terça-feira, 20 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Conferi e recomendo
Outro dia alguem me falou sobre isto, mas esbarrei no tal do "depois eu vejo". Agora leio com detalhes no bom e sempre atualizado sítio www.triunfob.blogspot.com. Conferi e, dado ser uma grata surpresa, venho lhe recomendar. Leia aí a íntegra do que li, leia todas as outras postagens desta página e depois visite lá o dominio público ponto gov ponto br.
>> Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
• Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci;
• escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
• ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
• ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA, e muito mais....
Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
É MELHOR FAZER PROPAGANDA DOS BBB’s E DAS NOVELAS, POIS O POVO ASSISTE E FICA BURRO, E ASSIM É MAIS FÁCIL DE SER ENGANADO!VAMOS COLABORAR!
Enviado por Fábio Ferreira (klark_kent9@hotmail.com)
Começou a festa de Zé Dantas em Carnaíba - PE
Sem Alceu Valença, cujos problemas de agenda (o empresário não cumpriu a promessa de levar o artista para a festa e preferiu show em SP), Carnaíba vive esta semana a XVI edição da festa em homenagem ao compositor Zé Dantas. Oficinas de músicas marcam o início da programação.
Dia 15 - Spock Frevo e Ivan Ferraz
Dia 16 - Genailson e Banda, Josildo Sá, paulo Moura e Nando Cordel;
Dia 17 - Antonio da Mutuca e os Oito Baixos, Flávio Leandro, Beto Hortiz e Flávio José.
Do site: www.nilljunior.com.br
Dia 15 - Spock Frevo e Ivan Ferraz
Dia 16 - Genailson e Banda, Josildo Sá, paulo Moura e Nando Cordel;
Dia 17 - Antonio da Mutuca e os Oito Baixos, Flávio Leandro, Beto Hortiz e Flávio José.
Do site: www.nilljunior.com.br
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A mulher tem o veneno
Já vai com um tempo, Cumpade Leca mandou este tema do Recife. Eu fiz isso aí:
-
Quem por mulher for jurado
Quem com mulher comprou briga
Quem com mulher tem intriga
Precisa tomar cuidado
Se for ele o ex-amado
Ela chega sem aviso
Se vinga com um sorriso
E ataca com um aceno
Que a mulher tem o veneno
Da maçã do paraíso
-
Nunca quis pegar questão
Que não possa resolver
Evito, pois, ofender
Da mulher o coração
Esse não mede razão
Nem tão pouco prejuízo
E uma dama sem juízo
Nem com razão eu condeno
Que a mulher tem o veneno
Da maçã do paraíso
-
Enquanto vida se der
Às espécies traiçoeiras
Serão sempre sorrateiras
A cascavel e a mulher
Quando atacar se quer
A cobra balança o guizo
E a mulher mostra é o riso
Preparando seu terreno
Que a mulher tem o veneno
Da maçã do paraíso
-
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
É preciso gritar!!!
O poeta afogadense Celso Brandão dá o seu grito de cansaço. Ouçamos:
Cansado de derrotas e vitórias,
dos gritos aesmo no meio da rua.
de inventar e contar histórias,
de velar a imagem tua.
Cansado de ouvir lamentos,
de buscar e criar saídas,
de fugir, de ficar, de momentos.
Cansado de tantas vindas e idas.
Cansado de ser espelho
para uma sociedade corrompida,
que pinta em tom vermelho
os límpidos degraus da vida.
-
um grito na garganta é o que resta.
Presente e distante de tudo,
vejo que tudo é bom e nada presta.
CANSADO
-
Cansado de derrotas e vitórias,
dos gritos aesmo no meio da rua.
de inventar e contar histórias,
de velar a imagem tua.
-
Cansado de ouvir lamentos,
de buscar e criar saídas,
de fugir, de ficar, de momentos.
Cansado de tantas vindas e idas.
-
Cansado de ser espelho
para uma sociedade corrompida,
que pinta em tom vermelho
os límpidos degraus da vida.
-
Cansado dos sonhos de veludo,
um grito na garganta é o que resta.
Presente e distante de tudo,
vejo que tudo é bom e nada presta.
-
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Todo dia muda a cor...
Outro dia Annamélia, a musa da Prata, pediu pra eu fazer uns versos em cima deste conhecido mote do Mestre das Artes, Zé de Cazuza: Todo dia muda a cor / Do quadro da minha vida. Me arrisquei, traçando três estágios de uma vida completa:
-
O jovem
-
Até os dez eu queria
Logo quinze completar
Nos vinte fiz despertar
O senso da honraria
Hoje vejo cada dia
Como graça recebida
Valorizo cada ida
Pois a volta é um supor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
-
O maduro
-
Um novo quadro se pinta
Dizendo ao bom ouvinte
Quarenta não são dois vinte
Sessenta não são dois trinta
Não sei quem compôs a tinta
Da obra da despedida
Mas sinto os pincéis da lida
Negrejando sem clamor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
-
O velho
-
As orelhas tão crescendo
A vista ficando curta
O juízo de quem surta
E o sexo é só querendo
Aí pego percebendo
Tô na reta da descida
Que é mais curta que a subida
E a carga é só de dor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
-
Os trabalhadores e Ilusão do suicídio
Um dos poemas mais célebres de Rogacinao Leite, Os Trabalhadores, está estampado ao mundo num marco encravado na Praça Vermelha, em Moscou. Aqui que nem é Moscou nem cabe um verso do tamanho do que tá lá, eu deixo um soneto dos que a gente só acredita que foi gente que fez porque Rogaciano existiu...
