sábado, 27 de fevereiro de 2021

Tabira ganha registro afetivo em memória a Pedro Pires

fevereiro 27, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

   



   Da região do Pajeú, mais precisamente beirando as cidades de Afogados da Ingazeira, Solidão e Tabira, sendo esta última o seu nascedouro e, portanto, o maior afeto, o político e empresário Pedro Pires – falecido no final dos anos de 1960 – segue “in memoriam”, reverberando histórias construídas desde o tempo em que passou a ser conhecido como “Jovem Líder”.

  Da Zona Rural da cidade, onde foi criado, até adentrar espaços explorados pela audácia de carregar consigo o viés de administrador, dedicatórias como o livro “Pedro Pires Ferreira – Meu Pai”, de autoria de sua filha, professora e escritora Nevinha Pires, é um exemplo das memórias afetivas deixadas por ele.

   O livro, o sétimo escrito por Nevinha – falecida em 2016 aos 91 anos –, ganhou publicação recente por meio de Pedro Pires Neto, médico e filho da autora. “Quando minha mãe adoeceu e veio a falecer, resolvi dar andamento, e com ajuda de familiares que conviveram com ela e com meu avô, fui auxiliado na interpretação do que ela havia escrito, porque já com a mão trêmula algumas palavras e frases ficavam difíceis de transcrever”, contou ele, em conversa com a Folha.

   Além das narrativas, fotos e documentos foram inseridos na publicação, como parte de um todo que revive a trajetória de um dos nomes influentes do Sertão do Pajeú.

  “Foi o meu avô quem emancipou Tabira, onde foi prefeito por duas vezes. Em Afogados (da Ingazeira) ele administrou a cidade por três vezes. Também deu independência a Solidão e, além de todo o caminho político que percorreu, empreendeu com uma usina de algodão que levou desenvolvimento para os tabirenses”, complementa Pedro Neto.

  Assim como se deu durante sua gestão como prefeito, Pedro Pires se voltou também à carreira legislativa de deputado estadual e, com boas relações, seguiu com o mote de alternar entre estradas e escolas e, dessa forma, imprimir o progresso na Região, em especial à sua Tabira.

  “Minha terra só terá boas perspectivas de desenvolvimento e progresso se seus filhos acreditarem e nela trabalharem. Jamais me deslocarei de Tabira, que crescerá comigo e com todos que quiserem trabalhar por ela e nela. Só assim veremos a cidade crescer”, teria dito ele quando teve a opção de instalar em outros municípios a usina.

  Embora astuto ao que se propunha fazer política e administrativamente, foi ao lado da filha Nevinha Pires que ele seguiu impávido, sem hesitar em receber autoridades, formalizar documentos ou discursar para a população. “Neste aspecto, a minha mãe teve papel importante na vida dele, ela foi uma espécie de secretária de luxo, era ela quem estava ao lado dele. Por isso também ela se achou no direito de escrever sobre ele por ter convivido tão de perto e em todos os momentos”, justifica Pedro Neto.

  Foi também por meio de Nevinha que a cidade de Tabira ganhou um largo em Portugal. O Largo Tabira de Pernambuco integra o cenário da região de Algarve após estudos de um historiador do país, curioso em buscar a origem dos nomes de Tavira, cidade portuguesa e do município do Sertão pernambucano, cuja pronúncia é a que prevalece nas terras portuguesas.

  “Na época, o prefeito mandou para o historiador um livro de minha mãe chamado ‘Tabira, História e Estórias’, e eles passaram a trocar informações por cartas.

  Entusiasmado com o que leu, propôs à Câmara de Algarve nomear um Largo em homenagem à nossa cidade”, conta Pedro Neto, orgulhoso pelo papel de filho e de neto de dois nomes incontestáveis que, in memoriam, seguem proliferando o enredo do Pajeú em imagens e leituras, tais quais podem ser folheadas no último registro afetivo sobre a cidade e sobre um dos precursores de sua história.

Texto e imagens: Folha de Pernambuco

Poesia é veia que lateja...

fevereiro 27, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


...e da latejante veia poética de João Batista de Siqueira, o Poeta Cancão (foto), Árvore Morta

 

Foste tu, velha braúna

A divisão da paisagem

A gigantesca coluna

Da Natureza selvagem

Abrias tua ramagem

Pelas tardes nevoentas

As borrascas violentas

Nunca te causaram danos

Antes de trezentos anos

Te açoitaram mil tormentas

 

Respeitaram-te os machados

Das primeiras gerações

Teus grossos galhos crispados

Desafiaram tufões

Venceste mil furacões

Desde os tempos de Cabral

Atalaia colossal

Soberbo gigante antigo

Talvez até deste abrigo

Aos filhos de Portugal

 

Por certo ouviste as cantigas

Das tribos depois da guerra

Filha das lendas antigas,

Rebento santo da Terra

Antes, ó virgem da serra,

Dos danos daquele raio

Pelo teu leve desmaio

Colhias na fronde tua

Lindos sorrisos da Lua

Nos noites do mês de maio

 

Estes teus grandes madeiros

Há uns cem anos passados

Se sacudiam maneiros

Cheios de viço, copados

Nos teus ramos delicados

Nas horas do arrebol

O pequeno rouxinol

Cantava com mais ternura

Colhendo a doce frescura

Das brisas do pôr-do-sol

 

Já tens um lado comido

Da era que foi ingrata

Este teu galho pendido

Relembra longínqua data

Em teu pé uma cascata

Se despenhava fremente

Teu tronco, velho e doente

Pelo cupim estragado

Foi muitas vezes lavado

Pela fragosa corrente

 

Hoje, só tens a carcaça

Sobre a estrada caída

Uma pessoa que passa

Medita e sai comovida

Uma parte apodrecida

Onde outrora os sabiás

Voando dos laranjais

Vinham pousar cantando

E hoje passam voando

Se assustam, não pousam mais

 

Das plantas foi a mais bela

Que entre a flora viveu

Quem sabe na vida dela

Quantos janeiros venceu ...

