sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Ademar Rafael - Crônicas de Bem Viver

dezembro 31, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Ademar Rafael
HISTÓRIA CLARIFICADA



  O incansável pesquisador e escritor Fernando Pires, funcionário aposentado do Banco do Brasil e internauta desde os primórdios da rede mundial dos computadores, entrega para esta e para as gerações futuras uma obra digna de todos os adjetivos de qualidade. O livro “Afogados da Ingazeira – Páginas da sua história” integrará o rol das publicações obrigatórias em todas bibliotecas que queiram informar com exatidão os fatos históricos da região em horizonte temporal distante. É uma obra candidata a seguir o caminho do sucesso obtido com “Afogados da Ingazeira – Memórias.”

   Aqui destaco as observações de uma amiga e três amigos e colegas do BB, sobre o livro. Elvira Siqueira nos diz: “O carinho que Fernando dedica à sua terra natal é indizível. Ele investiga, analisa, registra, com riqueza de detalhes, tudo que está a seu alcance, desde ao primeiros sinais, as primeiras casas, os primeiros eventos, como tudo começou e como foi evoluindo até chegar aos dias atuais.” Mauro Bastos atesta: “Trata-se de um livro indispensável não só aos filhos dessa terrado Pajeú, mas, igualmente, a todos aqueles que quiserem conhecer a história de uma região abençoada do estado de Pernambuco, região fértil em bravura, determinação e acolhimento.” Milton Oliveira garante: “Assim como aconteceu com o livro anterior de Fernando Pires, este se esgotará em pouco tempo. Li-o e fiquei impressionado com tantos detalhes preciosos e curiosos, que, graças a Deus, não ficarão esquecidos sob a poeira do tempo.” Célio Pereira assegura: “Desta feita Fernando Pires se vestiu com um escafandro, e mergulhou o mais profundo para buscar o tesouro que o mar escondia há dezenas de anos, encontrado um baú de fatos históricos por demais significativos para os filhos da terrinha.” Concordo com todos.

   Deixar de ler este livro é abdicar do direito de conhecer nossa história, inteligentemente ordenada, descrita em formato claro e fidedigno. O autor, com a ética que o caracteriza, conta os fatos como eles aconteceram, as “Notas do Autor” sevem para clarear o tema, jamais alterar seu conteúdo.

Flávio Leandro - Pra mim, 2022 será o ano da ressignificação!

dezembro 31, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

 

Tudo que aconteceu nos dois anos anteriores, tudo, é um grito desesperado do planeta... e é consequência direta de meu modo de consumir. Então, neste futuro que irei abraçar quero embalar meus hábitos lá no passado. É lá, no passado dos meus avós, que mora a minha paz, a minha saúde e a saúde do meu planeta. Claro, no passado dos meus avós não mora a ciência dos meus netos, sendo assim, vou usar a ciência dos meus netos no passado dos meus avós, quando ela não impactar negativamente na tão fragilizada existência do nosso planeta.
Quero prestar mais e mais atenção no que consumo: não aceitarei comprar leite com peróxido, goma com formol, manteiga da terra, nata e azeite com óleo de soja, café com misturas mil, queijo batizado, milho, feijão, hortifrutícolas e afins, cujos tratos são a base de veneno e outras firulas.
Chega de enganação!
Fala-se muito em honestidade e a primeira pessoa com quem sou desonesto é comigo mesmo.
Como consumidor eu posso mais do que como eleitor, pois o voto é sazonal e meu consumo é ininterrupto! Mas posso usar o meu voto pra forçar congressistas a criarem mecanismos que melhorem a qualidade do alimento dos que, diferente de mim, não podem escolher, consequentemente, melhorar a qualidade da produção do alimento ao meu dispor, que resultará na melhora do planeta.
Quero descascar mais, desembalar menos...dar luxo, ao meu lixo!
Quero sim... vou sim, usar a Internet do futuro dos meus netos, mas de uma forma responsável, que me faça sobrar tempo pra eu poder usar bem o passado dos meus avós, e assim me aproximar mais de mim, e não da máquina.
Quero me levar para um passeio, sem pisar o pé no freio, sem pensar no fim...vasculhar minhas gavetas, botar tinta na caneta do meu coração, escrever um "eu me amo", cada vez que a voz do mundo me disser que não. Ler meus livros, plantar flores, pra te dar quando tu fores, flor, no meu jardim, acordar essa pessoa, que andou vagando à toa, mas que mora em mim...
Sim,
"Quero meu Forró, morando na literatura... desenhando a arquitetura da cultura popular."
Claro, quero (muito) derrubar a mediocridade que se instalou no país!
Feliz 2022!


