Minha Coluna de Janeiro no Jornal O Movimento

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um soneto de Maciel Melo

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Pelos cantos da casa

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A saudade invadiu a minha casa



Pelas brechas da alma foi entrando



Se encostou pelos cantos, foi ficando



A tristeza emplumou-se, criou asa

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Fez um ninho, ciscou, espalhou brasa



E a este escarcéu fui me entregando



Vejo vultos velozes vagueando



E uma lágrima de quando em quando vaza

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E os meus olhos pingando, olhando as telhas



Minhas lentes de contato estão vermelhas



Pois vermelha é a cor dessa paixão

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Saudade é um amor que de longe se retrata



Um carinho distante que maltrata



É um aperto que dá no coração

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É ele mesmo



É do próprio caboclo sonhador essa lapa de soneto aí de cima. O bicho é poeta cantando e poetando também. Foi o jeito que ele definiu saudade, tão própria e ricamente quanto outros registros pra essa dor de todos nós que dá poesia na medida que dói. Tu que é mais atento já visse que esse soneto é a música que abre o disco Sem ouro e sem mágoa, o mais recente dele. Aí vai me perguntar: e num tá faltando um pedaço, não? Tá não! Pra virar música foi que ele ganhou um pedaço a mais. Mas nasceu soneto, desse jeito aí que tá escrito.

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O pedaço de Xico


Maciel diz que para musicar repassou o danado pra Xico Bizerra, outra grande coisa boa da música boa. Acrescentaram mais quatro linhas, botaram melodia e o bicho ficou bom de ouvir, de roer e de dançar. O pedaço a mais é assim: Abri a porta, tirei a chave e a tramela / E na janela um bilhete dizendo pode entrar / Que essa saudade faz tempo que me devora / Não vejo a hora de poder recomeçar. Decorou? Então cante.

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Mudando de assunto


Eu nunca gostei mesmo de Boris Casoy com aquela cara de veia d’A Praça é Nossa. E digo com minha pouca experiência: desconfie de gente que acha que o mundo todo tá errado e que só ele é que tá certo. Aquela mania de comentar sarcasticamente todas as notícias, além de desnecessária, é irritante. Taí! Caiu a máscara! O tal apareceu na TV praticando um dos mais graves crimes da espécie humana: a discriminação social. E contra quem? Uns garis. Quisera o mundo contar com jornalistas tão dignos e humildes quanto os garis que eu conheço.

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Valeu, poeta!


Rogério Meneses, o cantador, foi notícia nacional de novo como vereador. Presidente da Câmara de Caruaru que é, deu seriedade à Casa que era uma vergonha pra Capital do Forró. Agora no fim do ano o homem devolveu para a Prefeitura quase R$ 1 milhão. O dinheiro sobrou e voltou pra o Executivo transformar em ações norteadas pelo próprio Legislativo. Aí uma das notas na imprensa referente ao caso terminou dizendo: Detalhe, Rogério Meneses é poeta repentista. E eu digo: detalhe, nada, esse é o ponto principal da grandeza e da moral deste homem. Como diria meu amigo Luiz do Crediário: VALEU, POETA!!!

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Pra ouvir


Sinfonéia Desvairada (Fulorando) >>> Antonio Carlos e Jocafi (Série 20 Super Sucessos) >>> Val Patriota e Raízes do Pajeú (Até que em fim) >>> Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (Jorrando cultura).

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Pra acessar


www.nopedaparede.blogspot.com www.vozdosertao.blogspot.com www.culturanordestina.blogspot.com

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Pra refletir


“Quando estou ocupado em servir os outros, não olho pra mim mesmo como um prestador de favores, mas como um pagador de dívidas.” Benjamim Franklin, escritor e político norte-americano

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O abraço da coluna para o prefeito Albérico Rocha, de Iguaracy, pela decisão de trazer e trazer de novo Maciel Melo para a festa de São Sebastião. Ter um assombro como Maciel e fazer de conta que não o tem não combina com um povo grande. E Viva o Santo Guerreiro!

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E ninguém diga que eu tô chaleirando demais Maciel, não, porque o neguim merece.

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E também num diga que eu tô querendo agradar Albérico, não, porque esse negócio de alisar prefeito eu sempre achei que só fica bonito mesmo pra primeira dama. Uns que são sem opção e gostam até demais de tá do lado deles enquanto eles tão lá.

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E Biu Doido de São José do Egito ia pela rua comendo um pão. Uma moça, num sei se inocentemente ou mesmo preparando uma boa tirada de Biu, perguntou: Comendo pão no meio da rua, Biu? E Biu, ligeiro e sisudo: Eu vou bem alugar uma casa só pra comer um pão!

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Como diz meu poeta João Paraibano: Um cheiro na aima e até de novo.

2 comentários:

Lidia disse...

EITA QUE VALEU A ESPERA...
A GENTE DÁ UM TEMPINHO E SE DEPARA COM ESSE TURBILHÃO DE COISA BOA !!!!!!!!
ESSE É O QUE TARDA MAIS NÃO FALHA. BJIMMMM

Taiza Maria!! disse...

Fazia tempo que eu não passava por aqui... e quando vi era coisa demais pra ler.. e deu vontade de comentar sobre Xico Bizerra, e sobre Maciel, e sobre Rogério Menezes... mas o teu não gostar de Boris Casoy "com aquela cara de veia d’A Praça é Nossa" me fez dar tanta risada, que esqueci o que ia falar!!

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