D’Água.
   O caipira de conversa fácil morreu em 1998, aos 88 anos, cultuado por grandes nomes da cultura nacional. “É um compositor completo, a consciência coletiva da cultura caipira”, afirmou Paulo Vanzolini. O compositor Renato Teixeira sintetiza: “Era um gênio”.

Por Bruno Hoffmann / Do Almanaque Brasil

Apesar dos pesares - 4

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

 
Charge: Junião / Copiada de http://www.ambientelegal.com.br
Apesar dos pesares, minha terra
Tu resistes ao riso dos injustos
Que sorriem enquanto o povo em guerra
Vê a vida vendida a sujos custos
Quem se cansa à espera da justiça
No descanso padece de preguiça
Sem gritar, se contenta com migalhas
Brasil pobre, que prende a própria voz
Mais que vítima és também teu próprio algoz
Dando o pulso à navalha dos canalhas

< Alexandre Morais >

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Educar é dizer “NÃO”

junho 06, 2018 Por Alexandre Morais Sem comentários

Pra que haja de verdade
Uma sólida Educação
Mais do que dizer um “Sim”
É preciso dizer “NÃO!”...
Um NÃO pra politicagem,
Um NÃO à corrupção,
Um NÃO àquele medíocre
Que, além de tudo, é Ladrão,
Um NÃO bem grande ao sistema
Que é gerador de exclusão,
Um NÃO pra Homofobia
Que maltrata um irmão
Que não faz mal a ninguém
Vivendo sua paixão...
É preciso um NÃO mais forte
Bem do fundo do pulmão
Ao Preconceito que mata
A alma do cidadão,
Cor não define ninguém,
Cor não diz o coração...
Um NÃO pra Misoginia
Que vê na mulher, o cão,
Que não respeita seu SER
Sua vida e construção...
Pra educar as crianças
Dessa nova geração
Há que dizer NÃO também
Pra falta de Educação
Que suja o espaço público,
Que joga lixo no chão,
Um NÃO pr’aquele que humilha
Porque tem mais condição,
Um NÃO pro Bullyng que ofende
E que não tem precisão,
É violência gratuita
Que se faz a um irmão...
Dizer NÃO é educar
Essa é nossa Condição
De humanos que nós somos,
Limitada Criação...
Dizer NÃO é pedagógico,
E até necessário, então,
Para que sempre tenhamos
Uma boa Educação
É necessário e urgente
Que a gente diga NÃO.


< Genildo Santana >

Copiado do facebbok de Genildo Santana