Flávio Leandro

Filme produzido no interior da Paraíba vence Festival Internacional de Cinema Infantil

dezembro 31, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


Do PBAgora

    “A Botija é uma tentativa de fazer um resgate histórico da cultura da oralidade que vem se perdendo ao longo do tempo, dessa forma mantendo viva a tradição de propagar conhecimentos presentes no imaginário popular por meio de narrativas e produções culturais”, falou a diretora.

   A animação foi produzida a partir de contemplação na lei Aldir Blanc e a produção foi apoiada pela Prefeitura Municipal de Boa Vista/PB por meio da Secretaria de Educação, Turismo, Cultura e Desportos. A produtora responsável pelo filme foi a Black Raven.

  Com produção de Flávio Alex Farias, dublagem de Rebeca Soares e Rou Tavares e ilustrações do boavistense William Andrade, ‘A botija’ em seu enredo conta a história de Lavínia, uma menina muito curiosa, que viaja no tempo através das memórias do seu avô. Nesse episódio, Manoel conta a história de um homem que se aventura em busca de uma botija que recebeu em sonho.

  “Aproveito para destacar a importância da participação da animação em um festival desse porte, uma vez que a produção consegue uma propagação mais abrangente. Na verdade, não há palavras que consigam expressar fielmente a sensação que essa vitória nos trouxe, então, gostaria apenas de agradecer imensamente a toda equipe que fizeram um excelente trabalho ao dar corpo, voz e vida ao roteiro”, conclui Menara.

Copiado de https://www.pbagora.com.br/noticia/cultura/filme-produzido-no-interior-da-paraiba-vence-festival-internacional-de-cinema-infantil/

O eterno acordeon de Sivuca

dezembro 31, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


   Paraibano que transformou o lugar do acordeon brasileiro dentro da cultura regional e nacional, Severino Dias de Oliveira (1930 - 2006), ou Sivuca, como ficou conhecido, contribuiu para a cultura regional ao levar a expressão da sanfona para os espaços das sonoridades populares, e que fez do instrumento sua extensão, como forma de enaltecer suas origens!

   Ao ter seu primeiro contato com a sanfona, aos 9 anos de idade, Sivuca não demorou muito para encontrar ali sua verve artística, pois já era um nome presente em feiras e festas populares, o que o levou a se mudar para Recife aos seus 15 anos, onde trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco e recebeu o apelido de Sivuca.

   Assim, as portas para o sanfoneiro seguiram se abrindo, e logo em 1951 veio a lançar uma de suas clássicas faixas, ‘Adeus, Maria Fulô’, canção que compôs junto de, a esse momento seu mestre, Humberto Teixeira, se tornando um marco para o baião no país.

   Ao morar em Nova Iorque por um período que perdurou de 1964 a 1976, Sivuca, que se encontrava em uma crescente visibilidade, encontrou a possibilidade de desconstruir a visão da música clássica frente ao acordeon nos espaços dos conservatórios, pois até então era visto apenas como uma forma de matar a solidão dos fazendeiros, não interagindo com a sonoridade da elite.

   Tal feito levou o arranjador e multi-instrumentista a trabalhar para nomes como Miriam Makeba, assumindo sua direção musical, e Harry Belafonte, que apesar do grande impacto para sua carreira, Sivuca não se via confortável para fazer aquilo que sabia, que era tocar a música de sua terra, o sentimento do nordeste.

  Foi então que o acordeonista conheceu sua companheira Glória Gadelha, elo que o trouxe de volta para solos brasileiros, material e espiritualmente, o presenteando com a composição de uma das jóias do forró brasileiro, ‘Feira de Mangaio’, canção que explodiu na voz de Clara Nunes!

