Minha coluna deste mês no Jornal O Movimento

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um soneto de Job Patriota
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Desilusão
.


Sonhos, quimeras, ilusões, amores

Tudo tive na minha mocidade

Mas o tempo, na sua tempestade

Faz com o dia como faz com as flores
.


Fiz das horas os meus elevadores

Pra subir a montanha da idade

De cujo cimo fitando a imensidade

Eu pensava viver como os condores
.


Nessa triste ascensão de amargas horas

Vi somente crepúsculos ao invés de auroras

À velhice cheguei aos solavancos
.


Nem mais vestígios das primeiras cenas

Por lembrança de tudo, herdei apenas

Branca coroa de cabelos brancos
.


O lírico

Job Patriota de Lima foi, unanimemente, o poeta mais lírico destes tempos de poesia nestas terras do Pajeú. Os sentimentos latejavam nos versos e tocavam o ouvinte como se entranhando na alma. Impressionava com seus versos e declarava-se fervorosamente impressionado com os bons versos que ouvia. Dedé Monteiro diz que ele transmitia uma paz e uma energia de arrepiar os presentes. Natural de São José do Egito, nasceu em 01 de janeiro de 1929 e foi versar pra Deus em 11 de outubro de 1992.


Quem ama

O poeta Ésio Rafael, no livro Na senda do lirismo, de Job, transcreve um pensamento, também de Job, que traduz bem o modo como ele, Job, fazia-se simples: “Não só é poeta quem faz poesia. Quem ama também é!” Ôh jeitim fácil de dizer as coisas, de viver, de ser poeta, de ser gente. Job foi poeta e amou a vida e a poesia de uma forma ímpar. Por isso herdou muito mais do que uma ‘branca coroa de cabelos brancos’. Mas quem herdou mais mesmo foi a poesia e nós que ficamos com seu patrimônio poético.


Na tela

O soneto As quatro velas, de Dedé Monteiro, já apresentado nesta coluna, agora é vídeopoema. Está inscrito no concurso Poesia ao Vídeo, promovido pela organização da Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto. A gravação foi feita com o próprio Dedé e, cá pra nós, independente do resultado do concurso, ficou a altura do que o poeta merece. Neste início de outubro o vídeo será divulgado para apreciação e deleite geral. A descoberta do concurso e a idéia da gravação foi de Cláudio Gomes, o fotógrafo aspirante a cineasta.


Os Zés

E o Pajeú rendeu mais duas homenagens aos poetas Zé Dantas e Zé Marcolino. Em Carnaíba houve a 17ª Festa em honra ao primeiro e em Tabira a 23ª Missa em memória do segundo. Em ambas, a receita do bem fazer: simplicidade e qualidade. Viva as duas cidades e os dois eventos, e viva quem os faz.


E o João

E vem aí a festa do João. É o festival de cantadores promovido pelo poeta João Paraibano. Dia 11 de outubro, no MG Bar. Coisa pra não se perder.


Pra refletir

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Charles Chaplin, ator e diretor inglês.


Revista

Como tinha anunciado, estreei na Revista Cidades. Tá circulando a edição com a primeira página Cultura e coisa e tal assinada por mim. O trabalho pode ser visto também pela internet no endereço http://www.amupe.org.br/. É só clicar no link da revista, no lado esquerdo da tela e depois clicar na página 42 que vai aparecer minha carinha. Mas aproveite pra ver a revista toda. Tá muito boa.


Seu Candolfo de novo

E perguntaram se tinham outras estórias de Seu Candolfo, aquele falado aqui na edição passada. Lembrei de uma. Lá foi Candolfo pra um comício fracassado. Candidato ruim, pouca gente, nenhuma empolgação. Só que Candolfo era do tipo apaixonado pelo candidato e do tipo exagerado também. Sabendo da decepção, perguntaram só pra ouvir a resposta: - Seu Candolfo, e o comício tinha muita gente? E ele, sem dar o braço a torcer: - Tinha mermo! Só com o nome Candolfo tinha cinco! E eu pergunto a tu: será que é fácil juntar cinco cabra com um nome desse num lugar só?


É isso aí! Vou indo pra voltar depois. Té logo!

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