Depois murchou e morreu

Ficou dos ramos despida

Para o poente estendida

Sem verdura e sem beleza

Talvez que nessa tristeza

Sinta saudades da vida.

Velho Chico

fevereiro 27, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Escultura o Nego D'água do Rio São Francisco. Foto: xapuri.info

Lendas do Velho Chico são contadas em

websérie com apoio da Lei Aldir Blanc

   Histórias que permeiam o imaginário de comunidades ribeirinhas do Sertão do Francisco são o mote da websérie “Contando o Rio Opará – Histórias para navegar”. Produzida pela Cia Biruta de Teatro para o público infantil, a série vai levar para as telas, sempre aos domingos e quintas-feiras, algumas das lendas que navegam nas águas do rio São Francisco. Os dois primeiros episódios já estão disponíveis no canal da Biruta no YouTube. Neste domingo, mais um entra no ar: A serpente da Ilha do Fogo.

   Com incentivo da Lei Aldir Blanc, o projeto busca, além de proporcionar a apreciação artística, valorizar e aproximar as crianças das histórias do seu lugar. “Em cinco episódios, com duração de até 10 minutos, vamos contar lendas como as do Nego D’água, da Serpente da Ilha do Fogo e outras histórias que trazem a nossa ancestralidade indígena e quilombola. Uma maneira de contribuir com a valorização de saberes e resistências do nosso povo”, revela a atriz Cristiane Crispim, que, junto com Antônio Veronaldo, fundou a Cia Biruta e assina os textos da websérie.

  Todos os roteiros foram escritos pelo grupo a partir de lendas e histórias regionais. “Desde 2013, quando iniciamos a nossa pesquisa sobre a identidade do ator e da atriz sertanejo e ribeirinho, e visitamos uma série de comunidades do Sertão do São Francisco, começamos a pensar em uma maneira de contar essas histórias tão presentes no imaginário construído pelos pescadores, navegantes e moradores da beira do rio. Histórias que fizeram a região se tornar um lugar mágico”, conta Veronaldo, que dirige e também atua na websérie.

Datas de veiculação do próximos episódios:

28/2, 16h
A serpente da Ilha do Fogo

4/3, 19h
O encanto da Mãe D’água

7/3, 16h
A lenda do Rio que dorme

Texto: www.cultura.pe.gov.br

Alceu Valença - Anunciação

fevereiro 27, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


   Da vasta obra de Alceu Valença, vamos hoje de Anunciação. A música foi gravada em 1983 e se tornou uma das mais conhecidas autorias deste pernambucano de São Bento do Una. Acima, ele cantando no Teatro da Universidade Federal Fluminense, em 2017. Abaixo, ele fala sobre como a canção surgiu.




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

NOTÍCIAS

fevereiro 25, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

REGIONAIS

 

Geral

 

Tem vaga – Se faltam vagas nas UTIs, surgem nos postos de trabalho da saúde. Mais um efeito da Covid. Recentemente houve seleção para contratação imediata e cadastro de reservas para o Hospital Regional Emília Câmara, em Afogados. Agora estão abertas inscrições para cadastro de reserva em Serra Talhada - Hospital Eduardo Campos e Hospital de Campanha. As inscrições vão até 03 de março e o edital pode ser acessado em www.hecpe.org.br.

 

É só dizer o preço – O STF decidiu que estados e municípios podem comprar vacinas contra a Covid-19 direto dos fabricantes e uma ruma de líderes não perdeu tempo. No Pajeú o primeiro a se pronunciar foi Anchieta Patriota, prefeito de Carnaíba. Perguntou, por ofício, a três indústrias quantas vacinas tem pra lhe vender e qual o preço. E já avisou que o dinheiro tá guardado.

 

O começo do fim – Alvo dos órgãos de controle, calo dos gestores e um dos mais graves problemas das cidades, os lixões começam a ter os primeiros sinais de fim no Pajeú. Pelo menos é a expectativa gerada com o anúncio da implantação de duas estações de transbordo em Iguaracy e Triunfo, mais uma unidade de reciclagem em Afogados, por uma empresa privada. Os municípios passam a destinar o lixo para estas estações e elas encaminham para aterros sanitários regulares. O início da operação tá previsto pra maio.

   

Política

 

Escavando emenda – Em tempos de correria política para garantir reforço de caixa através das visadas emendas parlamentares, pouco tem sido anunciado no Pajeú. Por hora, o maior sorriso é de Adelmo Moura, prefeito de Itapetim. Volta de Brasília com o anúncio da destinação de R$ 350 mil pelo senador Jarbas Vasconcelos para compra de uma retroescavadeira.

