Nós, os Zés

sexta-feira, 14 de junho de 2013



Naquele dia Zé chegou cedo. A todos que perguntaram, respondeu que tava tudo bem. Mas não tava. Zé bebeu junto com a primeira dose o amargor de uma noite em claro.

No hospital? Não, em casa, olhando para as telhas, bolando na cama, encontrando fantasmas em baixo do lençol. Perdeu o sono e a paz. Por quê? Não sei, Zé não me disse.

Mas eu sei! Toda noite tem um Zé assim. Às vezes longe, às vezes perto, às vezes dentro de nós. Somos todos Zés. Não preparados para o mal companheiro. Incapazes de reagir ao inimigo interno e até de compreender que há um inimigo interno.

Mas somos muito capazes de enxergar, entender, opinar e julgar os externos. Ignorância ou transferência de incapacidade? Intolerância ou medo do eu? Sei não. Precisamos ser mais Zé pra poder dormimos em paz e bebermos bem.

Alexandre Morais

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