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Ilusão do suicídio
Desta janela de meu quarto triste
Arrebatado de pavor e pena
Eu assisto a tristeza de uma cena
Que pouca gente noutro quarto assiste
-
Neste cassino que defronte existe
Onde a flor da virtude se envenena
Uma pobre e cansada Madalena
Bebe nitrato e de viver desiste
-
Vejo-lhe as mãos a comprimir-lhe os seios
Ouço gemidos lancinantes, feios
Que a dor arranca do seu peito fundo
-
Maldizendo o destino e a pouca sorte
Põe termo a vida para ver se a morte
É menos triste do que foi seu mundo
-
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Miguel Arraes, uma vida sem fim
Lembra do cordel biográfico sobre Miguel Arraes que eu falei aqui outro dia? Nasceu! Tá lá nas prateleiras da Bienal do Livro, no Centro de Convenções. Pia aonde: na VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco... O danando ganhou até uma apresentação do jornalista Ivan Maurício, fundador do PSB em Pernambuco e amigo pessoal do biografado. Pra mim esse cordel já foi longe demais, mas se tu comprar, ler e gostar vai ser melhor ainda. Vê se a apresentação num é pra deixar um cabra feito eu mais besta do que sou:
- Como educador, qual o melhor método que o senhor indica para se
memorizar um assunto?
Paulo Freire – que participou do Movimento de Cultura Popular (MCP) no governo Arraes com seu revolucionário método de alfabetização – respondeu de pronto:
- Em versos rimados, de preferência cantando.
Para retratar a vida de Miguel Arraes – governador de Pernambuco por três vezes – nada melhor do que escrever sua biografia, assim como fez o jornalista e produtor cultural de Afogados da Ingazeira, Alexandre Morais, nos versos da Literatura de Cordel – a literatura popular, fonte de inspiração de tantos poetas e violeiros.
A Editora Coqueiro, ao lançar “Miguel Arraes – uma vida sem fim”, segue a orientação do mestre Paulo Freire e conta a história desse grande brasileiro que deve ficar para sempre na memória do nosso povo.
Em versos rimados, de preferência cantando.
Ivan Maurício
Jornalista e fundador da Editora Coqueiro
Cariri & Pajeú
Na Bienal o cabra fica feito menino em banca de confeito, num sabe o que quer. Mas aí teve um canto que me travou, o estande do Cariri & Pajeú / Armazém Cultural. Acolhedor que só casa do sertão, sortido, bem avizinhado e com visgo: quem chega lá fica. Tudo coordenado por Joselito Nunes. Se apresentaram por lá Chico Pedrosa, Marcos Passos, Júnior do Bode, Felipe Júnior, Ismael Gaião, outro que lembro da cara mas não lembro do nome, Reinivaldo Pinheiro e eu, fora os anônimos, que fogem do microfone mas ficam cochichando versos e causos nos ouvidos uns dos outros. Se puder, visitar é obrigação. Se não puder, lamente e compense fazendo arte onde você estiver.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Passa o passado passando
Cheguei a conhecer o poeta Quincas Rafael. Estive na sua casa, em Jabitacá, distrito de Iguaracy - PE, onde o mesmo me mostrou um baú cheio de fitas cassete gravadas com cantorias de viola. Pense num acervo! Um baú daqueles eu só vejo parecido os de Dedé Monteiro, que, aliás, tá quase soltando outro no mundo. Mas falando em Quincas, eis a glosa abaixo. Que grandeza. Coisa eterna...
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Passando eu vejo o passado
Nesta vida como passa
E como seta traspassa
Meu viver já traspassado
É um sofrer compassado
A minha vida passada
A lembrança é compassada
Pode ir me traspassando
Passa o passado passando
Como passa a passarada
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Vai poeta! Vai como um passarinho
Itapetim perdeu de vista hoje o poeta Zezo Correia. Mas como poeta sai da vista, mas não sai da vida, ficam versos como estes deixados por ele. Versos de quem sabia ver e dizer o que viu... de quem viveu e partiu como um passarinho: botando beleza na oportunidade de viver.
A vida de um passarinho
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Canta a cauã com agouro
Em cima de uma aroeira
No ninho da quixabeira
Canta a casaca-de-couro
Eu admiro é um louro
Lá no oco apertadinho
Dentro criar um filhinho
Com tanta satisfação
Causando admiração
A vida de um passarinho
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Vê-se um maracanã
Rasgando espiga de milho
Pra dar comer a seu filho
Todo dia de manhã
Também vejo a ribaçã
Pôr pelo chão sem ter ninho
Deixar o ovo sozinho
Depois tirar sem gorar
Isso faz admirar
A vida de um passarinho.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
BARRIGA É BARRIGA...
Botei logo a arte dos dois pra não ficar devendo a ninguém. Pra quem tá com dificuldade de reconhecer, eu ajudo: o cabeção é o Arnaldo Jabour, que escreveu a idéia aí embaixo, e o outro, com cara de senador, é o Chico Anísio, que teve a idéia aí embaixo. Eu achei que não podia esconder de quem não a leu ainda. Vê que arretado:
Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais.Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: a tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos? Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.
Conclusão: esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!
Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!!
Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro e é GORDA!!!
O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!!!
VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!
Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!
E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal!
Flores murchas
Tá chegando o dia das crianças e a mídia já deu a largada desenfreada da corrida do consumismo. Mas com poeta é diferente. Poeta provoca a crítica, chama pra reflexão e dana os dois pés no freio da alienação. Lê Diniz Vitorino e compara com o que vai sair na televisão. Depois tu me diz.
Criancinhas andarilhas
Anjos em cães transformados
Fetos da pobreza, filhas
De loucos desajustados
Oriundos das entranhas
De mães sem almas, estranhas
Nunca vistas na cidade
Que em recantos escuros
Pecam gerando os frutos
Germes da sociedade
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Filhos do morro e do mangue
Intrusos desde meninos
Por terem no corpo o sangue
Dos ancestrais peregrinos
Que na miséria viveram
Desiludidos encheram
De revolta o peito aflito
Morreram como indigentes
Deixando pros descendentes
Seu infortúnio maldito
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São frutos de pais nefandos
Células da carne odierna
Subalternos dos desmandos
De quem a pátria governa
De nós mesmo que não temos
Compostura e elegemos
Governos irresponsáveis
Que sem pena de ninguém
Fazem dos homens de bem
Loucos irrecuperáveis
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Alvo das negras repulsas
Dos seres sem competência
Rosas sem seivas, expulsas
Dos jardins da inocência
Companheiras da penúria
Machucadas pela fúria
Do vendaval criminoso
Bonecas vestindo trapos
Rasgadas pelos sopapos
Do destino impiedoso
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Jovens que tem como escolas
Palavrões do banditismo
Por alimento, as esmolas
Do sujo capitalismo
Por morada, a noite escura
Por leito, a calçada dura
Por conselheiro, ninguém
E por carrasco, o imprevisto
Por defensor, Jesus Cristo
Porque foi mártir também
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Ovelhinhas desgarradas
Dos apriscos sociais
Até serem metralhadas
No covil dos marginais
Depois de mortas no chão
Nem flores murchas terão
Cobrindo as carnes geladas
Mas terão pousadas novas
Como inquilino das covas
Darão descanso às calçadas
Se correr ainda pega!
