Eu fui ao 5º Pajeú em poesia e gostei muito!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

     Aconteceu no último dia 25/12/2012 o 5º Pajeú em poesia, um evento que homenageou o repentista que melhor canta as coisas do sertão – João Paraibano. O evento ocorreu em Afogados da Ingazeira no Beto Show, foi organizado por Alexandre Moraes e contou com a participação de vários expoentes da poesia pajeuzeira como o decano Dedé Monteiro, que coordenou a mesa de glosas.
     Um dos destaques do evento para mim foi a participação de muitas mulheres jovens, que por sinal, têm mais charme ao declamar do que os poetas do sexo masculino. A participação das jovens poetisas até que poderia ser um tema de monografia e várias perguntas poderiam ser feitas de imediato: Por que as mulheres estão ocupando com tanta competência um espaço que antes era de domínio dos homens?  Poderemos em breve termos um recital, um festival ou uma mesa de glosas somente com mulheres? O fato é que a poesia do Pajeú continua viva e inovadora e esta região permanece sendo um filão para ser explorado por pesquisadores e um espaço de magia para se banhar a alma com o que há de mais sublime em nossos sentimentos.
     Um garoto de 8 anos de idade, Samuel de Tuparetama, roubou a cena declamando versos como gente grande, alimentando a esperança da poesia rebrotar como árvore da caatinga que quando é decepada insiste em não morrer, brotando nas primeiras chuvas.
     Além do recital com a nata dos poetas de ofício, houve a mesa de glosas e a homenagem dos violeiros fazendo apologia a João Paraibano e no fim, o próprio João juntamente com Sebastião Dias fecharam o evento com chave de ouro, arrancando aplausos da plateia. Portanto, quem não foi perdeu e para consolo resta agora se preparar para o sexto, no ano que vem. E para finalizar deixo um mote de minha autoria e a primeira glosa:


João Paraibano é quem  canta
As coisas mais puras do Sertão
Uma junta de bois a desfilar
Arrastando um carro ou um arado
O vaqueiro aboiando com o gado
O feijão no momento de florar
Uma vaca com a língua a banhar
O bezerro sem água nem  sabão
A plumagem e o canto do cancão
Que a todo sertanejo encanta
João Paraibano é quem  canta
As coisas mais puras do Sertão


Por: Miguel Leonardo
Membro da Academia Serra-talhadense de Letras, professor  de Geografia da rede estadual de Pernambuco e prof. titular da FAFOPST.


Obrigado, professor!

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