  Sivuca viveu com o coração em festa, levando sua feliz sanfona estrada afora, e hoje, 15 anos de sua passagem, sua imagem permanece entranhada dentro da música brasileira, como quem inseriu o acordeon como instrumento presente na cultura popular, e que foi capaz de sentimentar em forma de som a riqueza de suas raízes!

  Para além da música, Sivuca enalteceu a cultura regional nordestina, e confrontou toda forma de negligência que a sanfona sofria dentro do cenário da música clássica e internacional, colocando o ‘instrumento do mato’ para dentro de conservatórios de música do mundo!

Copiado de https://immub.org/noticias/o-eterno-acordeon-de-sivuca

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

A amizade e Feliz Ano Novo

dezembro 30, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Maciel Melo / Foto: Claudio Gomes

A amizade

Os verdadeiros amigos 
não guardam rancores, 
mágoas, nem desafetos, 
e muito menos avareza. 
Os verdadeiros amigos 
guardam saudades, 
lembranças de momentos sublimes, e mesmo distantes mantém o laço afetivo de uma grande amizade. 
Os verdadeiros amigos acreditam na coletividade, na amplidão do ser, no poema que sonha, que ri e que chora, no tesão do agora, no amargo-doce de amar a vida. Os verdadeiros amigos não deixam nada pra depois. 
Os verdadeiros amigos não nos esquecem jamais.

Maciel Melo.

Um feliz ano novo pra você, e todas as pessoas que você ama.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Versos de Saudade - Alexandre Morais

dezembro 27, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Saudades
Versos de Alexandre Morais
Artes de Marcos Pê

Muitas mulheres me amaram
E eu também as amei
Mas por razões que eu não sei
Todas me abandonaram
Umas até retornaram
Mas por virem sem vontade
Foram com facilidade
E por esse vai e vem
Fiz do peito um armazém
Pra empaiolar saudade


Algumas, algumas vezes
Voltaram mais de uma vez
Com muitas fiquei um mês
E com poucas fiquei meses
Mas meus costumes burgueses
Eram pobres na verdade
E o banco da mocidade
Empresta, mas faz cobrança
Fiz do peito uma poupança
Pra depositar saudade


De apaixonado eu fiz fama
Mas no amor só sofri
E saudades já senti
Três vezes da mesma dama
Se ia, ficava o drama
Ao voltar, com falsidade
Trazia só a metade
Da que veio no começo
Fiz do peito o endereço
Da morada da saudade


A saudade é troço ruim
Pesado de carregar
Poucos podem suportar
E muitos pedem o fim
Quem veio por onde eu vim
Sofreu seca e tempestade
E sabe que a liberdade
Não é mar é uma ilha
Fiz do peito uma rodilha
Para o pote da saudade
 
Nessa vida o que se planta
Nem sempre é o que se colhe
Por mais que se adube e molhe
Tem talo que não levanta
Como eu, quem se encanta
Com beleza e quantidade
Esquece da qualidade
E foi não foi quebra a cara
Fiz do peito uma coivara
Com garranchos de saudade


Quando só na noite fria
Ainda escuto o barulho
Que o silêncio do orgulho
Grita na mente vazia
Comprei tudo que eu queria
Mas vendi a lealdade
Comparado à mocidade
Quem foi moto hoje é lambreta
Fiz do peito caderneta
Pro fiado da saudade

Como autêntico boêmio
Em bares eu fiz pernoite
E enquanto existisse noite
Uma taça era o meu prêmio
Agora sofro abstêmio
No balcão da crueldade
E o prêmio é uma grade
Que o coração rodeia
Fiz do peito uma cadeia
Para aprisionar saudade

Na igreja eu pouco fui
Nunca pisei num altar
Porque pensava: casar
Em nada nos evolui
Mas a casa quando rui
É outra a realidade
E solidão quando invade
A roda roda ao contrário
E eu fiz do peito um rosário
Só com contas de saudade

 

domingo, 26 de dezembro de 2021

Pelejas do Pajeú marcam os últimos lançamentos da Cepe Editora em 2021

dezembro 26, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Por Cleide Alves