Acabei de saber através do pessoal da Revista Eletrônica Catorze. Não estranha, não. A revista é nova mesmo, mas tá prometendo. Oh a chamada da bicha: "jornalismo cultural com a sua cara". Visita lá: www.revistacatorze.com.br.quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Funcultura e Cine Mais Cultura
Equipes da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe estão cortando o interior promovendo capacitações para o Funcultura e para o Cine Mais Cultura. Ontem e hoje repousam em Salgueiro, aí quem não foi não dá mais pra ir, né! Só que a caravana segue... e os cães ladram (escrevi só porque já vi isso em algum lugar). O certo é: a caravana segue e quem quiser vai atrás:
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CAPACITAÇÕES FUNCULTURA
PETROLINA - dias 24, 25 e 26/09, no Centro de Convenções Senador Nilo Coelho
TRIUNFO - dia: 25/09, no Cine Teatro Guarany
CARUARU - dia 30/09, na Associação Comercial e Industrial de Caruaru
Todas nos horários de 9h às 12h e 14 às 17h
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CAPACITAÇÕES CINE MAIS CULTURA
TRIUNFO - dia 24/09, das 14h às 17h, no Cine Teatro Guarany
Pra saber mais acessem: http://www.triunfob.blogspot.com/ e www.fundarpe.pe.gov.br
Churrascaria Casa de Taipa


E trança vara... e bate o barro... e barro bota, que é pra casa levantar. Em São José do Egito o que se levantou foi uma churrascaria, a Casa de Taipa. Fica na beira da pista, a 3km da cidade no sentido de quem vai pra Tabira. Lugarzinho agradável, visse! Nas paredes tem santos, utensílios sertanejos e cordéis do poeta Felipe Júnior. Num recanto, um carro de bois que funciona como palco. O negócio é criativo. Bom de se ver, de se beber e de se comer. Um forno de lenha com umas panelas de barro é pra quebrar fastio de qualquer um. Vai lá pra ver!Ah, e isso aqui num é comercial, não viu!?! Num é interesse, e pela interessança do lugar!
(Fotos de Cláudio Gomes)
Mais coisa boa
Pra se deleitarem mais com a 22ª Missa do Poeta de Tabira e outras mais acessem:
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Zé Marcolino gostou demais
Excelente! É o primeiro adjetivo sem arrodeios que eu encontro agora pra registrar a 22ª Missa do Poeta, realizada em Tabira, numa homenagem rica ao poeta Zé Marcolino. Na verdade perdi o grande dia, o dia da missa propriamente dita. Mas tive lá em três outros dias. Todos também muito bons: Festival de Violeiros; Lançamento de livros, entrega de prêmios literários e declamações e a fantástica Mesa de Glosas, este ano em sua 13ª edição. Ainda perdi o encontro de sanfoneiros e soube depois que o dia da missa foi dum jeito bom que poucos sabem descrever. Zé Marcolino, tenho certeza, gostou demais!Belezas da minha terra
Em Tabira tive o prazer de conhecer o poeta Zé de Mariano. Ele me mandou um dos seus versos. Vale a pena dividir com vocês:
Quem não conhece belezas,
Venha ver no meu sertão.
Por exemplo, uma morena
Em uma noite de São João,
Um caboclo dançarino
Dançar pancada de sino,
Um canário cantador,
Um sabiá na gaiola,
Dois cantadores de viola
E um vaqueiro aboiador.
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Um carro de boi cheirando
A fumaça do cocão,
Um vaqueiro perfilado
Vestido no seu gibão,
Um cascavel enroscado,
Cachorro tangendo o gado,
Sem relho, cipó, nem pau,
A folhagem ressurgindo
E um tronco de pau servindo
De palco pra um bacurau.
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Um triângulo com três pedras
Segurando uma panela,
O fogo embaixo aquecendo
E o feijão pulando nela.
Um cão de caça acuado,
Um formigueiro assanhado
Chamando um tamanduá,
Um engenho de rapadura
Botando liga e doçura
Na cera do arapuá.
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Uma noite enluarada
Inspirando um seresteiro,
A defesa de mutucas
Com ramos de marmeleiro,
Um garrote estrupiado,
Dois bois puxando um arado,
Duas casacas de couro,
João de barro em sua casa
E um sapo engolindo brasa
Pensando ser um besouro.
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Acordar ouvindo o canto
Das águas na cachoeira,
Ver uma cabra parindo
Na sombra de uma aroeira,
Uma roça encoivarada,
Bem no centro uma latada
Um pote com água fria.
Ver um anum soluçando
E uma cigarra cantando
No pino do meio dia.
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Aqui a serra estremece
Com o trovão da trovoada,
O vento leva consigo
Cheiro de terra molhada,
Um carão sem companhia
Faz prece na noite fria
Pedindo a DEUS pra chover,
Rouxinol sai da biqueira,
Se exibe na comieira
Esperando o sol nascer.
Santa mesa de glosa
De tão encantado com a Mesa de Glosas, aliás a primeira que eu fui de 13 já realizadas, fiz esses versos aí debaixo. Participaram os poetas Genildo Almeida (Pitu), Clécio Rimas, Adeval Soares, Genildo Santana, Felipe Amaral, Sebastião Dias, George Alves, Osvanildo Almeida, Albino Pereira, Josivaldo Rodrigues e Gonga Monteiro. Dedé intermediou. A APPTA realizou. Que os deuses de todas as crenças orquestrados pelo Deus da Poesia continue abençoando a todos.
