Todo dia muda a cor...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Outro dia Annamélia, a musa da Prata, pediu pra eu fazer uns versos em cima deste conhecido mote do Mestre das Artes, Zé de Cazuza: Todo dia muda a cor / Do quadro da minha vida. Me arrisquei, traçando três estágios de uma vida completa:

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O jovem

-

Até os dez eu queria

Logo quinze completar

Nos vinte fiz despertar

O senso da honraria

Hoje vejo cada dia

Como graça recebida

Valorizo cada ida

Pois a volta é um supor

Todo dia muda a cor

Do quadro da minha vida
-
O maduro
-

Um novo quadro se pinta

Dizendo ao bom ouvinte

Quarenta não são dois vinte

Sessenta não são dois trinta

Não sei quem compôs a tinta

Da obra da despedida

Mas sinto os pincéis da lida

Negrejando sem clamor

Todo dia muda a cor

Do quadro da minha vida
-

O velho
-

As orelhas tão crescendo

A vista ficando curta

O juízo de quem surta

E o sexo é só querendo

Aí pego percebendo

Tô na reta da descida

Que é mais curta que a subida

E a carga é só de dor

Todo dia muda a cor

Do quadro da minha vida
-

1 comentários:

Vinícius disse...

Bunito, poeta!

Uma ideia nova em um mote antigo... Isso é o que faz a diferença!

Abraços e parabéns

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