Sexto Ato – A Sentença

sábado, 15 de agosto de 2009

Sobre a resposta do juiz já ouvi várias versões. Numa delas, o juiz teria sentenciado com esta quadra:

Para que eu não guarde
Remorso no coração
Ordeno que devolvam
A seu dono, o violão.

Em outra, a sentença tem forma de soneto:

Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte à rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz.

2 comentários:

Lidia disse...

PARABÉNS PELA BELA MATÉRIA !

Anônimo disse...

Alexandre, és um garimpeiro da poesia popular, trazendo sempre turmalinas lapidadas para o deslumbramento dos leitores.
Amâncio Siqueira

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