Mesa de Glosas de Tabira 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012



     Tabira, mais uma vez encantada e encantando, vivenciou durante toda a semana passada a 25ª Missa do Poeta. Dentro da programação, a 16ª Mesa de Glosas, este ano inovando, pois foram duas mesas: uma com motes setissílabos e outra com motes em decassílabo. Estava eu lá na mesa de versos em sete e o primeiro mote posto à glosa foi Venha comer um pedaço / Do bolo da poesia. Como era minha estréia na mesa, sai-me com esta:

No passado estava aí,
Abrilhantando a plateia,
Mas mexia na ideia
Vontade de estar aqui...
Eu ficava por ali,
Dizendo: quem sabe um dia!
Até que com alegria
Dedé disse num abraço:
Venha comer um pedaço
Do bolo da poesia.

      Depois saiu um mote de seca, muito próprio para o momento e até puxando para o gracejo, dando a entender que a coisa tá tão braba que nem jumento tá agüentando. O mote foi Se a seca demorar mais / Eu vendo até meu jumento. Como não encontrei um verso engraçado no juízo, falei foi sério:

Quando chega a invernada
O nevoeiro aparece
E relampo risca um “S”
Na tela da madrugada.
Mas nesta seca danada,
O “S” é do sofrimento
Com mais o “T” do tormento,
Judiando os animais
Se a seca demorar mais
Eu vendo até meu jumento.

     Daqui pra frente não lembro mais a sequência. Este lembrou três gênios de nossa história recente: Zé Marcolino, a quem se dedica a missa; Luiz Gonzaga, que dispensa comentários e o poeta Cancão, de São José do Egito, também lembrado por seu centenário de nascimento. O mote foi Saudades de Marcolino / Luiz Gonzaga e Cancão e eu disse:

2012 é marcante:
Lembra Luiz centenário,
Lembra Cancão legendário
E Marcolino, o gigante.
Cada um foi um amante
Das coisas do nosso chão...
Fizeram verso e canção
Que ainda soam como hino
Saudades de Marcolino,
Luiz Gonzaga e Cancão.

     Teve também esse mote de amor ou de roedeira ou de desengano, seja lá qual for o norte que o poeta queira lhe dar. Eu segui esta última opção e assim fiz para o mote Embriaguei-me no vinho / Da beleza que ela tem:

Eu tive uma nega dessas
Que só mente e só engana,
Que deixa o cabra sem grana
E a vida pelas avessas.
Me iludi nas promessas
E dela virei refém...
Beleza não presta sem
Conteúdo e sem carinho
Embriaguei-me no vinho
Da beleza que ela tem.

     E como a época sugere, surgiu uma crítica política: E a conta do mensalão / Quem diabo vai pagar? Glosei assim:

Tem promessas à vontade
Pelas bocas dos políticos,
Mas precisamos ser críticos
E rejeitar caridade.
Quem já fez tanta maldade
Quer hoje se superar,
Mas vamos lhes perguntar
No dia da eleição:
E a conta do mensalão,
Quem diabo vai pagar?

     Nesse eu até gaguejei e quase que não sai o final, mas, claro, tenho que registrar também. Para Quem bate em mulher devia / Apanhar do mesmo jeito eu fiz:

Tem cabra que é valentão
Mete a cara na cachaça
O dia bebendo passa
Cuspindo o pé do balcão.
Depois dum grande pifão,
Em vez de deitar no leito
Botando a mulher no peito
De conduta se desvia
Quem bate em mulher devia
Apanhar do mesmo jeito.

     Como não carrego nenhuma cruz, não quis carregar nem no verso. Aí tentei colocar na voz de outra pessoa o mote Essa cruz que eu carrego / Foi feita pra dois de mim. Ficou desse jeito:

Diante dos irmãos meus
Dou o pão, tiro um pedaço
Pedem a mão, dou o braço
Porque confio em Deus.
Mas tenho amigos ateus
Que acham isso ruim
E repetem sempre assim:
(Se estar com eles me nego)
Essa cruz que eu carrego
Foi feita pra dois de mim.

     Pra terminar e abrirmos espaço para o “time do mote em dez”, nos foi lançado a tradicional despedida: Adeus, até outro dia...

Por aqui só tem meu chapa:
Tem Gonga que é meu compadre,
Tem Genildo que é meu padre
E Dedé que é o meu papa...
Os outros formam o mapa
Por onde o verso se guia...
E se vir hoje eu queria
Muito mais quero voltar
E volto se escutar:
Adeus, até outro dia!

     Este mote foi dito em coro pela plateia.
     E assim foi assim...

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