Belezas da minha terra

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Em Tabira tive o prazer de conhecer o poeta Zé de Mariano. Ele me mandou um dos seus versos. Vale a pena dividir com vocês:

Quem não conhece belezas,

Venha ver no meu sertão.
Por exemplo, uma morena
Em uma noite de São João,
Um caboclo dançarino
Dançar pancada de sino,
Um canário cantador,
Um sabiá na gaiola,
Dois cantadores de viola
E um vaqueiro aboiador.
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Um carro de boi cheirando
A fumaça do cocão,
Um vaqueiro perfilado
Vestido no seu gibão,
Um cascavel enroscado,
Cachorro tangendo o gado,
Sem relho, cipó, nem pau,
A folhagem ressurgindo
E um tronco de pau servindo
De palco pra um bacurau.

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Um triângulo com três pedras
Segurando uma panela,
O fogo embaixo aquecendo
E o feijão pulando nela.
Um cão de caça acuado,
Um formigueiro assanhado
Chamando um tamanduá,
Um engenho de rapadura
Botando liga e doçura
Na cera do arapuá.

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Uma noite enluarada
Inspirando um seresteiro,
A defesa de mutucas
Com ramos de marmeleiro,
Um garrote estrupiado,
Dois bois puxando um arado,
Duas casacas de couro,
João de barro em sua casa
E um sapo engolindo brasa
Pensando ser um besouro.

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Acordar ouvindo o canto
Das águas na cachoeira,
Ver uma cabra parindo
Na sombra de uma aroeira,
Uma roça encoivarada,
Bem no centro uma latada
Um pote com água fria.
Ver um anum soluçando
E uma cigarra cantando
No pino do meio dia.

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Aqui a serra estremece
Com o trovão da trovoada,
O vento leva consigo
Cheiro de terra molhada,
Um carão sem companhia
Faz prece na noite fria
Pedindo a DEUS pra chover,
Rouxinol sai da biqueira,
Se exibe na comieira
Esperando o sol nascer.

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