Não lembro do que fazia
Pra perder por doze anos
Um dos mais sobre humanos
Banquetes da poesia
Postos à mesa se via
Onze apóstolos poetas
Servidos como profetas
Com pãos em forma de mote
Pra com o vinho do dote
Fazerem ceias completas
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Apóstolo em defesa
Dedé, fogo que não arde
Entitulou-se covarde
Por não sentar-se à mesa
Foi um gesto de nobreza
Onde a inspiração vadeia
Como o farol da lua cheia
Descendo em focos de luz
Era a presença de Jesus
Completando a santa ceia
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A cena maravilhosa
De minh’alma tomou conta
Pensei de cabeça tonta
É santa a mesa de glosa
O que poucos fazem na prosa
Sem que ninguém interfira
Cada escolhido tira
De arquivos celestiais
Fazendo-se imortais
Da cidade de Tabira
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Quem ver Sebastião Dias
Sem cantar e sem o pinho
Enxerga ali um adivinho
Pois são gênias as suas crias
Ele faz alegorias
Um Deus com ele conspira
Não há tema que lhe fira
Toda fala é glamorosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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Tiram lágrimas e risos
Os versos ricos de Gonga
Como um canto de araponga
Sobre a vida faz juízos
Com seus torpedos precisos
George Alves faz a mira
Aperta o dedo e atira
Mas a bala é carinhosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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De Genildo tinham dois
Um Almeida, outro Santana
Um tem alcunha de cana
Outro é além de depois
Entre porquês e apois
Todo mote os inspira
Quem não ver diz ser mentira
Quem ver diz: ôh noite honrosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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O Felipe abana a mão
Como tá cortando palma
Mas o verso sai da alma
Invade a imensidão
Albino do bigodão
Rima como quem se vira
No cão ou numa catira
Mas seu verso cheira a rosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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O poeta Clécio Rimas
Com bravura de herói
Pedra por pedra constrói
Um canteiro de obras primas
Nas fissuras passa limas
Toda aspereza tira
Se aperreia, mas não pira
Pra pintar, a tinta dosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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Josivaldo fala manso
Mas dá conta do recado
Tem um versejar pausado
Como curva de remanso
Osvanildo faz descanso
Enquanto o mote gira
Chegada sua vez suspira
Cruza a rima, o verso entrosa
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
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Recrê em astros lunares
Ou começa a acreditar
Quem vê gente versejar
Igual Adeval Soares
Vai nas serras, vai nos mares
Vai no barro, na safira
No amor, na dor, na ira
Grita, chora, sofre e goza
É santa a mesa de glosa
Da cidade de Tabira
Em São José também choveu
No domingo (20) corri pra São José do Egito pra ver o 2º Festival de Cantadores do Pajeú, uma homenagem ao poeta Zé Catota, falecido em abril passado. Muito bom, público até o fim (e olha que terminou mais de uma hora da madrugada). Quem acompanha festivais sabe que é danado pra opinião do público não bater com a dos jurados. Lá deu igual: primeiro lugar para Adelmo Aguiar e Denílson Nunes. Fico devendo alguns versos que choveram por lá.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Desculpem, mas não estou conseguindo dar espaço entre linhas. Daí as poesias abaixo aparecerem corridas e não separadas em 2 quadras e 2 tercetos (soneto de Cancão) e em 5 quadras (poema de Giuseppe Ghiaroni). Estou verificando se o problema é no blog ou no blogueiro. Não sei porque, mas desconfio que seja no segundo!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O ébrio
Há um ébrio aqui, parede-e-meia
Que o infortúnio lhe fez um sorteado
Descalço, sem pão, esfarrapado
Sendo o mais conhecido na cadeia
Chora, canta, soluça, palavreia
Pela voragem do vício deformado
Ninguém sente nem olha o desgraçado
Que por sorte desdita cambaleia
Vive fora de toda a humanidade
Caído às vezes nos bancos da cidade
Exposto à chuva, à frieza e ao mormaço
Enquanto tomba e tropeça sem alento
Este povo, de menos sentimento
Zomba e ri o tomando por palhaço
João Batista Siqueira - Cancão
A gramática no cordel
A poesia popular, em especial a literatura de cordel, foi uma fonte de informação, diversão e educação quase que única para muitas gerações de interioranos nordestinos. Muitos chegaram a aprender a ler e escrever com mãos e olhos num folheto. Feito de forma simples, com linguagem acessível e atraente, os versos continuam sendo uma riquíssima fonte de pesquisa e ensinamento. Eis alguns exemplos do professor e poeta paraibano Janduhi Dantas Nóbrega transcritos em seu livro A Gramática no Cordel:
Frase e Oração
A oração tem no verbo
base de sustentação
porque tem de haver verbo
para que haja oração;
já frase é enunciado
que tem comunicação.
Período
Período diz-se da frase
com uma oração ou mais.
Com uma oração é simples:
"Lélis leu todos os jornais";
com mais de uma, composto:
"Fiz e pintei o cartaz".
O sujeito
Meu bom sujeito, o sujeito
é o termo da oração
chamado de essencial
que pratica ou sofre a ação:
"A polícia prendeu Zé",
"Zé foi levado à prisão".
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Quem sabe de quem é?
Conheci essa maravilha aí abaixo através do poeta Diomedes Mariano. Ele não conhece e autor e eu até hoje também não. Alguém aí pode ajudar?
