Um soneto de Bilac...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Não és bom, nem és mau: és triste e humano
Vives ansiando, em maldições e preces
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano

Pobre, no bem como no mal padeces
E rolando num vórtice insano
Oscilas entre a crença e o desengano
Entre esperanças e desinteresses

Capaz de horrores e de ações sublimes
Não ficas com as virtudes satisfeito
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes

E no perpétuo ideal que te devora
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora

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