 

Quem sai para deputado? Falando em Adelmo Moura, ele é um dos citados quando a pergunta é quem do Pajeú deve ser candidato a deputado estadual ano que vem? José Patriota (Afogados), Marconi Santana (Flores) e Paulo Jucá (São José) são outros. E ainda tem Luciano Duque (Serra), embora este ande pensando mais em Brasília do que em Recife.


José Patriota, presidente da Amupe. Foto: Ascom/Amupe

Amupe, Governo ou os dois? Como anunciado e pacificado, José Patriota deve ser reeleito presidente da Amupe, nesta segunda-feira, dia 01 de março. Muita gente, no entanto, aposta que o governador Paulo Câmara quer ele mais próximo do Palácio. Pode demorar mais um pouco, mas é provável que as águas de março já mostrem qual o destino do ex-prefeito de Afogados líder de todos os prefeitos.

Presidentes prefeitos – Enquanto aguardam os desfechos jurídicos, Arcoverde e Pesqueira seguem tendo como prefeitos os presidentes das câmaras de vereadores. Na terra do Cardeal o prefeito Welington Maciel e o vice Israel Rubis foram afastados esta semana por abuso de poder político e econômico. A decisão atingiu ainda a ex-prefeita Madalena Brito. Já na terra dos Caiporas, o prefeito eleito, Cacique Marquinhos, nem chegou a tomar posse. Pesa contra ele uma condenação criminal de 2015.

 

Uma vaga, dois meses, três nomes – Em Tabira surpreende o fluxo de nomes na titularidade da Secretaria de Administração. Catarina Arthemens assumiu no início de janeiro e saiu no início de fevereiro. Rayane Cipriano entrou e saiu com mais ligeireza ainda e já tem como substituto César Pessoa. Além do posto, os três combinam em serem advogados.

 

Esportes

Carcará cravou a Coruja – O Afogados estreou no Campeonato Pernambucano perdendo para o Salgueiro por 1x0. De consolo, os fatos de ter perdido para o atual campeão e de, pelo menos, a vitória ter ficado no Sertão.

 

Em Salgueiro, deu Salgueiro: 1x0. Foto: Claudio Gomes

Garotada e feminino – Depois do marcante ano de 2020, o Afogados segue acertando o passo na história. Está investindo em categorias de base e no futebol feminino. As duas iniciativas são desafios até para grandes clubes. Tá voando alto e enxergando longe essa Coruja.

No tabuleiro – A Secretaria de Cultura e Esportes de Afogados anuncia para abril a realização de um Campeonato Municipal Aberto de Xadrez.  Incentivo para esportes não midiáticos.

 

PERNAMBUCO

Doença da urina preta – Chega o tempo de aumento no consumo de peixes e junto vem o pânico da Síndrome de Haff ou doença da urina preta. Em quatro anos, 15 casos foram identificados em Pernambuco. Agora, só em fevereiro, são cinco em investigação. O mais grave é o de uma veterinária recifense, mantida em uma UTI. Além de sintomas físicos, a assustadora urina preta é o maior indicador da doença. Surge de toxinas desenvolvidas em peixes armazenados de forma inadequada. Estas toxinas já foram identificadas em espécies bem populares, como é o Tambaqui.

Não duplica, mas triplica – O antigo e sempre renovado projeto de sequência da duplicação da BR 232 no trecho São Caetano/Arcoverde, por hora, tá parado no acostamento. Já o da triplicação da mesma rodovia na entrada do Recife tá pegando velocidade. O prefeito João Campos disse que a obra deve custar entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões e que começa ainda este ano, com ou sem ajuda do Governo Federal. Disposto, o rapaz.

Ligando a tomada no sol – A crescente onda de investimentos em energias limpas e renováveis chegou à Polícia Rodoviária Federal em Pernambuco. Foram investidos R$ 1,6 milhão com uma previsão de economia de R$ 350 mil por ano. A aposta foi em energia solar com instalação de painéis na Superintendência, em Recife, e nas unidades de Igarassu, Água Preta, Gravatá e Serra Talhada.

BRASIL

Auxílio emergencial na boca do leão – As ideias de que só declara Imposto de Renda quem ganha muito e que só recebe auxílio emergencial quem ganha pouco são dois equívocos. O prazo para declaração começa nesta segunda, dia 01 de março, e uma das regras é: quem recebeu o auxílio e outros rendimentos tributáveis com valores somados superiores a R$ 22.847,76 tem que declarar e devolver o valor do auxílio. O leão não perdoa.

O que mudou pode mudar – Sabe aquela regra que começou a vigorar ano passado acabando com as coligações partidárias para as candidaturas proporcionais? Pois é, já pode ser mudada para o ano que vem. É que o Congresso segue debatendo a reforma eleitoral e tem muito deputado achando que o que serviu para vereadores pode não servir pra eles. Estes querem a volta das coligações.

Lula e Bolsonaro parecidos?

