A chibata do verbo

segunda-feira, 27 de março de 2017

Dedé Monteiro, esse magrelo aqui e Zé Adalberto
   Passei o último sábado (25-03) com os poetas Dedé Monteiro e Zé Adalberto, em Triunfo - PE, integrando o projeto Clube do Livro, coordenado pelo Sesc daquela cidade bacana. Uniram-se a nós Susana Morais (estamos cada mais certos que somos primos) e Mariane Bigio.
     Antes das atividades, numa andada pela cidade, baseado em um fato ocorrido naquele mesmo dia, Dedé Monteiro lançou o mote A chibata do verbo é mais pesada / Que o chicote na mão do capataz. Trabalhosamente fiz uma glosa. Depois, em casa e mais tranquilo, produzi outras duas.
    Ei-las:

Muito homem liberto vive preso
À cadeia do fútil preconceito
E do seu guerrear vil e estreito
Não se nota ninguém sair ileso
A balança do mal mostra mais peso
Contra quem, por ser menos, sofre mais
Pois a fala do mal tanto mal faz
Quanto quem trata o outro a chibatada
A chibata do verbo é mais pesada
Que o chicote na mão do capataz

É preciso medir cada palavra
Não deixar se levar pelo mau senso
Que o rasgão da palavra é tão intenso
Quanto o rasgo da pá que a terra lavra
Quando o verbo uma alma escalavra
Só o tempo se mostra eficaz
E por vezes nem mesmo o tempo traz
O conforto pra alma escalavrada
A chibata do verbo é mais pesada
Que o chicote na mão do capataz

Somos todos iguais pelo amor
Se mulheres, se homens ou transgêneros
É preciso adorar todos os gêneros
Toda fé, toda raça e toda cor
Respeitar seja lá quem quer que for
E trocar o insulto pela paz
Quem maltrata ao falar insatisfaz
Muito além da pessoa maltratada
A chibata do verbo é mais pesada
Que o chicote na mão do capataz

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