   Na próxima quinta-feira, dia 30, a Cepe Editora lançará no município de Itapetim, Sertão de Pernambuco, três títulos que evidenciam a produção poética nordestina. Dois deles saem pela Coleção Pajeú e remetem a nomes referenciais do repente, cujos centenários de nascimento são comemorados em 2021: Pedro Amorim (Poeta dos Vaqueiros) e Dimas Batista (Obras Poéticas). O terceiro livro, O Aventureiro e o Boêmiotem coautoria do professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcos Nunes do escritor e advogado Raimundo Patriota, filho de Louro do Pajeú. O lançamento acontece às 19h, na Praça Rogaciano Leite, dentro das comemorações do aniversário da cidade, que completa 68 anos dia 29.



  O amor, o vaqueiro aboiador, a vida no Sertão, a saudade dos pais falecidos e a tristeza pela morte prematura de uma filha serviram de mote para Pedro Amorim escrever as poesias e os sonetos que compõem O Poeta dos Vaqueiros, agora relançado pela Cepe Editora. Nascido em Desterro (PB), em 18 de setembro de 1921, Pedro Vieira de Amorim migrou para Itapetim (PE) ainda criança, onde faleceu em 2011. Tinha na agricultura sua atividade principal, mas era famoso pelas poesias, cantorias e o bom humor.

   Com 116 páginas, o livro está dividido em duas partes: a primeira tem 18 poesias e a segunda, 12 sonetos. O Poeta dos Vaqueiros, publicado originalmente em 1988, ganha nova impressão com acréscimos de versos que Pedro Amorim fez depois, muitos ainda sob o impacto da perda da filha Cléfira. “Meu pai tinha como sonho a reedição deste livro”, informa Bartira Amorim, em nota de agradecimento na abertura do título.

  “O Poeta dos Vaqueiros é a revelação criadora do seu mundo sertanejo, vaqueiro e poeta. Seus versos têm a sonoridade do aboio dos vaqueiros e a virilidade da voz do Sertão”, destaca o advogado José Rabelo de Vasconcelos, no prefácio.



  

  Obras Poéticas - Vindo de uma tradicional família de cantadores, irmão de dois outros nomes estelares da poética sertaneja (Lourival/Louro do Pajeú e Otacílio), Dimas Batista é homenageado pela Coleção Pajeú com a coletânea Obras Poéticas. Cantador, violeiro e repentista admirado por artistas e intelectuais, como Alceu Valença e Ariano Suassuna, foi considerado um metrificador de raro talento e o mais erudito entre os poetas populares.

   “Atrevo-me a reputá-lo como o poeta mais caprichoso que Itapetim ofereceu ao mundo até a atualidade. Seu verso era lapidado, feito sob uma medida ímpar, farto em rima e rico em oração, tal era seu capricho na escultura da estrofe”, destaca no prefácio o advogado, poeta e pesquisador itapetinense Saulo Passos.

  Dimas Batista nasceu no povoado das Umburanas, hoje Itapetim, em 21 de julho de 1921. Começou na cantoria aos 15 anos de idade, por mais de 15 anos ganhou o mundo e fez fama com sua arte, sendo vencedor em todas as contendas que participou. Conviveu, fazendo duplas, com nomes fundamentais da chamada “Era de Ouro” da poesia popular nordestina. Grande mestre, tinha predileção por alguns gêneros poéticos, como o martelo, o galope à beira-mar e o quadrão trocado, considerado um dos mais difíceis, além de grande glosador.

  Aos 50 anos de idade, formou-se em Letras, cursou ainda Direito e Pedagogia. Falava com fluência inglês, francês e espanhol. Abandonou a viola e se tornou professor de literatura e língua portuguesa. Com 265 páginas, o livro Obras Poéticas, Dimas Batista reúne mais de 40 textos, entre poesias, sonetos, versos e trechos de livros publicados ainda em vida. Dimas Batista faleceu aos 65 anos, em Fortaleza, vítima de um acidente vascular cerebral, e foi sepultado em Tabuleiro do Norte (CE), onde residia com a família.