Foto/Arte: Diário do Comércio
 “Petistas e Bolsonaristas ficam irritados quando se faz essa comparação. Perdoem, mas a cada dia que passa Lula (PT) e Bolsonaro ficam mais parecidos. 
Tem a ver com as convicções sobre o teto de gastos ser um empecilho para o governo. Tem a ver com influenciar uma minoria raivosa para que faça barulho e sirva aos interesses da cúpula. Tem a ver com o discurso populista de lutar contra a elite ou contra o mercado, enquanto busca na elite e no mercado benefícios para se manter no poder. Tem a ver com desacreditar forças policiais e a Justiça, para confundir investigações criminais com “perseguição política”, mobilizando a minoria barulhenta e raivosa.”

Igor Maciel, Jornal do Commercio, 23/02/21

MUNDO

Fura-fila vip – Se o Brasil é chegado a escândalos, se há vários casos de fura-filas da vacina e se o ritmo da vacinação anda devagar quase parando, dá uma olhada na Argentina! O ministro da saúde caiu, tem gente se pelando de medo e, claro, muita gente indignada. A denúncia, já comprovada em parte, é que 3.000 doses foram separadas para um grupo vip aliado ao poder. Grupo este formado por quem? Sim, por políticos, familiares e bons amigos.

Parece mentira – É de não acreditar duas coisas dessas, ocorridas esta semana, na cidade de Velp, na Holanda. A primeira: uma mulher de 23 anos sentiu-se mal enquanto caminhava e foi levada por dois policiais para uma clínica odontológica próxima do local. Lá, a mulher, que jura que não sabia que estava grávida, pariu na cadeira do dentista. A segunda: a mulher foi multada no equivalente a R$ 1,4 mil pela empresa responsável pela limpeza da clínica.


Virgulino Ferreira, o Lampião

fevereiro 25, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

 


                        Tributo e Celebração virtuais

   O evento “Tributo a Virgulino – A celebração do Cangaço”, que desde 1994 é apresentado anualmente em Serra Talhada, vai ser realizado em novo formato devido à pandemia da Covid-19. A programação, com diversas linguagens artísticas, e que traz a cultura do Sertão, vai acontecer de forma online, entre os dias 26 e 28 de fevereiro, a partir das 19h, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube do grupo Cabras de Lampião.

  Dessa forma, não apenas quem estiver em Serra Talhada poderá acompanhar a programação, mas sim gente de qualquer parte do Brasil ou do mundo.

  O evento contará com palestras, apresentação de grupos de xaxado (dança típica dos cangaceiros), pastoril, capoeira e uma celebração religiosa. Quem abre o ciclo de palestras, na sexta-feira (26), é o pesquisador e escritor do Cangaço, Anildomá Willians de Souza, profundo conhecedor da história de Lampião, que falará sobre a vida e os causos do famoso cangaceiro. Ele vai tratar sobre “Lampião e o Sertão do Pajeú”.

  Haverá ainda as apresentações dos poetas repentistas, Janailson Mariano e Janaildo Mariano, do Grupo de Xaxado Zabelê, do Pastoril de Maria e da cantora triunfense Jéssica Caitano e A Cristaleira. “Não é apenas um evento, trata-se de uma ação cultural onde o centro da atividade é a arte do sertão do Pajeú”, explica Anildomá Willians de Souza.

  A agenda do Tributo a Virgulino, no sábado (27), também conta com a palestra do poeta, dançarino e ator Karl Marx - “A influência do Cangaço na Cultura Popular”, além das apresentações dos poetas repentistas Damião Enésio e Zé Carlos do Pajeú, do grupo de Xaxado Gilvan Santos, do grupo Mistura Pernambucana e a banda As Severinas.

  Para fechar o evento, no domingo (28), às 9h, será veiculada ainda a celebração da missa, com o Padre Josenildo, sendo um dos pontos alto da programação, pois no ofertório serão postos no altar os adereços de cangaceiros, como as cartucheiras, embornais, o típico chapéu e as alpargatas, com as participações da Banda de Pífanos Travessão do Caruá, Mestre Assisão, Bacamarteiros do Pajeú, Capoeira Muzenza, Poeta e Contador de Causos Clênio Sandes, Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, Cícero de Souza e Francinaldo Oliveira, Marquinhos do Acordeon e Naldinho Carvalho.

  O “Tributo a Virgulino – A Celebração do Cangaço” conta com o incentivo cultural da Lei Aldir Blanc, Governo de Pernambuco, Prefeitura de Serra Talhada e Governo Federal. Programação completa em  www.cabrasdelampiao.com.br


Texto e fotos: Fundação Cultural Cabras de Lampião

Centenário de Zé Dantas

fevereiro 25, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

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   Há cem anos nascia um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga, o compositor Zé Dantas, que, ao lado de Humberto Teixeira, compôs boa parte do universo da música gonzaguiana – canções como Xote das meninas e Imbalança. Para celebrar o centenário deste importante artista da música brasileira, a Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), a Secretaria de Cultura do Recife, a Fundação de Cultura Cidade do Recife, o Museu Cais do Sertão, a TV Pernambuco e a Rádio Frei Caneca se uniram para realizar ações em torno da obra do compositor ao longo de 2021.

   Para começar, essas instituições estão lançando uma programação inicial, de 26 de fevereiro a 6 de março, na qual se destaca produções audiovisuais e fonográficas sobre o “Dotô do Baião”. A programação será realizada durante os 10 dias com transmissões na TV Pernambuco, Rádio Frei Caneca, e nos canais no Youtube do Museu Cais do Sertão (www.youtube.com/caisdosertao) e Secult-PE (www.youtube.com/secultpe).

