Liberdade condicional

terça-feira, 6 de setembro de 2011


Assim foi e assim fiz, um dia desses...

Num pequeno bar sentei,
Logo na primeira mesa,
E qual foi minha surpresa
Quando a vista levantei:
Só grades eu avistei
Ao redor da triste sala...
Me senti numa senzala
Ou mesmo numa prisão,
E a peixeira da aflição
Cortou-me a alma e a fala.

Mais acima, junto ao teto,
Cantava, desencantado,
Um golinha engaiolado,
Talvez implorando afeto.
Igual a mim, era um feto,
No ventre da crueldade,
Feito da tala e da grade
Que cercavam nosso mundo,
Nos lançando ao submundo
Da falta de liberdade.

Fugi daquela cadeia,
Não fiquei nem mais um pouco,
Corri igualmente um louco,
Deixando a cerveja cheia.
Até hoje me rodeia
O pavor daquela hora.
Chamei o dono pra fora
Pra acabar meu sufoco.
Paguei dez, deixei o troco,
Dei as costas, fui embora.

Mas golinha, eu fui covarde
Por não trazer-te comigo...
Hoje a chama do castigo
No meu peito ainda arde.
Quem sabe um dia, mais tarde,
Te encontre solto ou num ninho,
Pra o poeta ao passarinho
Poder pedir mil desculpas
E aliviar-se das culpas
De ter fugido sozinho.

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