A estudante, a casada e a perdida
Num tempo que vai longe em minha vida
E que eu lembro muito bem mesmo distante
Três amores eu tive: uma estudante
Uma mulher casada e uma perdida
A estudante eu amava afoitamente
Antes da escola mal o sol nascido
A casada na ausência do marido
E a perdida depois do expediente
Era no tempo das imagens belas
Escrevi um poema certa vez
Um poema inspirado em uma delas
Mas fiz três cópias para dar as três
E as três choraram de emoção profusa
Cada qual se sentindo retratada
Cada qual chorou lágrimas de musa
A estudante, a perdida e a casada
Assim algo encontrei de semelhante
Nos diversos amores desta vida
Que a casada tem algo da estudante
E que as duas têm muito da perdida.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Emídio de Miranda
Recebo através de Cláudio Gomes, que por sua vez recebeu de Djacy Véras, o soneto abaixo. Grande e mais belo se conhecida sua origem. Eis um resumo: ao escrever, o autor estava nas últimas como se diz, vitimado por males alguns oriundos do alcoolismo. Dirigiu os versos a um amigo que se negou a pagar-lhe bebida. O poeta é Waldemar Emídio de Miranda, nascido no Recife, mas que cumpriu sua missão na terra entre as cidades de Serra Talhada, Arcoverde, Triunfo e Caruaru, tendo falecido em 1937. Vamos aos versos:
Tú, ventrudo burguês analfabeto,
Escultura rotunda da irrisão
Para quem o viver mais limpo e reto
Consiste em ser avaro e ter balcão;
Tú que resumes todo o teu afeto
No dinheiro - o metal da sedução,
Pelo qual negocias abjeto,
Tua esposa, teu lar, teu coração;
Escutas ó ignorantaço, o que te digo:
Esse ouro protetor, que é teu amigo,
Que te deu o conforto de um pachá,
Pode comprar qualquer burguês cretino,
Mas a lyra de um vate peregrino
Não compra, não comprou, não comprará.
Escultura rotunda da irrisão
Para quem o viver mais limpo e reto
Consiste em ser avaro e ter balcão;
Tú que resumes todo o teu afeto
No dinheiro - o metal da sedução,
Pelo qual negocias abjeto,
Tua esposa, teu lar, teu coração;
Escutas ó ignorantaço, o que te digo:
Esse ouro protetor, que é teu amigo,
Que te deu o conforto de um pachá,
Pode comprar qualquer burguês cretino,
Mas a lyra de um vate peregrino
Não compra, não comprou, não comprará.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Eu fui
Cumprindo o que anunciei aqui, fui pro Festival da Prata. Não foi como foi anunciado, mas foi grande. Entre as muitas coisas incríveis, vou carregar comigo a declamação do poeta Enoc Ferreira e o show dos Vates e Violas, esses malucos por excesso de juízo que tão aí na foto. Pense que valeu a pena! Como diriam eles: quem num foi, ficou!A prata é de Zé
Entre muitos patrimônios, a Prata é de Zé de Cazuza, o Homem Gravador como foi anunciado incansável e entusiasticamente por um locutor tipo “que figura arretada”! Quem me levou foi Annamélia, conhecida por lá do tanto que Jesus é pelo mundo. Aí eu junto os dois aqui: já vai com um tempo que ela me pediu uns versos em cima de um mote dele – Todo dia muda a cor / Do quadro da minha vida. Eu fiz esses:
O jovem
Até os dez eu queria
Logo quinze completar
Nos vinte fiz despertar
O senso da honraria
Hoje vejo cada dia
Como graça recebida
Valorizo cada ida
Pois a volta é um supor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
O maduro
Um novo quadro se pinta
Dizendo ao bom ouvinte
Quarenta não são dois vinte
Sessenta não são dois trinta
Não sei quem compôs a tinta
Da obra da despedida
Mas sinto os pincéis da lida
Negrejando sem clamor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
O velho
As orelhas tão crescendo
A vista ficando curta
O juízo de quem surta
E o sexo é só querendo
Aí pego percebendo
Tô na reta da descida
Que é mais curta que a subida
E a carga é só de dor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
O jovem
Até os dez eu queria
Logo quinze completar
Nos vinte fiz despertar
O senso da honraria
Hoje vejo cada dia
Como graça recebida
Valorizo cada ida
Pois a volta é um supor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
O maduro
Um novo quadro se pinta
Dizendo ao bom ouvinte
Quarenta não são dois vinte
Sessenta não são dois trinta
Não sei quem compôs a tinta
Da obra da despedida
Mas sinto os pincéis da lida
Negrejando sem clamor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
O velho
As orelhas tão crescendo
A vista ficando curta
O juízo de quem surta
E o sexo é só querendo
Aí pego percebendo
Tô na reta da descida
Que é mais curta que a subida
E a carga é só de dor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
Na volta
Chegando no ponto de ônibus na volta pra casa - embora estivesse me sentido nela pelo acolhimento recebido - encontramos Antonio de Catarina. Grande figura, poeta respeitado em toda ribeira e nas ribeiras onde seu nome chegar. Antonio pediu para eu recitar um soneto de João Paraibano, entitulado Pajeú. Me orgulhei por puder exaltar o Pajeú lá no Cariri, por ser amigo 'conterrâneo' de João, por saber do soneto e por atender ao mestre Antonio de Catarina. Disse lá, todo gaboso, o que transcrevo aqui:
Pajeú
Pajeú, teu cenário me encanta
Desde a voz do vaqueiro aboiador
Ao verão que desbota a cor da planta
E a abelha que bebe o mel da flor
Do refúgio da caça que se espanta
No chiado dos pés do caçador
E a romântica canção que o rio canta
Na passagem do ano chovedor
Quando a chuva das nuvens inunda as grotas
O volume da água banha Brotas
E onde a curva do rio forma um U
Nasce um pé de esperança no teu povo
Tudo indica que Cristo quando novo
Aprendeu a caminhar no Pajeú
Antonio já tava com um copo meado de uísque. Deu um tapa na mesa e virou o restim.
Pajeú
Pajeú, teu cenário me encanta
Desde a voz do vaqueiro aboiador
Ao verão que desbota a cor da planta
E a abelha que bebe o mel da flor
Do refúgio da caça que se espanta
No chiado dos pés do caçador
E a romântica canção que o rio canta
Na passagem do ano chovedor
Quando a chuva das nuvens inunda as grotas
O volume da água banha Brotas
E onde a curva do rio forma um U
Nasce um pé de esperança no teu povo
Tudo indica que Cristo quando novo
Aprendeu a caminhar no Pajeú
Antonio já tava com um copo meado de uísque. Deu um tapa na mesa e virou o restim.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
PITO DO INQUILINO - Rolando Boldrin
Prezado morador.