   “Quando tivemos essa ideia de homenagear Zé Dantas, pensamos em possíveis parceiros como o Museu Cais do Sertão, que, como o próprio nome já anuncia, tem seu acervo voltado para o universo de Zé Dantas. A Fundação de Cultura Cidade do Recife seria uma parceria natural, tendo em vista possuir o Memorial Luiz Gonzaga. No caso da TV Pernambuco e da Rádio Frei Caneca, a parceria se consolidou na proposta de divulgação de produções audiovisuais e fonográficas que envolvem a obra de Zé Dantas”, explica Roberto Azoubel, coordenador de Literatura da Secult-PE e um dos responsáveis pela programação.

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   Para o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, José Manoel Sobrinho, homenagear Zé Dantas é uma forma de confirmar a força de um modo nordestino de existir e resistir no mundo pela arte. “A arte sobrevive ao tempo e ultrapassa qualquer limite da geografia humana. Zé Dantas fez de sua arte o seu modo de falar com o mundo. Comemorar os 100 anos de seu nascimento é motivo de orgulho para qualquer povo. Carnaíba deu ao mundo a voz potente deste mestre da poesia sertaneja, pernambucana. Para o Recife, é uma honra festejar sua existência. Um poeta que escreve A Volta da Asa Branca, Acauã, Sabiá, Riacho do Navio conhece com  profundidade a alma humana. Zé Dantas é  um artista de infinitas dimensões”, celebra.

   “Desde que fomos procurados pela Secult-PE nos engajamos no projeto, até porque divulgar a cultura pernambucana é uma das missões da TVPE. Zé Dantas foi um compositor que marcou toda uma geração musical. Diante de um artista tão grande e que contribuiu tanto para a música nordestina e brasileira, precisamos passar o ano de 2021 destacando o trabalho deste grande parceiro de Luiz Gonzaga”, destaca Ivan Júnior, diretor de Programação e Produção da TV Pernambuco.

   “O Cais do Sertão produziu, neste mês de fevereiro, uma série de conteúdos que foram veiculados nas nossas redes socais com o objetivo de divulgar a música e o legado de Zé Dantas. Desde o começo do mês, publicamos pelo Instagram, Facebook e Spotify uma série de homenagens para ele. E chegamos agora com uma grande comemoração conjunta, com a Secult-PE, Rádio Frei Caneca e TV Pernambuco, que vão vincular, a partir do dia 26, uma extensa programação webnários e  produtos audiovisuais e fonográficos”, ressalta Maria Rosa, gerente do Museu Cais do Sertão.

   A programação conta com a transmissão de dois webnários gravados e editados pela TV Pernambuco, com debates sobre o legado artístico de Zé Dantas: O primeiro é o “Um Dedo de Prosa – 100 Anos de ZéDantas”, com a participação de Lêda Dias, gerente de Políticas Culturais da Secult-PE; José Dantas, filho de Zé Dantas; e Anselmo Alves, documentarista, colecionador e pesquisador.

   O segundo, “Um Dedo de Prosa – A Poética de Zé Dantas” tem a presença de Diviol Lira, assistente de Música da Secult-PE. Padre Luiz Marques Ferreira, pároco de Carnaíba; Cacá Malaquias, músico e educador musica; e Daniel Bueno, cantor, compositor e escritor.

    Dentre outros destaques da programação, haverá também a exibição do show Duetos, de Marina Elali, neta de Zé Dantas, que fará uma homenagem ao legado do avô. Já a partir de sábado (27), e ao longo de todo o ano, serão exibidos os programas “Pílulas do Zé”, na TV Pernambuco, Rádio Frei Caneca e redes sociais da Secult-PE e Cais do Sertão, contando um pouco sobre a vida e obra deste artista.

   Também está prevista, no sábado (27), uma sessão do curta-documentário pernambucano “Psiu!”, trabalho autobiográfico sobre Zé Dantas dirigido por Antonio Carrilho, e com produção e codireção de Juliana Lima. O filme será exibido na TV Pernambuco, às 18h.

   Com duração de 20 minutos, “Psiu!” retrata a vida e a obra de José de Souza Dantas Filho, nascido em Carnaíba, no Sertão do Pajeú pernambucano. No documentário, a trajetória dele é revista e conta com o suporte de imagens e gravações inéditas com a voz do compositor, além de depoimentos de nome como Ariano Suassuna, Marina Elali, Yolanda Dantas (viúva), Geraldo Azevedo e demais parentes.

   Ainda neste sábado (27), das 11h às 12h30, um debate ao vivo na Rádio Jornal, conduzido pelo comunicador Wagner Gomes e organizado em parceria com a Fundação de Cultura Cidade do Recife e o Memorial Luiz Gonzaga, reunirá especialistas para tratar sobre a importância e perpetuidade da obra de Zé Dantas, que tão bem retratou toda beleza e dureza da vida no Sertão Nordestino.

