Mote em quadra

segunda-feira, 11 de abril de 2011


Pouco usual, mas válido, há o mote em quadra. Na verdade, uma quadra que se desdobra em quatro motes para quatro décimas. Outro dia eu fiz isso aí:

Do que fiz em minha vida
E do amor que foi meu,
Não conto nem a metade
De tudo que aconteceu.


Escrevendo por mil linhas,
Falando por mil minutos,
Passando por mil redutos,
Deixando mensagens minhas...
Ou contando historinhas,
Sendo cada uma ouvida,
Muitas vezes repetida,
Regravada e remontada
Ainda não conto nada
Do que fiz em minha vida.

Nas passagens falaria
Em sonhos, realidade,
Regresso, ida, saudade,
Confrontos e calmaria.
Meninices, velharia,
Vaidades do meu eu,
Traquinagens do liceu,
O bom, o bem e o atraso,
Coisas do fundo, do raso
E do amor que foi meu.

Mas meu tempo é curto
E meu passado é extenso.
Quanto mais nele eu penso
Mais meu próprio tempo furto.
Já me toma como um surto
O registro da idade,
Redobro minha vontade
De rever a trajetória,
Mas do todo da história
Não conto nem a metade.

E do pouco que relato
São grandes as descobertas...
São muitas passadas certas.
A Jesus sou muito grato.
Entre a verdade e o fato,
A diferença sou eu,
Que só conto o que é meu
Sem temer quem me afronta,
Só no céu eu presto conta
De tudo que aconteceu.
 .

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