O Pajeú de nós dois

quarta-feira, 22 de maio de 2013



    Menino, vá estudar é uma das faixas do CD O Pajeú de nós dois, que eu gravei com Genildo Santana. A ideia é dizer que poesia é poesia e poeta é poeta, rompendo com as más interpretações de que poesia "só presta com rima" ou que "rima e métrica amarram a criação poética". Que é isso? Poesia ou é ou não é. Não importa como seja feita, qual a opção do poeta ou coisas parecidas.
    Vamos estudar e adorar a arte em todas as suas faces, caras e caretas. É isso aí, tenho dito!

Menino, vá estudar

Menino, vá estudar
Juízo na seca seca
Veja na biblioteca
O que tem a lhe esperar
Leia José de Alencar
Em sua obra completa
Leia sem fazer dieta
Um Cassimiro de Abreu
Leia Augusto em seu “EU”
Mas conheça meu poeta

Um Lobato, que fez belo
Leia, releia e cite-o
E se embrenhe pelo Sítio
Do Pica Pau Amarelo
Veja o recado singelo
Duma Cecília, a discreta
Leia sem definir meta
Sem contar a quantidade
Devore Drummond de Andrade
Mas conheça o meu poeta

Castro Alves e Amado
Os gênios da terra mansa
Carregue em sua lembrança
Como um tesouro guardado
Dum Neruda em separado
Faça leitura seleta
Leia numa tarde quieta
Um Fred Garcia Lorca
Ariano e sua porca
Mas conheça o meu poeta

Leia Bilac e Raquel
Bandeira como se manda
E dos Buarque de Holanda
Tudo que foi pro papel
Pessoa, a pena fiel
Guimarães, pena arquiteta
Machado que ninguém veta
Saramago e mais uns cem
Leia lá nem sei mais quem
Mas conheça meu poeta

Meu poeta, igual aos tais
Mas sem saber científico
Sem qualquer título honorífico
Produz obras geniais
Sem contestar os demais
Atrai olhares pra si
Afina a viola em mi
Canta o local e o estrangeiro
Se cantar o mundo inteiro
Meu poeta é esse aí

Sem mídia, dinheiro ou fama
Sem certeza do amanhã
Da natureza é um fã
E a própria arte ama
A noite é a sua dama
Seu guia, o colibri
Que não aceita jequi
E nem se dá com gaiola
Se faz da vida uma escola
Meu poeta é esse aí

Meu poeta é andarilho
Um tangedor, almocreve
Que seu próprio livro escreve
Sob a lua com seu brilho
Seja pai ou seja filho
Faz do lar qualquer ali
Igualmente ao jabuti
Junto ao corpo leva casa
Se com nada se atrasa
Meu poeta é esse aí

1 comentários:

A poesia em foco disse...

Poeta Alexandre Morais, você é uma figura impoluta da poesia. Parabéns pelo conteúdo seu e o postado. Abraço

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