  O Aventureiro e o Boêmio - O livro O Aventureiro e o Boêmio tem como principal objetivo registrar a genialidade de dois grandes nomes da poesia popular, Pinto do Monteiro e Louro do Pajeú, que cantaram juntos por mais de meio século. O valor documental do livro é inestimável. Fica guardada na memória a peleja em que os poetas se enfrentavam fazendo ou respondendo a insultos e provocações. “Esses dois poetas não só estão presentes na cultura popular nordestina, mas já foram tema de estudos acadêmicos em grandes universidades, não só no Brasil, mas até no exterior”, diz o professor e escritor Marcos Nunes.

  Pinto Velho do Monteiro nasceu em 1895, a 21 de novembro, na então Vila do Monteiro, na Paraíba. Exerceu várias profissões, em diversas regiões. Foi vaqueiro, soldado de Polícia, guarda do serviço contra a malária no Norte do país, auxiliar de enfermagem e vendedor de cuscuz no Recife, antes de se fixar na viola.

  Já Lourival Batista Patriota, o Louro do Pajeú, nasceu em 1915, a 6 de janeiro, na Vila de Umburanas, hoje Itapetim. No prefácio, o poeta Joselito Nunes descreve os companheiros de tantas pelejas: Sempre que eu encontrava Louro em São José do Egito era de sandálias japonesas, camisa aberta ao peito, um cigarro pendente num canto da boca, uma bengala pendurada num dos braços, um pacote de pão num sovaco e um livro no outro. Já de Pinto ficou uma imagem que publiquei no livro e que chama a atenção pelo inusitado. Ele deitado na cama, onde passaria seus últimos dias, tendo ao lado uma mesinha de cabeceira, sem nenhum frasco ou caixa de remédio, mas sim com uma bisnaga de óleo singer. Alguma coisa alusiva a uma possível máquina de fazer versos que ali repousava”.

   Os primeiros títulos da Coleção Pajeú, criada pela Cepe para dar mais visibilidade à produção poética sertaneja, foram lançados em junho de 2021: Meu Eu Sertanejo, antologia que reúne 40 poemas do compositor e repentista de Serra Talhada Henrique BrandãoRedes de poesia, primeiro livro do poeta Andrade Lima, com cerca de 170 poemas de temáticas diversas; e Mesas da 1ª Feira de Poesia Popular, que registra as poesias improvisadas por 19 poetas que participaram das três mesas de glosas realizadas na feira promovida pela Cepe, em São José do Egito, em 2019.

 

Serviço:

O Poeta dos Vaqueiros (Coleção Pajeú): R$ 30,00

Obras Poéticas (Coleção Pajeú): R$ 45,00 

O Aventureiro e o Boêmio: R$ 40,00 

sábado, 18 de dezembro de 2021

A boa nova para este Natal

dezembro 18, 2021 Por Alexandre Morais 1 comentário

 Uma boa nova foi anunciada. A data é a véspera da véspera de Natal. O local é uma bodega. E todos estão convidados para receber a mensagem. Aliás, a mensagem e o verso.

Nada de profecias. Estamos só anunciando as obras de dois bem feitores. Ou a obra, porque esta eles fizeram juntos. É o lançamento do livro A Mensagem e o Verso, fruto da fé, das reflexões e das artes de Celso Brandão e Ademar Rafael.

Adiantando uma coisinha, o Cultura e Coisa e Tal fez uma pergunta pra cada um. Ei-las, com as respectivas respostas e fotos:

Celso, qual a mensagem do livro A Mensagem e o Verso?

Nenhuma descrição de foto disponível.

É tentar chegar aos corações das pessoas. Posso até está sendo muito pretensioso, mas na verdade todas as mensagens foram inspiradas no texto sagrado e de forma compilada apresentamos uma mensagem de autoestima, tentando levar alimento para alma que muitas vezes está faminta. É um livro pra se ler todo dia, degustando, sorvendo cada partícula.

 Ademar, qual o verso do livro A Mensagem e o Verso?

Nenhuma descrição de foto disponível.

De forma objetiva o verso se faz presente em cada uma das 200 estrofes conectadas com as mensagens bíblicas e os respectivos comentários. No formato subjetivo o verso aparece como a inserção do “doce da poesia” no ácido cotidiano que enfrentamos.

