Pinto do Monteiro de gota em gota... 02

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Esta eu conheci através do advogado, professor, poeta e mais um rebanho de coisas boas José Rabelo. Comparando os poetas populares aos eruditos, destacou como sendo comum entre estes o uso da aliteração: registro repetido de sons, letras ou sílabas para enfatizar, dramatizar ou dar vida, como se diz, ao que é escrito ou falado. Exemplificando, citou Euclides da Cunha ao narrar uma cena de guerra (Canudos) usando ... no crépito crepitar dos tiroteios..., repetindo propositalmente o "r" com sons que lembram uma rajada de metralhadora. Aí comparou o professor:

"O poeta popular também faz isso. Pinto do Monteiro (foto) certa vez foi cantar numa cidade e chegando lá hospedou-se na casa do parceiro cantador. Ao iniciar a cantoria, como lhe era natural, Pinto começou a sobrepor-se ao colega. Acuado, o cantador fez um verso passando a mensagem que Pinto agora tava pisando ele, mas que tinha comido de sua bóia. A Cascavel de Monteiro não se fez de rogado e disparou:

Eu comi lá na tua casa
Um tal de feijão macaça
Pouco, puro, preto, podre
Chafurdado da fumaça
E se o problema for esse
Eu pago aquela desgraça

Aos risos, concluiu o professor: veja essa repetição do "p" soando como pou, pou, pou, pou... são tiros disparados contra o oponente. Ademais, eu não conheço uma letra mais pornográfica do que P".

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