Gostaria de informar-lhe que o contrato de aluguel que firmamos há bilhões de anos está vencendo. É tempo de renová-lo. Só que agora temos que acertar alguns pontos fundamentais. Você precisa pagar a conta de energia. Está muito alta. Como é que você pode gastar tanto assim? O consumo de água: antes, eu fornecia água à vontade, pra você e pra sua família... hoje não disponho mais desta quantidade. Então, precisamos renegociar o uso que você tá fazendo dela. Comida: por que alguns na sua casa comem bastante e outros estão morrendo de fome? Você pode me dizer? O quintal da sua casa é grandão. Se você cuidar bem da terra vai ter alimento pra todo mundo. Ah, outra coisa. Você cortou as árvores... as árvores que davam sombra, que são responsáveis pelo ar que respiramos... pelo equilíbrio de tudo. O sol tá cada vez mais quente... você viu que o calor aumentou, né? É geleira derretendo, o nível do mar subindo... mar invadindo as praias... Então. Agora você precisa replantar as árvores depressa... senão você está literalmente.. FRITO. Os bichos e as plantas desse imenso jardim da sua casa devem ser cuidados e preservados. Eu procurei alguns animais que tinham aí... e não encontrei. Quando eu aluguei a casa pra você eles estavam aí... bonitinhos... você se lembra? Ah... o nosso céu cor de anil... tão cantado em verso e prosa... azul... céu de brigadeiro, como lá diz o outro... cadê? O céu tá com cores estranhas. Não dá nem pra definir. Parece sujo... Ah, por falar em sujeira. Que lixo, hein? Fui andar por aí... como na canção... o que encontrei foram objetos estranhos e variados pelo caminho. Isopor, pneus, plásticos... garrafas vazias... jornal velho... até papel de bala. Não vi os peixes que moram nos rios e lagos. Vocês pescaram todos? Beleza êin.. Onde estão esses peixes que eu estou falando? Bom. É hora da gente conversar. Você e Eu. Eu quero saber se você ainda pretende morar aqui... na minha casa. Se pretende... o que pode fazer pra cumprir o NOSSO contrato? Eu gostaria de você sempre morando na minha casa... mas tudo tem um limite, né? Então? Você pode mudar de comportamento? Pode? Pois eu vou ficar aqui aguardando sua resposta. Resposta só não, que de conversa eu ando cheio. Promessa... Não adianta. Eu quero ATITUDES.
Eu sou o DONO da casa... da terra...
EU sou DEUS.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Nem burro, nem idiota
Cada um na sua e respeito pra todo nós. Mas me identifiquei tanto com o comentário do Luiz Berto, autoentitulado e respeitado como Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, que resolvi transcrevê-lo. Leia aí:
"É por isso que eu não me meto a escrever poesia. Sobretudo a chamada 'poesia moderna'. Sou perfeccionista, gosto de fazer tudo bem feito. E eu jamais conseguiria compor uma obra-prima perfeita como esta, de um poeta carioca, que li hoje pela manhã na internet. Vejam só:
"É por isso que eu não me meto a escrever poesia. Sobretudo a chamada 'poesia moderna'. Sou perfeccionista, gosto de fazer tudo bem feito. E eu jamais conseguiria compor uma obra-prima perfeita como esta, de um poeta carioca, que li hoje pela manhã na internet. Vejam só:
O texto, escura escama, pesadelo de eternidade,
máscara densa do universo vomitando.
O texto, mas não a energia que o pensou,
interrogando a simultaneidade absoluta.
máscara densa do universo vomitando.
O texto, mas não a energia que o pensou,
interrogando a simultaneidade absoluta.
Num vou passar atestado público de burrice dizendo que não entendi. Nem tampouco atestado de idiota dizendo que entendi. Só quero dizer que eu jamais conseguiria escrever algo assim. Sou muito limitado."
E tu! O que dizes?
domingo, 30 de agosto de 2009
Não esquecem o Senado
Continuo achando que tão sacaneando o Senado Federal, mas vou postar mais uma. Garantem que este foi o último concurso interno (porque só podiam participar parentes de senadores) para Aspone (o pretendidíssimo cargo de Assessor de Porra Nenhuma). Não tá valendo vaga, mas podem tentar responder. Quem sabe um dia não vais namorar um(a) filho(a) do Sarney!
01) Um grande presidente brasileiro foi Castelo _________
( ) Roxo ( ) Preto ( ) Branco ( ) Rosa choque ( ) Amarelo
02) Um líder chinês muito conhecido chamava-se Mao-Tsé______
( ) Tang ( ) Teng ( ) Ting ( ) Tong ( ) Tung
03) A principal avenida de Belo Horizonte chama-se Afonso_______
( ) Pelo ( ) Pentelho ( ) Penugem ( ) Pena ( ) Cabelo
04) O maior rio do Brasil chama-se Ama_________
( ) boates ( ) zonas ( ) cabarés ( ) relinho ( ) ciante
05) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi __________
( ) Volta Redonda ( ) Fluminense ( ) Flamengo ( ) Botafogo ( ) Vasco da Gama
06) A América foi descoberta por Cristóvão Co_______
( ) maminha ( ) picanha ( ) alcatra ( ) lombo ( ) carne do sol
07) Grande Bandeirante foi Borba _______
( ) Lebre ( ) Zebra ( ) Gato ( ) Veado ( ) Vaca
08) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de ______
( ) Anda ( ) Para ( ) Corre ( ) Dispara ( ) Caminha
09) Um famoso ministro de Portugal foi o Marquês de _________
( ) Galinheiro ( ) Puteiro ( ) Curral ( ) Pombal ( ) Chiqueiro
10) D. Pedro popularizou-se quando __________
( ) eliminou a concorrência ( ) decretou sua falência ( ) saturou a paciência ( ) proclamou a independência ( ) liberou a flatulência
11) Pedro Alvares Cabral _____________
( ) inventou o fuzil ( ) engoliu o cantil ( ) descobriu o Brasil ( ) foi pra puta que pariu ( ) tropeçou mas não caiu
12) Foi no dia 13 de maio que a Princesa Isabel____________
( ) aumentou a tanajura ( ) botou água na fervura ( ) engoliu a dentadura ( ) segurou a coisa dura ( ) aboliu a escravatura
13) Um grande ator brasileiro é Francisco Cu______
( ) sujo ( ) de ferro ( ) oco ( ) largo ( ) apertado
14) O autor de Menino do Engenho foi José Lins do ______
( ) Fiofó ( ) Cu ( ) Rego ( ) Furico ( ) Forevis
15) O mártir da independência foi Tira___________
( ) gosto ( ) cabaço ( ) que está doendo ( ) dentes ( ) e põe de novo
16) D. Pedro I. às margens do Rio Ipiranga, gritou____________
( ) Hortência vorte! ( ) Eu dou por esporte! ( ) Como dói, prefiro a morte! ( ) Independência ou morte! ( ) Maria, endureceu! Que sorte!