 

 
Agenda aí:
 
Lançamento do livro A Mensagem e o Verso, de autoria de Celso Brandão e Ademar Rafael
Data: 23/12/21, quinta-feira
Hora: 19h
Local: Budega com Prosa (Budega de Diomedes Mariano, Afogados da Ingazeira - PE)

 

dezembro 18, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

 Os desafios de combater as fake news na época das eleições

Festival de Ciranda do Recife começa neste fim de semana

dezembro 18, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários
Noé Cirandeiro é uma das atrações do evento
Noé Cirandeiro é uma das atrações do evento - Foto: Ashlley Melo / Divulgação

 

Da Folha de Pernambuco

   Após quase quarenta anos, o Festival de Ciranda do Recife volta com força total.  A festa, tradicional no calendário cultural da capital pernambucana, que por muitos anos aconteceu no Pátio de São Pedro, no Recife, agora, se concentra em novos espaços. Nesta edição, os amantes da cultura popular, em qualquer parte do mundo, vão poder prestigiar a dança, a poesia, o ritmo e a musicalidade da ciranda, por meio da internet, rádio e televisão. O evento começa neste domingo (19) e segue até o dia (22).  Serão quatro dias de programação, e mais de 20 cirandeiros, de diferentes regiões e gerações do estado, animando o público.

   O Festival de Ciranda do Recife tem como proposta exaltar a nova geração de mestres e mestras, que vêm preservando esta importante tradição de cultura popular do país. Além disso, tem como proposta festejar a conquista recente de ser consagrado Patrimônio Imaterial do Brasil.  A estreia dos shows acontece neste domingo (19) e segue até o dia (22), sempre a partir das 20h, por meio do canal  da Associação das Cirandas de Pernambuco, no Youtube.

   Fazem parte da programação nomes como, as mestras: Dulce Baracho e Severina Baracho (Abreu e Lima), filhas de um importante ícone da ciranda pernambucana, o Mestre Baracho, natural do Município de Nazaré da Mata. Também integram a grade artística, Cristina Andrade (Recife), Elisete Souza (Cabo de Santo Agostinho), Margareth Laurindo (Goiana).

   Entre os artistas regionais, os mestres: João Limoeiro (Carpina), Zé Dias (Lagoa do Itaenga), Josivaldo Caboclo (Lagoa do Itaenga), Sérgio da Imperial (Recife), Hamilton Filho (Recife), Mestre Bi (Nazaré da Mata), Anderson Miguel (Nazaré da Mata), Ricco Serafim (Cabo de Santo Agostinho), Canarinho (Aliança), Noé (Surubim), Adiel Luna (Carpina), Edmilson João (Lagoa do Itaenga), Natal (Lagoa do Itaenga). 

Transmissão
    O Festival Ciranda do Recife também vai contar com exibições na televisão. A TV Pernambuco, emissora pública do estado, vai levar para os lares de todos os pernambucanos, todo o colorido, arte e cultura da ciranda. Na TV, o telespectador vai acompanhar os shows em dois dias. No sábado, 25 ( Dia de Natal), e também no dia 1º de janeiro de 2022, na chegada do Ano-novo, a partir das 20h.  A TVPE está disponível em sinal digital no Recife e Região Metropolitana, pelo canal 46.1, em Caruaru, pelo canal 12.1. Já em Petrolina, pelo 13.1.
 
   A mesma programação será transmitida pela Rádio Frei Caneca FM, emissora pública do Recife. A ideia é sintonizar os ouvintes  no clima da festa, que reúne importantes nomes da Ciranda pernambucana. Para acompanhar a programação no rádio, é preciso sintonizar a frequência: (101.5 FM).  Os shows também vão ser transmitidos online, no aplicativo e site da rádio.

Origem
   Historicamente, o Festival Ciranda sempre foi realizado no Pátio de São Pedro, bairro de Santo Antônio, no Recife. Entretanto, em virtude do risco de aglomeração e contágio pelo novo coronavírus, será realizado de forma on-line. A apresentação dos artistas será realizada na Casa da Cultura da Cidade do Recife, com a participação do Som na Rural, um equipamento que vem ao longo dos anos se dedicando a divulgação da ciranda. O incentivo para esta ação é do Sistema de Incentivo à Cultura, da Prefeitura do Recife, por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife. Não há presença de público em virtude das regras sanitárias.

