Flores murchas

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Tá chegando o dia das crianças e a mídia já deu a largada desenfreada da corrida do consumismo. Mas com poeta é diferente. Poeta provoca a crítica, chama pra reflexão e dana os dois pés no freio da alienação. Lê Diniz Vitorino e compara com o que vai sair na televisão. Depois tu me diz.


Criancinhas andarilhas

Anjos em cães transformados

Fetos da pobreza, filhas

De loucos desajustados

Oriundos das entranhas

De mães sem almas, estranhas

Nunca vistas na cidade

Que em recantos escuros

Pecam gerando os frutos

Germes da sociedade
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Filhos do morro e do mangue

Intrusos desde meninos

Por terem no corpo o sangue

Dos ancestrais peregrinos

Que na miséria viveram

Desiludidos encheram

De revolta o peito aflito

Morreram como indigentes

Deixando pros descendentes

Seu infortúnio maldito
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São frutos de pais nefandos

Células da carne odierna

Subalternos dos desmandos

De quem a pátria governa

De nós mesmo que não temos

Compostura e elegemos

Governos irresponsáveis

Que sem pena de ninguém

Fazem dos homens de bem

Loucos irrecuperáveis
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Alvo das negras repulsas

Dos seres sem competência

Rosas sem seivas, expulsas

Dos jardins da inocência

Companheiras da penúria

Machucadas pela fúria

Do vendaval criminoso

Bonecas vestindo trapos

Rasgadas pelos sopapos

Do destino impiedoso
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Jovens que tem como escolas

Palavrões do banditismo

Por alimento, as esmolas

Do sujo capitalismo

Por morada, a noite escura

Por leito, a calçada dura

Por conselheiro, ninguém

E por carrasco, o imprevisto

Por defensor, Jesus Cristo

Porque foi mártir também
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Ovelhinhas desgarradas

Dos apriscos sociais

Até serem metralhadas

No covil dos marginais

Depois de mortas no chão

Nem flores murchas terão

Cobrindo as carnes geladas

Mas terão pousadas novas

Como inquilino das covas

Darão descanso às calçadas

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