Colaboração de Lucílio Valério.
01) Um grande presidente brasileiro foi Castelo _________
( ) Roxo ( ) Preto ( ) Branco ( ) Rosa choque ( ) Amarelo
02) Um líder chinês muito conhecido chamava-se Mao-Tsé______
( ) Tang ( ) Teng ( ) Ting ( ) Tong ( ) Tung
03) A principal avenida de Belo Horizonte chama-se Afonso_______
( ) Pelo ( ) Pentelho ( ) Penugem ( ) Pena ( ) Cabelo
04) O maior rio do Brasil chama-se Ama_________
( ) boates ( ) zonas ( ) cabarés ( ) relinho ( ) ciante
05) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi __________
( ) Volta Redonda ( ) Fluminense ( ) Flamengo ( ) Botafogo ( ) Vasco da Gama
06) A América foi descoberta por Cristóvão Co_______
( ) maminha ( ) picanha ( ) alcatra ( ) lombo ( ) carne do sol
07) Grande Bandeirante foi Borba _______
( ) Lebre ( ) Zebra ( ) Gato ( ) Veado ( ) Vaca
08) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de ______
( ) Anda ( ) Para ( ) Corre ( ) Dispara ( ) Caminha
09) Um famoso ministro de Portugal foi o Marquês de _________
( ) Galinheiro ( ) Puteiro ( ) Curral ( ) Pombal ( ) Chiqueiro
10) D. Pedro popularizou-se quando __________
( ) eliminou a concorrência ( ) decretou sua falência ( ) saturou a paciência ( ) proclamou a independência ( ) liberou a flatulência
11) Pedro Alvares Cabral _____________
( ) inventou o fuzil ( ) engoliu o cantil ( ) descobriu o Brasil ( ) foi pra puta que pariu ( ) tropeçou mas não caiu
12) Foi no dia 13 de maio que a Princesa Isabel____________
( ) aumentou a tanajura ( ) botou água na fervura ( ) engoliu a dentadura ( ) segurou a coisa dura ( ) aboliu a escravatura
13) Um grande ator brasileiro é Francisco Cu______
( ) sujo ( ) de ferro ( ) oco ( ) largo ( ) apertado
14) O autor de Menino do Engenho foi José Lins do ______
( ) Fiofó ( ) Cu ( ) Rego ( ) Furico ( ) Forevis
15) O mártir da independência foi Tira___________
( ) gosto ( ) cabaço ( ) que está doendo ( ) dentes ( ) e põe de novo
16) D. Pedro I. às margens do Rio Ipiranga, gritou____________
( ) Hortência vorte! ( ) Eu dou por esporte! ( ) Como dói, prefiro a morte! ( ) Independência ou morte! ( ) Maria, endureceu! Que sorte!
Colaboração de Lucílio Valério.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Memórias do cangaço
O site lampiaoaceso.blogspot.com é uma das melhores fontes "internéticas" que encontrei sobre o cangaço. É moderado por um jovem de nome Kiko Monteiro, de Lagarto, estado de Sergipe. No texto abaixo deste, uma de suas mais recentes atualizações. É uma publicação não muito fácil da revista Realidade, de 1973. São trechos de uma entrevista concedida por Guilherme Alves, o cangaceiro Balão, tido como sobrevivente do bando de Lampião. Na foto acima, balão em família (atente-se para a legenda), abaixo com uma cabeleira 'herança do cangaço'. Crédito das fotos: Chico Aragão.
"Vivi de fogo em fogo durante 09 anos. A gente aprende a brigar: Soldado morria porque vinha de peito aberto. Cangaceiro não dá o peito nem as costas, briga de quina. Um homem de quina é uma faca. Também não brigávamos sem preparo. Só atraíamos a volante depois de construir a trincheira. E lá ficávamos, ajoelhados ou em pé, escorando firme o coice da espingarda.""MARIA BONITA usava uma pistola Mauser, de 11 tiros, mas também não atirava nada. Não era bonita: baixinha, grossinha, pernas meio tortas, cintura fina, quadris bem largos, atrás era batidinha como uma tábua. Tinha o rosto cheio, redondo, andava com botas de couro de bode, bem coladas nas pernas. Usava saia de couro abaixo dos joelhos e uma blusa de couro."
"LAMPIÃO andava todo furado de balas. Eu pensava: é oração, ele não morre mais. LAMPIÃO era alto, magro, as pernas secas. Lia e rezava muito. Só ele e CORISCO sabiam ler."
Me enganei com minha noiva
Estes versos são bem conhecidos pelos que gostam da poesia engraçada, mas por vezes são ditos como sendo de autoria do forrozeiro Amazan, em função deste ter os gravado em um de seus discos. O autor, no entanto, é Luiz Campos, poeta de Mossoroense (RN). Este aí da da foto.Quando sortêro eu vivia
Era o maior aperrêi
Devido eu ser muito fêi
As moça num me quiria
Quando prum forró eu ia
Cum quarqué colega meu
Eles confiava neu
Ia bebê e dançá
No fim da festa arengá
E quem ia preso era eu
Prumode arranjar namoro
Eu toda vida fui mole
Cantei samba, puxei fole
Usei um cabelo loro
A boca cheia de oro
Chega briava de dia
Quando prum forró eu ia
Cherava feito uma rosa
Mas quando eu caçava prosa
As moça num me quiria
Eu dizia – É catimbó
Que arguém butô e num sai
Mamãe casou com papai
Vovô casou com vovó
Inté meu mano Chicó
Munto mais fêi do que eu
Namorou, casou, viveu
Cum duas muié, inté
Só eu num acho muié
Que quêra se esfregar neu?