   QUEM FOI? - José de Sousa Dantas Filho, compositor e poeta, nasceu no município pernambucano de Carnaíba (27/2/1921) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) (11/3/1962). Em 1947, conheceu Luiz Gonzaga, de quem se tornou um dos principais parceiros musicais, ao lado do também compositor Humberto Teixeira. Três anos depois, em 1950, Luiz Gonzaga gravou algumas de suas composições, como Vem, Morena, A Dança da Moda, o xote Cintura Fina, entre outros, dando início a uma das parceiras musicais mais exitosas da música brasileira.

PROGRAMAÇÃO DO CENTENÁRIO ZÉ DANTAS

(De 26 de fevereiro a 6 de março)

Sexta-feira (26/02)
15h – Quadro Poética – Salada Pop / Especial ZéDantas
(O poética é um quadro veiculado diariamente no programa Salada Pop, apresentando um(a) poeta e alguma de suas obras declamadas na Rádio Frei Caneca).
Rádio Frei (101.5 FM, www.freicanecafm.org ou pelo app)

Sábado (27/02)
10h – Lançamento dos webnários ‘Um Dedo de Prosa – 100 anos de ZéDantas’ e “Um Dedo de Prosa – A Poética de ZéDantas”
YouTube da Secult-PE (www.youtube.com/secultpe)

11h – Mesa de Bar,  programa de rádio conduzido pelo comunicador Wagner Gomes e organizado pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife/Memorial Luiz Gonzaga, com pesquisadores/especialistas da obra de ZeDantas.
Rádio Jornal (90.3 FM, www.radiojornal.ne10.uol.com.br/ao-vivo/recife ou pelo app)

18h – Transmissão de ‘Um Dedo de Prosa – 100 Anos de ZéDantas’
Rádio Frei (101.5 FM, www.freicanecafm.org ou pelo app) e Youtube do Cais do Sertão (www.youtube.com/caisdosertao)

18h – Exibições do curta-metragem “PSIU!” e do show Duetos da Marina Elali
TV Pernambuco (RMR: 46.1; Caruaru: 12.1; Petrolina: 13.1)

19h – Programação musical ZéDantas
Rádio Frei Caneca (101.5 FM, www.freicanecafm.org ou pelo app)

Domingo (28/02)
Lançamento da playlist ‘ZéDantas’ no Spotify do Cais do Sertão

15h – Exibição de ‘Um Dedo de Prosa – 100 Anos de ZéDantas’
TV Pernambuco (RMR: 46.1; Caruaru: 12.1; Petrolina: 13.1)

Quarta-feira (3/03)
18h – Exibição de ‘Um Dedo de Prosa – 100 anos de ZéDantas’
Youtube do Cais do Sertão (www.youtube.com/caisdosertao)

Sábado (6/03)
18h – Transmissão de ‘Um Dedo de Prosa – A Poética de ZéDantas’
Rádio Frei Caneca (101.5 FM, www.freicanecafm.org ou pelo app)

19h – Programação musical ZéDantas
Rádio Frei Caneca (101.5 FM, www.freicanecafm.org ou pelo app)

ATIVIDADES EXTRAS
*A partir do dia 27/02 e ao longo do ano: Exibições das Pílulas do Zé, na TV Pernambuco, Rádio Frei Caneca e redes sociais da Secult-PE, Museu Cais do Sertão, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Secretaria de Cultura do Recife

 

Matéria e fotos copiadas de www.cultura.pe.gov.br

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Maciel Melo - Crônicas de cantador

fevereiro 01, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

Foto: Claudio Gomes


A marca do piano

A porta da frente entreaberta, ladeada por duas janelas pintadas de azul já descascando a tinta, mostra a ausência humana num cenário de silêncio e solidão. As cicatrizes do tempo desenhavam as paredes, e o abandono se esparramava no oco daquela imensidão. A linha mestra da cumeeira já dava sinais de cansaço, pois os cupins haviam por fim vencido a batalha. O mofo predominando o ambiente, o verde do lodo acentuando o roda-teto e a saudade pendurada numa teia de aranha que se escondia embaixo do banco de um velho piano.