   O projeto conta com produção musical: Buguinha Dub, Maciel Salú e Henrique Albino; produtores executivos: Joana D’Arc Ribeiro, Ricco Serafim e Josivaldo Caboclo; proponente e coordenação geral: Hamilton Filho; Gravações e edições de vídeos: Nilton Pereira; assessoria de imprensa: Salatiel Cícero e Hamilton Neto; um seleto grupo de músicos da região da mata norte e agreste, experientes com a musicalidade da cultura popular pernambucana.

   Segundo levantamento, apurado nos registros da imprensa, a última vez do Festival de Ciranda, no Recife, aconteceu em 1986. À época, foi festejado a 12ª edição. Quase quatro décadas depois, não foram encontradas mais informações sobre o evento na mídia.

Conteúdo copiado de: https://www.folhape.com.br/cultura/festival-de-ciranda-do-recife-comeca-neste-fim-de-semana/209696/

 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

dezembro 15, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

 


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

dezembro 14, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


 

O terror da moral e dos bons costumes

dezembro 14, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


Por Matheus Bomfim / IMMuB

   Odair José se auto denomina como “cronista social”, escrevendo músicas narrando sobre o cotidiano com bastante romantismo, como em Eu, você e a praça (1973). Mas além disso, nosso Terror das Empregadas sempre foi um contestador. Seu exemplo mais conhecido desse tipo de música polêmica foi Eu vou tirar você desse lugar, 1972, canção em que o eu lírico declara seu amor para uma prostituta. Contudo, ainda em 1971, no seu segundo disco pela CBS intitulado Meu Grande Amor, temos a faixa Vou Morar Com Ela em que ele entoa:

O meu amor
Foi aumentando
Cresceu demais
E uma hora por dia
Já não resolve mais[...]
Não suporto mais viver longe dela
Não aguento mais, eu vou morar com ela
Não suporto mais viver longe dela[...]
Não aguento mais, eu vou morar com ela
Todo mundo acha que eu não devo ir
Minha família pensa até que eu enlouqueci
Que eu enlouqueci[...]

   A letra pode parecer simples, mas devemos nos atentar a um detalhe, Odair fala que vai “morar” com a amada, e não se casar e constituir uma família como a moral vigente prega. Ele canta sobre o desejo de ter sua amada sem se preocupar com os dogmas sociais, mas ainda não foi dessa vez que Odair foi incisivo e chamou atenção da censura e da sociedade.

  Em 1972, Odair lança um compacto pela CBS, continha a música Eu vou tirar você desse lugar, a famosa música sobre a “puta”:

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar

  Assim como Eu não sou cachorro, não, de Waldick Soriano, essa música é uma daquelas que fazem parte do inconsciente popular, todo mundo começa a cantar se for tocada em uma festa. Foi com essa canção que Odair teve seu primeiro contato com a censura do Regime Militar, foi chamado para depor e explicar a letra, pois, de acordo com um militar presente em seu interrogatório, não era de bom tom o refrão “Eu vou tirar você desse lugar”, os militares acharam que era uma crítica velada ao governo. Foi aí que Odair explicou que a canção se tratava de um homem declarando seu amor para uma prostituta, não era nada com o governo. Foi aí que ouviu um “piorou”, que aquilo não era uma coisa decente para se cantar, e todas essas outras baboseiras moralistas. Foi a partir disso que Odair teve que submeter todas as suas músicas a uma censura prévia.

   Odair questiona a moralidade vigente com essa questão, em que o modelo de família cristã prevalecia, na cultura cristã a imagem da mulher é associada à Eva, feita a partir e para o homem e ao mesmo tempo uma maliciosa que fez com que Adão comesse o fruto proibido. E a partir dessa mesma cultura existem dois exemplos de mulheres, a pura, a dona de casa, submissa ao jugo masculino, associada à figura da Santa Maria, e o segundo, a mulher insubordinada, a da rua, a prostituta, aquela que não segue o modelo estabelecido (Meis).

