Me enganei com minha noiva

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estes versos são bem conhecidos pelos que gostam da poesia engraçada, mas por vezes são ditos como sendo de autoria do forrozeiro Amazan, em função deste ter os gravado em um de seus discos. O autor, no entanto, é Luiz Campos, poeta de Mossoroense (RN). Este aí da da foto.

Quando sortêro eu vivia
Era o maior aperrêi
Devido eu ser muito fêi
As moça num me quiria
Quando prum forró eu ia
Cum quarqué colega meu
Eles confiava neu
Ia bebê e dançá
No fim da festa arengá
E quem ia preso era eu

Prumode arranjar namoro
Eu toda vida fui mole
Cantei samba, puxei fole
Usei um cabelo loro
A boca cheia de oro
Chega briava de dia
Quando prum forró eu ia
Cherava feito uma rosa
Mas quando eu caçava prosa
As moça num me quiria

Eu dizia – É catimbó
Que arguém butô e num sai
Mamãe casou com papai
Vovô casou com vovó
Inté meu mano Chicó
Munto mais fêi do que eu
Namorou, casou, viveu
Cum duas muié, inté
Só eu num acho muié
Que quêra se esfregar neu?

Um dia Deus descuidou-se
E o satanás se esqueceu
Que Vicença oiou pra eu
Cum zoião de bico doce
O nosso amô misturô-se
Cuma feijão cum arroz
Se abufelemo nós dois
Num amô tão violento
Que maiquemo o casamento
Pra quatro dia dispois

No dia de se amarrá
Se arrumou eu e ela
Dei de garra na mão dela
Fui pra igreja casá
Cheguei nos pés do artá
Recebi a santa bença
Jurei num tê desavença
Entre eu e minha esposa
O padre dixe umas cousa
Eu eu fui vivê mais Vicença

Cheguei im casa mais ela
Fui logo mi agazaiando
Que mermo eu ia pensando
De drumi com a costela
Vicença fez uma novela
Pru dentro da camarinha
Quebrou uns troço que tinha
Me ameaçou na bala
Findou drumindo na sala
E eu me lasquei na cunzinha

Da vida eu perdi o gosto
Pruquê Vicença fez isso
De manhã fui pro sirviço
Mas pra morrê de disgosto
Cheguei im casa o sol posto
Vicença me arrecebeu
Inté um café freveu
Botou pra nós dois ceá
Mas quando foi se deitá
Nem sequer oiou pra eu

De Deus eu perdi a crença
De nome chamei uns trinta
Botei a faca na cinta
Fui cunversá com Vicença
Vicença deu a doença
Quando eu falei im amô
E preguntô – O sinhô
Pensa qui eu sou o quê
Só me casei cum você
Pra lhe fazê um favor

Bati cum ela no chão
Puxei a lapa de faca
Cortei-lhe o cós da casaca
E o elastro do calção
Vicença tinha razão
De num querê bem a eu
Num era cum nojo deu
E nem pruquê fosse séra
Sabe Vicença quem era?
Era macho qui nem eu

Eu munto me arrependi
Pruquê me casei cum ela
Falei logo cum o pai dela
E de manhã devorvi
Grande desgosto senti
Que quage murria, inté
Home em traje de muié
Tem munto de mundo afora
Só caso com ôta agora
Sabendo logo quem é

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