O deserto estava ali reinando naquele enorme casarão. Escuto o ranger das ripas e dos caibros que, de teimosos, ainda resistem. No quintal um tronco, fincado bem no centro de um círculo de rastros calcificados, exala um cheiro arrepiante de revolta de senzala, algo parecido com cheiro de enxofre. Percebe-se que ali no passado, foi palco de muito sofrimento e dor. Dava pra sentir o estalo do chicote no açoite do vento. No alto, na fachada da casa, um brasão de nobreza bem talhado, provavelmente por algum escravo caprichoso, estampava em três letras à quem pertencia aquela propriedade.
Os redemoinhos fazem festa no terreiro e o vento assobia uma melodia triste, que ecoa no vazio dessa casa, que pela marca do piano, nota-se que alguma alegria já habitou aquele recinto. Tirei fotos, passeei em seu interior, rondei por todos os cômodos e não apareceu uma viva alma sequer, além de mim. O velho piano empoeirado, ainda ostentava marcas de copo sobre a parte superior do espelho do teclado, como se alguém tivesse dedilhado uma canção de despedida. Quem sabe “La vie en rose”, talvez “Hora do adeus”, ou outra moda antiga que descreva uma saudade. Um enorme calafrio me toma o corpo e a alma, mas a curiosidade era tanta, e quis aproveitar o máximo; era como se eu protagonizasse Orfeu na obra de Vinicius de Moraes. Durante quase uma hora perambulei‭ ‬por‭ ‬ali,‭ ‬pasmo,‭ ‬ enfurnad‭o ‬numa‭ ‬sensação ‭ ‬estranha.‭ ‬ Vinham‭ ‬à‭ ‬mente pedaços de textos‭ ‬de‭ ‬Joaquim Nabuco, misturados com trechos de‭ ‬poemas‭ ‬de Castro Alves,‭ ‬sombreados‭ ‬pela escuridão poética de Augusto dos Anjos. Mas eis que de repente, surgem passos vindos na direção da porta de entrada. Era um senhor alto, magro, olhos profundos, sobrancelhas grisalhas e um chapéu de palha. Puxava de uma perna e se apoiava numa bengala feita de um galho de marmeleiro.
— Olá!
— Olá, meu senhor!
— Quem é você? perguntou, meio ríspido.
— Boa tarde, senhor. Desculpe a invasão, mas o passado é um assunto que me interessa. Outro dia estava lendo um livro intitulado “Espelho dos girassóis”, de um poeta pernambucano chamado Maviael Melo; meu irmão de sangue, de cor e de luz; e em um dos prefácios me deparo com isso aqui: “O passado é uma casa que carregamos nas costas enquanto avançamos em direção ao futuro”. (Bráulio Tavares). Só podia ser ele né?
Pois bem meu senhor, não resisti ao ver esse casarão abandonado e cheio de cicatrizes em seu redor; quis sentir e saber um pouco de sua história.
— Ah, bom! Pensei que fosse algum herdeiro, ou algum tipo desses que gostam de invadir e se apropriar do alheio. Olhe, moço, abandonaram isso aqui há muito tempo. Restou esse piano aí, nunca entendi por que não o levaram. Venho sempre aqui, pois meu pai foi um dos escravos dessa casa.
— Quantos anos o senhor tem?
— Oitenta e oito. Vi e vivi muitos momentos aqui. Nessa sala, presenciei muitas noites de glamour, assim como senti na pele as chibatadas dadas nas costas de alguns irmãos de cor. Mas, um dia, o feitiço virou contra o feiticeiro e a desgraça tomou posse dessas terras, até expulsar a todos de forma drástica. No último episódio, três irmãos se esfaquearam até a morte, bem no meio desse terreiro, e eu vi tudo, era muita fúria, muito sangue, muita desgraça. A matriarca morreu de desgosto, o barão enlouqueceu, e o último morador saiu certa manhã e dele nunca mais se teve notícias. Fico mais um pouco escutando aquela saga narrada por aquele senhor, que já não tinha mais brilho no olhar, nem esperanças na face. Em um determinado momento, ele disse: — É, moço, Meu prazo de validade está se findando. Fui libertado, mas continuo preso pelos espíritos dos meus ancestrais.

Paulo Matricó - Voz da terra

fevereiro 01, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários


   E lá estava, em abril de 2012, o pernambucano pajeuzeiro tabirense Paulo Matricó, no belíssimo palco do Senhor Brasil. Também belissimamente ladeado por Décio Marques e Rolando Boldrin.

Funcultura - Governo lança edital 2020-2021

fevereiro 01, 2021 Por Alexandre Morais Sem comentários

 

   O Governo de Pernambuco lança, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe),  o edital 2020-2021 do Funcultura Geral. Ao todo serão disponibilizados R$ 15,68 milhões para incentivar projetos das seguintes linguagens culturais: Artes Integradas, Artes Plásticas, Artes Gráficas e Congêneres, Artesanato, Circo, Cultura Popular e Tradicional, Dança, Design e Moda, Fotografia, Gastronomia, Literatura, Ópera, Patrimônio, Teatro, Formação e Capacitação e Pesquisa Cultural.
   O edital foi publicado no último sábado (30), no link: www.cultura.pe.gov.br/editais/edital-funcultura-geral-2020-2021.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Poesia nordestina

dezembro 06, 2020 Por Alexandre Morais Sem comentários

     A poesia nordestina, a poesia sertaneja, a poesia...
     A luz, a sombra, a fotografia...
  Recebi a encomenda de produzir versos a partir de fotografias retiradas por estudantes residentes na zona rural do meu município, Afogados da Ingazeira, Sertão de Pernambuco.
   O projeto inspirador promovido pela secretaria municipal de Educação trazia o sugestivo título de Belezas do Campo. Nem sempre é assim, mas a proposta e as imagens já eram poesia. Botei verso e voz e ficou assim:


 

Crônicas

dezembro 06, 2020 Por Alexandre Morais Sem comentários

    Mais uma vez valho-me da linda arte de Marcos Pê para ilustrar minhas publicações. Hoje trago uma crônica. Coisa nascida do olhar cotidiano. Coisas e pessoas nos inspiram. Claro, a transcrição nem sempre é real. Aqui faço um ajuntado de gentes. Só achei de batizar como Elisa. Todo o meu respeito as Elisas que são elas mesmas.


Elisa

      Elisa nunca levou a sério nada que é sério. Nasceu e cresceu pra flutuar na superfluidade do nada. Do que não cansa, do que não exige, do que não faz pensar.

