Umas coisa bem dizida

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

     Ontem chegamos eu, Dudu Morais e Gonga Monteiro num bar em Tabira, que eu fico devendo o nome, mas que fica ao lado do Mercado Público. Os vaqueiros Lila e Rildo já estavam lá e logo pediram um “verso de gado”. Dudu pediu o mote. Eu demorei uns 5 minutos pra fazer o mote e ele fez o verso em 5 segundos:


Pra fazer verso ligeiro,
Hoje a tarde está completa.
Tem eu, metido a poeta,
E Lila um grande vaqueiro.
Rildo, um forte fazendeiro,
Que tem a pegada exata,
Procura dentro da mata,
Pega o boi, amarra e prende.
Boi valente não se rende,
Vaqueiro bom não maltrata.

     Quando foi com mais um pouco, conversávamos sobre a poeticidade pujante de Dudu. Eu e Gonga bebíamos cachaça com limão e Dudu, que não bebe, aturava a gente. Gonga começou a escrever um verso próprio num guardanapo pra me repassar e eu provoquei Dudu, pensando que estava dando um mote difícil, pelas rimas escassas. O danado num piscou os olhos nem três vezes e disse:

No recanto da mesa de um bar
Dois poetas se pegam conversando.
Eu, menor, fico só observando
E prestando atenção nesse lugar.
Um começa ligeiro a rabiscar,
Outro manda uma rima tão medonha...
Um limão, que é da cor duma pamonha,
No final da bebida é só a casca
E Dudu, sem beber, hoje se lasca
Aturando dois “bebo” sem vergonha.

     Gonga, mesmo já acostumado com a fera, quase joga a caneta fora, admirado com a capacidade de improviso de Dudu. Aí tomamos outra lapada em nome da arte.



Guardem esses nomes – Dudu Morais e Gonga Monteiro – que eu ainda vou falar muito deles por aqui. E por aí também.

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