Um dia Deus descuidou-se
E o satanás se esqueceu
Que Vicença oiou pra eu
Cum zoião de bico doce
O nosso amô misturô-se
Cuma feijão cum arroz
Se abufelemo nós dois
Num amô tão violento
Que maiquemo o casamento
Pra quatro dia dispois
No dia de se amarrá
Se arrumou eu e ela
Dei de garra na mão dela
Fui pra igreja casá
Cheguei nos pés do artá
Recebi a santa bença
Jurei num tê desavença
Entre eu e minha esposa
O padre dixe umas cousa
Eu eu fui vivê mais Vicença
Cheguei im casa mais ela
Fui logo mi agazaiando
Que mermo eu ia pensando
De drumi com a costela
Vicença fez uma novela
Pru dentro da camarinha
Quebrou uns troço que tinha
Me ameaçou na bala
Findou drumindo na sala
E eu me lasquei na cunzinha
Da vida eu perdi o gosto
Pruquê Vicença fez isso
De manhã fui pro sirviço
Mas pra morrê de disgosto
Cheguei im casa o sol posto
Vicença me arrecebeu
Inté um café freveu
Botou pra nós dois ceá
Mas quando foi se deitá
Nem sequer oiou pra eu
De Deus eu perdi a crença
De nome chamei uns trinta
Botei a faca na cinta
Fui cunversá com Vicença
Vicença deu a doença
Quando eu falei im amô
E preguntô – O sinhô
Pensa qui eu sou o quê
Só me casei cum você
Pra lhe fazê um favor
Bati cum ela no chão
Puxei a lapa de faca
Cortei-lhe o cós da casaca
E o elastro do calção
Vicença tinha razão
De num querê bem a eu
Num era cum nojo deu
E nem pruquê fosse séra
Sabe Vicença quem era?
Era macho qui nem eu
Eu munto me arrependi
Pruquê me casei cum ela
Falei logo cum o pai dela
E de manhã devorvi
Grande desgosto senti
Que quage murria, inté
Home em traje de muié
Tem munto de mundo afora
Só caso com ôta agora
Sabendo logo quem é
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O Valor da Vírgula
Vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere. / Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro:
R$ 23,4 / R$ 2,34.
Pode ser autoritária:
Aceito, obrigado. / Aceito obrigado.
Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve. / Isso só ele resolve.
E vilões:
Esse, juiz, é corrupto. / Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido. / Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber. / Não, queremos saber.
Agora experimente colocar a vírgula nessa frase:
Agora experimente colocar a vírgula nessa frase:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER. Se for homem, certamente colocou a vírgula depois de TEM.
Esta peça compôs a campanha publicitária pelo centenário da Associação Brasileira de Imprensa, a qual teve com lema: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER. Se for homem, certamente colocou a vírgula depois de TEM.
Esta peça compôs a campanha publicitária pelo centenário da Associação Brasileira de Imprensa, a qual teve com lema: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Colaboração: Afonso Cavalcanti Fernandes
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Umas coisa dizida por Jessier Quirino
Meu nome num tem sustança
Eu quero trocar meu nome
Purum nome mais verdadeiro
Pois, Nuca de Zé Bedêu
Não tem sustança nem cheiro
Quero um nome de Doutor
Graúdo, respeitador:
Astragildo de Medêro.
Astragildo de Medêro
Ô nomezim arretado!
Com ele bem adubado
Eu era um filosofêro
E dizia em toda altura:
-O raso não tem fundura
No planeta brasileiro!
O raso não tem fundura
Ia pro Repórter Esso
Ia ser grande sucesso
A minha filosofura
Os doutor na altura
Espalhava o boatêro
E dizia: - Meu cumpade
O dono dessa verdade
É Astragildo de Medêro.
Já um nome apeiticado
Já um nomezim reimoso
Já não é considerado
Já não pode ser famoso.
O raso não tem fundura!
Com bravura digo eu
Os doutor logo adverte:
- Pelo que se asucedeu
A má palavra se herda
Pois quem falou essa merda
Foi Nuca de Zé Bedêu.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A última dessa sessão sobre Pinto
Pinto do Monteiro morreu com quase 100 anos. A citação é incerta porque o próprio Pinto contribuiu para tal. Os registros são de que ora dizia ter nascido em 1895, ora em 1896. Há também que o comparasse na idade com o parceiro Antonio Marinho, este nascido em 1887. O certo é que a Cascavel do Monteiro desencarnou em 1990. No dia 28 de novembro mais precisamente. No túmulo do poeta (foto) não há datas.Sobre outros cantadores, disse:
Com Saturnino Mandu
Eu não pude me sair
O velho meuteu-me a peia
Deu até o nó cair
Sobre Antonio Marinho: bom baião, boa toada, mas comigo ele encontrou tampa pro tabaqueiro.
Sobre Dimas Batista: nesse eu bati como quem bate em massa pra pão de ló.
Rogaciano Leite: um monstro.
Sobre quem foram os maiores cantadores: foi o sogro e foi o genro (AntonioMarinho e Lourival Batista). Mas não deixou de graça:
Já apanhei de Marinho
Porém foi só uma vez
Aqui mesmo em Umburana
No ano de vinte e seis
Mas agora dou no genro
Desconto o que o sogro fez
Sobre Jó Patriota: do meu tamanho mesmo só Marinho e Louro, o resto foi do tamanho desse aí.
Sobre João Furiba: nunca teve medo de apanhar.
E profetizou:
Quando os velhos morrerem
Os que ficam cantam bem
Duda passou de Marinho
Por mim não passa ninguém
Vou ficar para semente
Pra séculos sem fim, amém
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Há 22 anos, morria Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.
