     Se viveu eu não sei, mas que cresceu, cresceu. Tá bem crescidinha. Cresceu em corpo e idade. Não proporcionalmente, porque fisicamente ela cresceu melhor. Deve ter sido essa tal lei da compensação.

     Não sei porque as vezes se compensa o nada. Mas com Elisa foi assim. Cresceu entendendo muito de nada e de nádegas. E se o nada não a levou a nada, as nádegas a levaram a tudo.

     Logo Elisa que na escola só desfilava. Desfilava vaidades e mancadas. Foi ela que disse a professora de Geografia que não falaria sobre a Chechênia porque a aula não era de corpo humano. Também se negou a fazer uma prova oral porque só sabia o assunto de escrever e não de dizer. Contam que foi ela que disse que Drummond inventou o avião. Essa seria até aceitável pela semelhança fonética se Elisa não já contasse idade de vestibular naquela época.

     Não podia ser diferente. O jornal chegava pesado de notícias e Elisa espalhava todas as páginas em busca do horóscopo. Com anos neste ofício e ainda procurava o horóscopo no caderno de economia. Na edição do domingo ia além. Lia também o resumo das novelas. E tome festa e tome shopping; e roupas e saltos, e sol e salão.

     Não demorou e Elisa virou madame. Casou com um rapaz que de tão ocupado com os negócios não teve tempo de ver o nada de Elisa. Viu as nádegas. Paga por elas até hoje. E tome shopping e roupas e saltos e jóias e carros e viagens e tudo de novo o ano todo.

     E lá está Elisa sem assunto nas rodas sociais. Tem colega madame que não trabalha, mas tem profissão. É advogada, é publicitária, é arquiteta. Tem administradora que uma vez por semana dá expediente na empresa do marido e se diz a peça mais importante daquele negócio. Outra esbanja conhecimentos em artes plásticas e música clássica. Fala em Picasso e Elisa solta um riso de vergonha. Fala em Chopin e Elisa fica pensando o que é que isso tem a ver com cerveja. E ainda aparece uma falando em inglês, francês e espanhol.

     Mas Elisa é Elisa. Não deixa por menos. Faz que entende, inventa, se passa por igual. Sempre dá um jeitinho de parecer ser.

     Que cara lisa a de Elisa.

Autor: Alexandre Morais

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Crônica de Maciel Melo, o Caboclo Sonhador

dezembro 02, 2020 Por Alexandre Morais Sem comentários

Maciel Melo na Barragem de Brotas, em Afogados da Ingazeira,
Sertão do Pajeú, Pernambuco. / Foto: Claudio Gomes


Uma estrada estreita e triste

   De repente, tudo nublou. Uma nuvem em forma de rosto, enfurecida, se agiganta e começa a nevoar. O horizonte cinzento, o caminho deserto; nada vejo à minha frente. O espelho retrovisor reflete os coriscos que rasgam os céus distantes que deixei para trás. Estou à deriva, numa estrada estreita e triste, a mercê dos ventos que uivam tenebrosamente, assobiando uma melodia estranha, prenúncio de uma epopeia negra, prestes a ser encenada no palco das ilusões.

    Não dá pra prosseguir, também não posso parar; regressar é impossível, pois o tempo se fecha, a chuva é de pingo grosso.

  Acendo os faróis de neblina, mas o negrume do asfalto embaça-me a visão.

   Paro, penso, oro e rogo a Deus um pouco de misericórdia. Viajar é preciso, viver é imprescindivelmente necessário nesse momento, pois tenho duas criaturas belas à minha espera, e prometi levar dois metros de chita pra fazer dois vestidos, e levá-las para passear nos verdes campos do azul do céu de minha terra.

  Vou esperar desanuviar para seguir. O acostamento da estrada mal dá para estacionar uma bicicleta, pois uma banda do guidom ficaria na pista e a outra, no mato.

   Olho à minha frente, alguma coisa esvoaçante me chama atenção. Chego mais perto, é um pedaço de pano verde-amarelo-azul-e-branco pendurado no galho de uma frondosa árvore, como uma biruta, indicando a direção dos ventos.

   Hen-hem! Em outra dimensão, seria uma flâmula, encheria nosso peito de orgulho, e nos sentiríamos fortes e protegidos sob o seu manto sagrado, aquecendo-nos do frio e aninhando nossas esperanças no berço esplêndido de uma nação sã e salva, livre e inteligente.

   Enquanto o tempo não estia, vou pernoitar por aqui, exilar-me em algum abraço onde exista para-raios e, quem sabe, o amanhã não amanheça tão nublado assim.

Natal todo dia - Um poema de Natal

dezembro 02, 2020 Por Alexandre Morais Sem comentários


   Um poema de Natal. Pensamentos sobre o Natal. Reflexões sobre o Natal. Este vídeo-poema atende a todas as expectativas. E vai além.

     Se em épocas como o Natal nos tornamos mais reflexivos, estas mesmas épocas podem nos impulsionar a ser mais reflexivos em todos os tempos. De repente, uma provocação.

     Este trabalho nasceu poema com Alexandre Morais e virou vídeo em comunhão com a tela de Edgley Brito. Trabalhos semelhantes podem ser vistos no mesmo link em que o vídeo será aberto. Vai lá. Assiste, comenta, compartilha. Vamos ser Natal todo dia.