  Com sua música, Odair mostra que essa mulher merece respeito e ser amada, que no final das contas o que importa é o amor e não interessa o que os outros vão dizer, como a própria música narra.

   Essa não foi única vez em que Odair foi alvo de censura, no ano seguinte teve sua canção Uma vida só (Pare de tomar a pílula) barrada pelos censores, lançada em 1973, no LP que leva o nome do cantor e compositor. Nela Odair conta a história de um homem que pede para sua esposa para de tomar o anticoncepcional e assim eles poderem ter um filho. Contudo, nesse mesmo período o Regime Militar desenvolvia um projeto de uso da pílula anticoncepcional entre as camadas mais baixas e não pegaria bem Odair cantando “Pare de tomar a pílula” para o mesmo grupo que o governo mirava o uso do comprimido.

   Nesse mesmo LP temos a canção Deixe essa vergonha de lado, dessa vez a figura que Odair lança luz é a da empregada doméstica, a balada narra a história de uma moça que tem vergonha de seu lugar social, do seu emprego, ela é uma empregada doméstica e acha que por sua condição de subalternidade pode perder seu amor:

Deixe essa vergonha de lado!
Pois nada disso tem valor
Por você ser uma simples empregada
Não vai modificar o meu amor

   Com essa música nosso artintelectual (Silva, 2017) fala da desigualdade social, de como ela pode influenciar nosso relacionamentos amorosos e ainda mostra como a empregada precisa ser respeitada, lembrando que só no primeiro governo de Dilma a profissão foi regularizada3.

   Com essa música Odair José ganhou a alcunha de Terror das Empregadas, acharam que ele só queria transar com empregadas com essa música, o que importa é que fez sua parte em cantar sobre essa classe, que como tantas outras, é desvalorizada em nosso país e que para o amor verdadeiro não existe barreiras de classe, pois quando o amor existe, não existe tempo para sofrer.

Copiado de: https://immub.org/noticias/o-terror-da-moral-e-dos-bons-costumes

dezembro 14, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


 

Maciel Melo - Crônicas de um Cantador

dezembro 14, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Uma vaga-lembrança


Quando um laço se desata é porque o aperto do nó não foi suficiente para segurar o embrulho. Às vezes um abraço escapole por falta de um aperto a mais, e perdemos a cintura que estava dentro dele por negligência, descuido, ou talvez por razões que a própria razão desconhece.
Há coisas que não tem explicação, mas são reais, e é preciso ter a consciência que aquilo pode tomar volume, se agigantar e aí, não há rédea que segure um galope desembestado.
Tudo começa e termina quando tem que acontecer. Há começos que já nascem com o fim premeditado. Não me iludo muito com a eternidade das coisas. Prefiro a intensidade do momento, e se alguém me perguntar se já amei, direi que o passado foi o bastante para me convencer que todo amor quando começa, tem a ilusão que nunca terá fim, mas é só ilusão.
Saber envelhecer é uma dádiva. Tudo envelhece, inclusive o amor. Há os que se acostumam, se acomodam, e toleram-se mantendo a distância necessária entre o perto e o longe sem se preocupar com o fim. Mas há os que se eternizam, dissimulando os deslizes, escondendo as marcas, remediando as dores, disfarçando as cicatrizes e concertando os erros para que perdurem até que a morte os separe.
O mundo é um moinho; como diz uma antiga canção de Cartola. Uma roda gigante que gira sem sessar, e assim segue a humanidade. É preciso olhar o fronte com a espinha ereta e seguir adiante sem mágoas, sem ódio e sem rancor. É assim que penso que deveria ser, e assim será sempre a melhor forma de viver em paz.
Enquanto houver a esperança, enquanto alguma coisa se bulir no corpo, alguma ideia assanhar o juízo, e as imagens se mexerem à nossa frente, mesmo que embaçadas, vale a pena saber que toda maneira de amor vale a pena. Isso sim, deve ser uma constante.
As pessoas passam, os amigos ficam, os amores vão e vem, e levam e deixam marcas no passado, que com o tempo se dilui e tornam-se apenas uma vaga-lembrança.